O futuro é colaborativo: como essa empresa de tecnologia cresceu apoiada no ombro de gigantes

Esse é um conteúdo oferecido por:   Algar Ventures Open

Endeavor Brasil
Endeavor Brasil

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Como uma scale-up se beneficia do Corporate Venture? Conheça a história da Sensedia, empresa que sempre navegou entre gigantes para impulsionar o próprio crescimento.

Darwin tinha razão. Não é o mais forte, nem o mais rápido que sobrevive, mas sim o mais adaptável. No universo de empresas nascentes e grandes corporações, essa máxima não poderia ser mais verdadeira. De um lado, a velocidade de decisão, a mentalidade de experimento e a proposta de romper com mercados e setores inteiros. Do outro, a necessidade imediata de inovação, a estrutura operacional mais consolidada e o capital disponível para investimento. Dessa combinação, surge uma relação de mutualismo em que uma ajuda a outra a crescer, também conhecido como Corporate Venture.

O que pouca gente sabe é que as relações entre grandes empresas e negócios pequenos vão muito além do investimento financeiro. Existem outras ligações que se constroem a partir de interações genuínas, conexões verdadeiras e uma vontade legítima de aprender e ensinar, ajudando o ecossistema de negócios a evoluir.

Um bom exemplo dessas relações é a trajetória da Sensedia, scale-up participante do Algar Ventures Open, um programa de inovação aberta realizado em parceria com a Endeavor em 2017. A nova edição está com inscrições abertas até dia 27 de abril.

Conheça o Algar Ventures Open 2018

O berço da startup foi a gigante CI&T, multinacional brasileira de TI, a partir de um spin-off dos produtos desenvolvidos, além da UNICAMP que ajudou a operação a dar os primeiros passos antes de crescer.

O fundador da Sensedia, Kleber Bacili, conta que entrou na CI&T como estagiário, quando ainda trabalhavam por lá ele e mais 30 funcionários. A partir dali, seu crescimento correu em paralelo com o da companhia: passou de analista a desenvolvedor e depois arquiteto de sistemas, enquanto a empresa se alargava até chegar a 2.400 pessoas. Foi nesse período que Kleber idealizou um software de integração de sistemas para grandes empresas. A ideia do produto era tão boa que poderia se descolar da empresa maior e ganhar vida própria.

Assim surgiu a Sensedia, fruto da veia empreendedora de Kleber e da autonomia dada pela CI&T. Como toda startup, começou com uma equipe de uma pessoa: o próprio Kleber. Mas contava com todo o suporte administrativo da CI&T, o que fez uma diferença fundamental para os primeiros meses de vida da empresa nascente. Esse apoio também trouxe os dois primeiros clientes: BankBoston e Vale, heranças da empresa-mãe.

Kleber conta que levou um tempo até que ele se enxergasse como empreendedor. O momento de virada, que na Endeavor costumamos chamar de Day1, aconteceu quando eles perceberam que o modelo de negócios inicialmente desenhado não estava tendo a tração esperada e que era preciso pivotar. Foi necessário voltar para o canvas e desenhar uma nova solução.

A CI&T era a mola propulsora, mas eu sabia que, como empreendedor, precisaria andar com as minhas próprias pernas.“, conta Kleber.

Aquela não foi a única vez que eles precisaram pivotar o modelo. De fato, foram 5 anos para entender a melhor forma de monetizar e formatar a solução para atender a um grande mercado. Em 2012, eles conseguiram chegar ao modelo de negócios ideal. E, a partir daí, o crescimento foi exponencial.

A principal mudança que permitiu encontrar o Product Market Fit do negócio foi deixar de olhar a integração dos sistemas internos de um cliente corporativo, o que limitava o mercado potencial de empresas atendidas, para olhar a transformação digital, a partir de APIs. Dessa forma, o mercado potencial se ampliou consideravelmente, o que foi refletido em receita, número de novos clientes e crescimento exponencial.

Hoje, a Sensedia ajuda as empresas a serem mais conectadas, digitais e abertas por meio do gerenciamento de APIs, na prática, são interfaces de programação de aplicativos que permitem a troca de informações entre diferentes sistemas.

O e-commerce do Extra, por exemplo, pode vender produtos que não são necessariamente deles, por meio de APIs. Se você quiser comprar ração para cachorro, por exemplo, a mercadoria é vendida e entregue por outra loja externa que está conectada ao marketplace do Extra. Essa integração enriquece o ecossistema de parceiros porque permite a colaboração entre diferentes empresas, gerando novas oportunidades de negócio.

A relação da Sensedia com grandes empresas continuou rendendo boas parcerias. Em 2013, Kleber participou do Endeavor Innovation Program, um programa de apoio a empreendedores que o conectou a diversos Empreendedores Endeavor, líderes de empresas de alto crescimento que são mentores dele até hoje.

Já em 2014, participou do inovaBra, programa de inovação aberta do Bradesco, uma oportunidade para entender como os bancos funcionam. De lá para cá, a Sensedia amadureceu a estratégia de gestão em nuvem, operação e customer success para manter o ritmo de crescimento contínuo.

Toda essa história os levou até 2017, quando foram selecionados para participar do programa Algar Ventures Open. Para Kleber, participar do programa ia ajudá-lo a:

1) Conhecer o mercado de telecom para adaptar a proposta de valor de sua solução;
2) Acelerar as oportunidades de negócios com a Algar, a partir do alinhamento executivo.

Para uma scale-up que participa de um programa de aceleração realizado por uma grande empresa, a proximidade com os executivos e a visibilidade institucional que o programa oferece são de grande ajuda na geração de negócios. Tanto é que Algar Tech e Algar Telecom são hoje dois dos maiores clientes da Sensedia.

Mas o que surpreendeu Kleber, para além das suas expectativas iniciais, foi a relação com seu conector, Eduardo Rabboni, Chief Digital Officer da ‎Algar Telecom. Kleber comenta que “rolou uma empatia logo na primeira conversa”. “Ele acreditou no potencial da Sensedia e extrapolou o olhar de executivo para ser nosso advisor, nosso mentor.” Durante as conversas, Eduardo ajudou a desenhar o escopo de trabalho com a Algar e começou a fazer provocações sobre os planos de internacionalização do negócio.

“Nossa preparação para as conversas que teríamos com o Eduardo, sabendo das perguntas que ele faria, nos levava também a fazer reflexões importantes.”

Em conjunto com as mentorias, coletivas e individuais, essas conversas os provocavam a pensar em mudanças rápidas no programa de benefícios dos funcionários e também em transformações mais estruturais, relacionadas à busca de capital para o crescimento e à entrada em novos países, por exemplo.

Como a própria história da Sensedia mostra, as relações de mercado são cada vez mais mutualísticas, colaborativas e organizadas em rede.

Porém, Kleber acredita que elas só são eficientes se as conexões forem genuínas. A intenção inicial da Sensedia não era somente fechar um negócio com a Algar. “Nós queríamos entender o mercado deles e como poderíamos adaptar nossa proposta de valor para ajudá-los a resolver problemas reais”. A consequência natural disso é o fechamento de bons negócios.

Se até hoje, a Sensedia cresceu com o apoio de gigantes, um novo movimento começa a surgir. Há algumas semanas, Kleber conta que um dos talentos mais notáveis do time decidiu sair para se aventurar em seu próprio negócio. Na conversa de despedida, ele compartilhou um sentimento que sintetiza bem o efeito multiplicador criado: “Eu me inspiro muito em vocês. Espero que um dia minha startup possa crescer e chegar no patamar da Sensedia”.

A startup de hoje é a gigante de amanhã. Quando potencializamos as conexões entre pessoas, negócios e organizações, acontece uma coisa que nem Darwin poderia prever: todos evoluem juntos.