Inovação e recursos a longo prazo

Roberto Alcântara
Roberto Alcântara Endeavor Brasil - Time de Conteúdo

 

Inovação não é só para grandes centros de pesquisa, enormes corporações e alguns produtos de tecnologia. O incentivo à inovação dentro das empresas brasileiras chegou em tempo, e veio para ficar.

O tema inovação tornou-se uma matéria exaustivamente debatida no meio acadêmico e empresarial. Entre vários temas levantados, tem se discutido o que é inovação, onde deve acontecer, qual a participação do governo, qual a participação das universidades e  centros de pesquisas, etc.

Trazendo o tema para a realidade empresarial, acredito que após tanto debate, está claro que inovação em seu sentido mais amplo não se inicia apenas nos grandes centros de pesquisas como MIT e NASA, não acontece apenas em grandes corporações como Apple, 3M, e não está restrita a poucos produtos/serviços como i-pad, Google, etc.

As inovações que impulsionam o desenvolvimento da ciência e que afetam de maneira sistêmica a vida cotidiana do indivíduo e comunidades são aquelas milhares de pequenas atitudes de pesquisadores e empreendedores que geram a inovação incremental. O fato é que essas inovações incrementais são consideradas ‘menos nobres’ sob o olhar da mídia, passam despercebidas e, portanto, menos valorizadas.

Deixando de lado as discussões filosóficas, o que está claro é que a inovação é, sem dúvida, mola propulsora para o desenvolvimento de empresas e, em conseqüência, das comunidades e  países.

Embora com atraso, mas em tempo, o Brasil aprovou a Lei de Inovação em 2005, que se desdobrou em várias ações para apoiar a inovação no país. Um dos pontos importantes a se destacar da lei é seu foco. Prioriza o apoio à inovação dentro das empresas, tornando-se uma quebra de conceitos no país, pois os incentivos estavam centrados às Universidades e Centros de pesquisas.

Dentro os vários órgãos e programas destacam-se:

1. FINEP, através do Programa de Subvenção (recursos não precisam ser devolvidos); Inova Brasil, apoio aos Planos de Investimentos Estratégicos; o INOVAR, programa estruturado de venture capital; e o JURO ZERO, com empréstimos sem juros e pagamento em 100 (cem) parcelas.

2. BNDES, através do Capital Inovador, para capacitação da empresa a inovar de forma contínua e estruturada; Inovação Produção, investimentos para implantação, expansão e modernização da capacidade produtiva. Inovação Tecnológica, projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com risco tecnológico.

3. CNPq,  através do RHAE – Recursos Humanos em Áreas Estratégicas, que objetiva apoiar a inserção de pesquisadores nas empresas.

Como exposto, a inovação é uma ação, uma atitude que deve ocorrer dentro das empresas e, embora despercebidos pela maioria dos empresários, os recursos estão disponíveis. Caberá, portanto, a mobilização para acessá-los, transformando inovações em produtos e serviços para o mercado que possam gerar além de papers, “notas fiscais”.

 

 

Roberto Alcântara é presidente e fundador da Angelus – Indústria de Produtos Odontológicos S/A. Empreendedor Endeavor desde 2008.