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A história por trás de uma sociedade de sucesso que já dura onze anos

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A história por trás de uma sociedade de sucesso que já dura onze anos

“Se faz sentir, faz sentido”: conheça a história de Luciana Guimarães e Vanessa Vazquez, da Íntegra Medical  

Quem nunca torceu o nariz para a namorada nova do irmão? Não precisa nem de um motivo específico, às vezes é o santo que não bate mesmo. Bom, Luciana não ia com a cara da cunhada, Vanessa. Fez o que podia para separá-los, mas vendo que não ia conseguir, começou a despertar para o que tinham em comum, em vez do que era divergente. Elas tinham apenas 15 anos de idade e, eventualmente, o bom humor da Vanessa conquistou a Luciana. O namoro terminou, mas as duas seguiram firmes como amigas de faculdade, colegas de trabalho e sócias na parceria mais desafiadora de todas: a de empreender juntas.

Esse é o improvável caso de Luciana Guimarães e Vanessa Vazquez. Improvável porque o ditado, “amigos, amigos, negócios à parte”, é ditado por um motivo. Só que ele não se aplica a quem compartilha dos mesmos valores e princípios, a quem tem visões semelhantes de negócio e a quem o ato de empreender está relacionado a um sentido.

Pois é, o sentido as responsáveis pela Íntegra Medical jamais deixaram de buscar. A história delas tem a ver com a tal da zona de conforto, onde se encontraram em diferentes momentos de suas carreiras e onde nunca deixaram de fazer certas perguntinhas, tão cruciais quanto espinhosas:

“Para onde isso vai me levar? Qual é o sentido do que estou fazendo?”.

As respostas, como você pode imaginar, fizeram com que se reinventassem. Que tomassem decisões importantes – algumas bem difíceis, como veremos – e que, mais de uma vez, saíssem daquela região tão nociva ao ato de empreender. Que as levaram a construir, ainda jovens, uma notável trajetória empreendedora, que merece ser compartilhada.

Líder desde menina

A trajetória de Luciana começa cedo. Paulistana da zona oeste de SP, ela sempre se mostrou curiosa e inquieta – o que até contrasta com a fala pausada e calma por meio da qual ela se expressa. Mostrou também, desde menina, duas características marcantes da empreendedora que ela viria a ser: o espírito coletivo e a postura de liderar.

Na escola estadual em que estudou a vida inteira, costumava tomar a dianteira. “Nas festas e nos eventos, eu sempre ajudava a organizar”. Era assim no esporte, também: quando começou a jogar vôlei, logo se tornou a capitã do time.

Mas ela não queria ocupar uma posição de destaque. Era mais uma dedicação inata à classe, ao time que pertencesse. Ela sentia prazer em articular e movimentar grupos. A liderança vinha naturalmente, como consequência dessa tomada de iniciativa.

Em casa de ferreiro, o espeto é de ferro

Os exemplos dentro de casa também marcaram a futura empreendedora. O pai de Luciana sempre deu duro para garantir o conforto dos três: dela, do irmão e da mãe. Farmacêutico, trabalhou por muitos anos no departamento comercial de indústrias do setor até que, ao lado de amigos, resolveu abrir a própria empresa – a Oncomed, primeira distribuidora de medicamentos oncológicos do país.

Esse fato a influenciou profundamente. Embora o pai fosse sócio minoritário e tivesse perfil mais conservador, Luciana reconhece a importância da decisão que ele tomou na época. “Dentro das possibilidades, meu pai empreendeu. Ele não era sócio-investidor, tinha só uma pequena porcentagem. Mas começou algo que depois foi longe”.

A empresa do pai a influenciava no próprio dia a dia. Ao sair da escola, de tarde, ia para lá. Preferia aquele ambiente movimentado ao sossego do lar e tentava participar da forma que fosse possível, geralmente atendendo ao telefone, que não podia ouvir tocar. Na época, mal tinha completado quinze anos.

Vocação para cuidar de pessoas

Alguns anos depois, essa participação aumentou. Ao lado do irmão e da mãe, Luciana foi se envolvendo cada vez mais com a empresa do pai. A família o ajudou a reorientar as operações, dando mais atenção às pessoas.

Como consequência dessa mudança de posicionamento, o negócio começou a prosperar. A tal ponto que, no quarto ano de atividades, deu-se o primeiro movimento importante para a futura carreira: a compra da participação dos outros sócios do pai por parte da família.

Luciana embarcou para valer na jornada. Até porque, naquele momento, viu sentido no que fazia. Era ali que queria estar: ajudando na gestão, dedicando-se a liderar a equipe de funcionários e se comprometendo com as pessoas que atendia.

“Eu vi, naquele momento, que aquela veia da infância, da curiosidade e da busca, me levou àquele lugar. Você ter paixão pelo que faz, você acreditar que está numa causa que faz sentido, é fundamental”.

Essa paixão durou bastante. Onze anos, para sermos mais exatos, durante os quais Luciana participou ativamente da gestão da empresa da família. Ao longo desse período, foi reunindo uma bagagem administrativa considerável. Até que a Oncomed foi vendida para a Audifar, uma das líderes do segmento. E, quando a nova gestão assumiu, ela entrou em contato com uma área que até então desconhecia: a hospitalar.

Foi quando tudo começou a mudar. Estamos em 2005, e o contato próximo com pacientes fez aflorar outra característica particular de Luciana: o cuidado. Ela sempre se relacionou com pacientes na empresa do pai, é verdade; mas, ao lidar com aqueles em hospitais, percebeu que havia uma enorme carência de atendimento.

Amigas, colegas e, a partir de agora, sócias

A percepção foi compartilhada com Vanessa Vazquez, que à época já era amiga de longa data e colega de trabalho.

A própria Vanessa resume bem a relação:

“Eu e a Lu temos uma sintonia de alma. Algo difícil de explicar. Respeito, admiração, orgulho, alegria e bondade são os pilares da nossa relação, e os nossos valores são os mesmos”.

Prova disso é o fato de que ela concordou plenamente com Luciana. Também tinha a impressão de que a indústria farmacêutica enfrentava dificuldades para se relacionar com pacientes, especialmente no tratamento de doenças complexas.

Na época, as duas compartilhavam também o sonho grande de empreender. Mas em quê, exatamente? Havia a percepção de que o setor farmacêutico carecia de programas de relacionamento para os pacientes, é verdade. Mas como viabilizar isso? Que produto ou serviço oferecer? De que forma atender essa demanda?

Mas… e a Audifar?

Certo, certo, avançamos um pouco. O fato é que, com a mudança de gestão, Luciana já não via mais tanto propósito nas funções que exercia na nova empresa. Vanessa tampouco. Logo perceberam que não conseguiriam implementar as novas ideias na Audifar. Já estavam em processo de desconexão de algo que não fazia mais tanto sentido.

“Desde o momento em que a Oncomed foi vendida, já nos deparamos com diferenças de valores. E já sabíamos que iríamos montar algo nosso”, conta Vanessa.

E quando a janela da oportunidade se abriu, as duas não hesitaram em aproveitá-la. Luciana pediu demissão primeiro, e Vanessa pouco depois. Com capital inicial de aproximadamente R$ 120 mil, alugaram e reformaram uma casa na Lapa, em São Paulo, para sediar a nova empresa.

O valor da pesquisa, mesmo que informal

Havia o espaço, havia o investimento, mas havia aquelas dúvidas ali de cima. E para respondê-las, Luciana e Vanessa foram bater perna. Cada uma partiu para um lado para ouvir o que pensavam médicos, pacientes, associações de paciente, planos de saúde etc. Pesquisas informais, mesmo: elas aproveitavam os contatos que tinham com profissionais da saúde e marcavam reuniões e consultas para conhecer as principais demandas.

Na época, Luciana estava grávida de sua filha. Super grávida. E acabava por se beneficiar do barrigão nas salas de espera dos médicos que visitava. Uma vez lá dentro, soltava na lata: “doutor, que tipo de serviço falta pro seu paciente?”.

“Um 0800 para onde eu possa encaminhá-lo com informações sobre um tratamento”, diziam alguns especialistas; “um site onde pacientes possam se informar sobre algum processo específico”, diziam outros; “algum canal de orientação para os pacientes”, diziam todos.

Com as respostas, as duas começaram a delinear o plano de negócios do futuro empreendimento. Eram os primórdios da Íntegra Medical, que depois se tornou a primeira empresa a oferecer serviços de desenvolvimento de programas de relacionamento com pacientes para a indústria farmacêutica.

Grávida e empreendendo?

Pois é, a questão gravidez versus empreendimento foi um dos momentos mais difíceis da vida de Luciana. Um dilema doloroso, porque o início das operações da Íntegra Medical coincidiu com o nascimento da filha e, naqueles tempos, a empresa exigia intensa dedicação dela. Não estar tão presente na primeira infância da criança foi algo que a marcou profundamente.

Mas isso tinha a ver, também naquele momento, com a busca pelo sentido, com fazer algo maior que ela mesma. A própria Luciana o reconhece:

“Quando você deixa seu filho com outra pessoa, tem que ser por algo que valha muito a pena, a realização de um sonho”.

Pelo menos ela pôde compartilhar essas dores com Vanessa, que também é mãe.

Hoje, Luciana tem plena consciência de que é um modelo para a filha. A pequena tem a idade da Íntegra e, assim como a mãe, quer botar a mão na massa o quanto antes. “Ela falou que já quer começar a trabalhar. Eu respondi que era cedo, que ela só tem onze anos, mas ela disse que quer assim mesmo”.

O silêncio do telefone

Além dos dilemas pessoais, os dilemas de negócios também eram grandes. Qual seria o melhor caminho? O jeito foi ir pra rua e descobrir.

“Eu tenho uma crença muito forte na vida, que sempre funcionou: se você não sabe o que fazer, circule!”

Luciana passou a visitar empresas do setor farmacêutico para apresentar o programa de apoio aos pacientes que vinham desenvolvendo, com uma série de soluções integradas: call center, tecnologia, publicidade etc. Saía às vezes bastante confiante, mas o telefone não tocava.

As duas se olhavam apreensivas: tinham uma bela oferta para um pedaço específico do mercado, na qual acreditavam fortemente, mas não sabiam de que forma acessar esse mercado. Nem os amigos do meio davam notícias.

O primeiro cliente e o nome profético

Até que, numa tarde ensolarada e ansiosa, 2 meses depois do início dessas visitas, soa o tão esperado trinado. Do outro lado da linha, Lázaro Oliveira, de uma grande farmacêutica. Ele disse que tinha uma ideia para um projeto e que as duas poderiam ajudá-lo.  

Consistia em auxiliar pacientes portadoras de câncer de mama que haviam passado pela cirurgia. A função da Íntegra Medical seria a de criar meios que incentivassem as pacientes a tomar os medicamentos de forma adequada, para que não sofressem recaídas.

Embora se tratasse de assumir um risco, claro que as duas toparam na hora. E Luciana se lembra com muito carinho desse momento, que considera o pontapé inicial da empresa. “Foi o primeiro projeto, que deixou uma marquinha para sempre”.

Foi uma aposta, também:

“No final, acabamos pagando para trabalhar. Ou melhor, para aprender”.

O título do projeto? “Vitoriosas”. O resultado foi de fato uma vitória; o cliente ficou satisfeito e outros vieram. Luciana e Vanessa foram ampliando a oferta de serviços e aprimorando a gestão para consolidar o negócio; enfim, partiram “para as cabeças”, nas palavras da primeira.

A partir desse momento, a empresa só cresceu.

O que esperar do futuro? Que continue fazendo sentido

Em 2016, a Íntegra Medical vai completar onze anos – uma história movimentada, é verdade, mas sem dúvida bem-sucedida. As duas se sentem muito gratas pelos aprendizados da jornada.

“Empreender é uma montanha-russa, tem altos e baixos. Vão acontecer os erros, haverá os dias difíceis. Mas nós somos provas de que sempre tem saída”, afirma Luciana.

O sucesso da Íntegra garantiu uma ótima saída, inclusive, sendo recentemente adquirida por um grupo estrangeiro: “vendi para uma empresa americana sem nem falar inglês fluente. Às vezes a gente acha que algo é limitador e não é”, conta.

As duas se mantiveram na gestão, mas se ocupando de áreas diferentes daquelas anteriores. E você acha que elas se acomodaram nessa nova “zona de conforto”? Ledo engano! Tanto Luciana quanto Vanessa estão de antenas bem acionadas, sempre em busca de oportunidades que possam surgir e prontas para aproveitá-las.

“Sei que vou empreender novamente. Eu tenho muito prazer em fazer o bem e gerar empregos. Isso alimenta minha alma. Ainda não sei o que será, mas sem duvidas faremos juntas”.

São palavras de Vanessa, mas poderiam tranquilamente ser de Luciana. Afinal, o sentido de empreender é o mesmo para as duas. E a história mostra que elas não terão medo nenhum de continuar a buscá-lo.

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1 Comentário

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  1. Luane Silvestre - says:

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    Artigo inspirador e muito bem escrito! Elas fizeram bem em aproveitar suas habilidades e sua vontade de empreender para abraçar um nicho de mercado tão específico e com tanta demanda…

    http://www.nuvemshop.com.br/blog

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