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O que um dos líderes da Olimpíada aprendeu sobre negócios nos Jogos

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O que você faria se tivesse que conquistar um comitê internacional para sediar um evento? Entenda como Leonardo Gryner planejou a Olimpíada e o que essa experiência ensinou a ele

Planejar, pesquisar, alocar recursos e inovar. Todo empreendedor conhece muito bem essas palavras, mas será que realmente sabe como colocá-las em práticas da melhor maneira? Léo Gryner, vice-diretor da Rio 2016, aprendeu muitas lições sobre esses conceitos durante a preparação para a Olimpíada e compartilhou suas maiores descobertas no CEO Summit São Paulo.

Léo se formou em matemática pela PUC-Rio e continuou seus estudos no exterior, concentrando-se em informática. Aos 22 anos, decidiu que queria investir em um caminho totalmente diferente: o do cinema. Para sua sorte, um conhecido trabalhava na Rede Globo e ofereceu um desafio para que ele resolvesse: integrar os jornalistas que estavam saindo dos veículos impressos e indo trabalhar na televisão. Após décadas na empresa, ele foi convidado para trabalhar no Comitê Olímpico.

No CEO Summit 2016, ele falou sobre os desafios de organização do evento. Selecionamos as quatro lições mais importantes compartilhadas pelo executivo.

  1. Inovação nem sempre é começar do zero

Pouco depois de virar diretor esportivo na Globo, Léo questionou a sua equipe sobre qual era exatamente o público do programa Esporte Espetacular. A primeira resposta que ouviu foi “torcedores de futebol” — mas esse chute estava bem longe da verdade. “Ninguém conseguiu acertar a resposta, porque ninguém sabia que, no horário em que o programa era exibido, o público era mulher de 35-45 anos”, contou Léo. Depois de informar a equipe sobre isso, Léo contou que ia tirar a atração do ar por um tempo indeterminado, até que um novo formato, com mais afinidade com o público e mercado, fosse definido.

“Ouvi muitos colaboradores que, chocados com a minha decisão, afirmavam que eu estava jogando fora o nosso único espaço na televisão” afirmou. Mas, mesmo com toda resistência, Léo continuou seu projeto e depois de dois anos trabalhando ao lado da área comercial, desenvolveu uma nova proposta de valor para o programa. Diferente dos seus concorrentes, o programa foi pioneiro em lançar espaços para divulgação de produtos, o que atualmente chamamos de merchandising. E então, o Esporte Espetacular, que oscilava na grade da televisão, passou a ter dia e horário fixo, e conquistou de vez o coração de milhares de espectadores.

Toda essa história fez com que Léo entendesse que a inovação nem sempre precisa ser concebida do zero. Às vezes uma boa ideia só precisa ser repaginada e empacotada de uma forma diferente para atingir seu potencial.

2. A pergunta certa na hora certa

Muito se fala sobre ouvir os clientes, mas, durante a Rio 2016, Léo descobriu que isso não é o suficiente. Logo depois de ganhar o direito para sediar as Olimpíadas, seis anos antes do evento, o comitê começou a realizar pesquisas periódicas para descobrir qual o grau de informação dos brasileiros sobre o evento. Apesar de todo investimento em comunicação que estava sendo feito, os resultados não apareciam. O cenário estava tão preocupante que chegou a ser pauta de muitas reuniões de conselho, já que quase metade dos entrevistados afirmava não entender a Olimpíada. Foi em uma dessas reuniões que Léo teve a ideia de perguntar aos entrevistados quais informações eles consideravam necessárias para entender melhor o evento. O resultado mudou tudo:

“A gente entendeu que eles queriam saber detalhes específicos, como o preço dos ingressos e horários dos jogos, que, 6 anos antes do evento, nós não tínhamos como saber”, conta Léo. Saber disso fez com que todo esforço do comitê fosse redirecionado, afinal, as pessoas não estavam sem informações sobre a Rio 2016, elas só não sabiam alguns detalhes. Léo continuou seu pensamento:

“Às vezes a gente acha que fazer pesquisa é tudo, mas entender os resultados é muito importante, assim como saber o que perguntar”. Em outras palavras, mais do que uma boa pesquisa, você precisa saber fazer a pergunta certa na hora certa.

  1. Planejar, planejar e planejar

Muitos acham que as preparações para a Rio 2016 aconteceram em cima da hora, mas todo as histórias e negociações começaram lá atrás, em 1996. Em 1992, os jogos olímpicos aconteceram na cidade de Barcelona e foram encabeçados por dois urbanistas que queriam usar a oportunidade para dar uma nova vida a cidade. Nessa mesma época, no Rio de Janeiro, César Maia assumiu o governo e chamou Luis Paulo Conde para atuar na secretaria de urbanismo. Por conhecer o projeto que acontecia em Barcelona, Luis viu as Olimpíadas como uma forma de reerguer o Rio.

O problema era que o Brasil nunca tinha passado por um processo de eleição de cidade e, como não teve um bom planejamento, a cidade não foi escolhida. “A gente não entendia nada de eleição de cidade, a gente achava que era só chegar e dizer: ‘Olha, o Rio de Janeiro é muito legal’ e oferecer umas caipirinhas. Mas no mundo olímpico não é assim”, contou Léo.

Depois do primeiro não, o comitê entendeu que precisaria se planejar e qualificar caso ainda quisesse sediar as Olimpíadas.

Então, em 1999, o comitê decidiu abrir mão da candidatura para as Olimpíadas e focou seus esforços na briga pelo Pan-americano (que acabou realizado na cidade em 2007). O desafio agora era conquistar votos, já que 50% dos que votavam estavam na região do Caribe. E foi aí que um bom planejamento fez toda diferença.

Para conseguir o maior número de votos possível, era preciso entender o que o comitê brasileiro poderia oferecer ao Caribe. Para isso, Léo foi a um evento no qual participavam muitos atletas caribenhos e, ao conversar com cada um deles, descobriu que a maior dificuldade deles era a própria transmissão dos jogos. Como quase ninguém tinha dinheiro para pagar uma transmissão e o único jeito de acompanhar os jogos era pela cobertura americana, a população não via seus atletas e ficava distante dos jogos. “Ao perceber isso, nos disponibilizamos a entregar o que o nosso ‘cliente’ queria. Oferecemos direito a transmissão dos jogos e um sinal gratuito pelo qual seria possível assistir os melhores momentos dos atletas do Caribe”, contou Léo. Depois disso, o Rio conseguiu construir uma boa reputação e ganhar os direitos para o Pan-Americano e os Jogos Olímpicos, em 2016.

4. Definir papeis para crescer: o arrependimento

Por mais que a Rio 2016 tenha sido um bem-sucedido, Léo contou que ainda guarda um grande arrependimento: “Se eu pudesse fazer alguma coisa diferente eu teria definido melhor o escopo de trabalho e responsabilidades de cada pessoa”. As chamadas “zonas cinzas”, aquela áreas que ninguém sabe quem é o dono, fizeram com que o evento enfrentasse alguns impasses. Por se tratar de um evento com muitas parcerias público privadas, o conceito de governança também não era tão bem definido e as decisões ficavam soltas. Léo afirma que “ainda temos a sensação de que governança é definir quem manda, mas não é isso”.

Não deixe de conferir o vídeo na íntegra e todas as outras lições do CEO Summit 2016!

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