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“Passamos 4 anos escutando todo mundo dizer que não conseguiríamos”

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História I.Systems: “Passamos 4 anos escutando todo mundo dizer que não conseguiríamos”

Por muito tempo, Igor Santiago, Ronaldo Silva e Danilo Halla viveram uma escassez de clientes. Hoje, a I.Systems dobra de tamanho a cada ano.

Na fábrica de envase da Coca-Cola em Jundiaí (SP), a afinação da produção é milimétrica. Claro, se você tem um mercado consumidor de mais de 70 milhões de brasileiros, qualquer desvio pode ser uma grande perda. Não entrou líquido suficiente na garrafa? Não passa na qualidade. Entrou rápido demais e o refrigerante borbulhou? Descartado.

Até que um trio de jovens foi bater à porta deles, em 2006.

E se existisse uma solução para diminuir a inconsistência das máquinas, reduzir o desperdício e, com isso, economizar recursos?

A promessa brilhou os olhinhos da Coca-Cola FEMSA, que topou a parceria com Igor, Danilo e Ronaldo para o desenvolvimento de um produto capaz de cumprir essas promessas, com curto tempo de implantação e que não dependesse de equipamentos.

Controlando a estabilidade de um equipamento que enchia 2 garrafas por segundo, o produto — batizado de Leaf – garantia que a quantidade certa de líquido em uma pressão exata seria dispensada em cada envase. Com isso, foram salvos mais de 500 mil litros de refrigerante e 100 mil garrafas plásticas. E depois de 4 anos de trabalho duro, a I.Systems não só teve sua validação, como ganhou seu primeiro cliente.

Inteligência Artificial

Desde adolescente Igor Santiago queria ser cientista. Dizia pela escola que criaria uma nova forma de gerar energia baseada no campo eletromagnético da Terra. Seu professor de física acabou tendo que explicar por que o plano não daria certo. O menino ficou desanimado, mas nem por isso desistiu do caminho da ciência.

Anos mais tarde, Igor acabou se mudando de Salvador para Campinas para cursar engenharia da computação na Unicamp. Apesar de reconhecer o alto nível da universidade, as aulas não eram tão estimulantes quanto ele esperava — considerou voltar para casa, mas o pai era categórico: “Você entrou, agora tem que sair”.

De semestre em semestre, Igor foi levando a responsabilidade de se formar, mas sem sentir tanto prazer pelos estudos ou alcançar um desempenho acadêmico excepcional. Até que iniciou uma matéria sobre algoritmos genéticos. Tinha bem mais matemática que genética, mas o tema o inspirou pela abordagem, que apresentava uma forma de dar criatividade ao computador.

Foi a primeira matéria de Inteligência Artificial que Igor cursou. Depois dela, vieram outras 12. “Me encontrei”, ele diz.

Logo em seguida, foi estagiar em um instituto de pesquisa onde também trabalhavam seus futuros sócios, Danilo e Ronaldo.

De ideia a produto, de produto a empresa

Durante o estágio, abriu na Unicamp a matéria opcional de planos de negócios. Igor se inscreveu para tentar ser um intraempreendedor, ou seja, para empreender dentro de alguma corporação. Na época, conta, não havia essa onda de lean startup, Steve Blank, nada disso… mas o impulso veio de uma reflexão mais profunda. Pensava:

“Eu aplicava menos de 5% do que eu sabia nos projetos que eu fazia. Será que eu não conseguiria gerar algo onde eu poderia aplicar tudo?”

Foi quando Igor fez um SWOT analisando onde poderia aplicar técnicas de Inteligência Artificial que conhecia. Vale dizer, antes da faculdade, ele pensava que AI só servia para criar robôs.

Conversando com os dois amigos, concordaram desde o início que queriam criar algo grande, que pudesse ter alto impacto. Avaliaram diversos mercados, que iam desde reconstrução facial a busca na internet — “porque era uma ótima ideia concorrer com o Google”, Igor ironiza.

Veja também: Planejamento estratégico: o que você precisa saber antes de começar

Um fator importante na decisão sobre qual segmento investir era que o mercado os permitisse avançar não pela quantidade de marketing que faziam, mas pela qualidade do produto que vendiam. Claro, dinheiro para espaço em mídia eles também não tinham sobrando. Em meio às pesquisas, focaram a atenção na indústria.

No campo de processamento industrial, há décadas não se via inovação. Além dos já citados problemas com o tempo de implantação de sistemas e a dependência de equipamentos, todos os desafios de desperdício de recursos também já eram conhecidos. Foram ao ataque com o propósito de fazer com que as máquinas conseguissem replicar um conhecimento humano, tomando decisões sozinhas e mais rapidamente para aumentar seu próprio desempenho.

Para acelerar o desenvolvimento do software, os três resolveram morar juntos. Já que estavam testando o negócio, por que não também testar a sociedade? Concluíram que se, por 4 anos, eles se aguentassem 24 horas por dia, não haveria por que não aguentar empreender junto dali em diante.

Cadê os clientes?

Foi preciso resiliência, claro, não só dentro de casa, como na rua. Apesar de a Coca-Cola FEMSA ter logo topado participar do processo, os empreendedores passaram também 4 anos lidando com centenas de afirmações negativas.

“Quem são vocês pra fazer um negócio melhor que a Siemens?”, não paravam de escutar de terceiros, “Eles têm mil doutores na Alemanha.”

Essa descrença foi influenciando também as vendas. Em 2009, os três sócios já estavam 100% dedicados à I.Systems, mas ninguém se interessava em comprar. No ano seguinte, mantinham ativo apenas o projeto da Coca-Cola. O “elefante na sala” estava ali para todos: “Se a gente não implantar alguma coisa até o primeiro semestre de 2011, não vai dar certo“.

Para reverter a situação, o primeiro passo foi tentar entender por que o cliente não via valor no produto. Com base nas descobertas, foram ajustando os mercados-alvo e afinando o discurso de venda. “Foi um processo de busca, mas não estruturado”, comenta Igor, “se a gente tivesse planejado e aprendido mais rápido com a interação com os clientes, não passaríamos esse sufoco”.

Veja também: Planejamento de Vendas Inteligente – O guia para vender mais na hora certa!

Ainda assim, deu certo. Outros clientes entraram para o portfólio e a motivação do trio deu uma guinada. Mas a virada de chave mesmo aconteceu em 2013.

Investimento de alto impacto

Nos primeiros dois anos de existência do Fundo Pitanga, mais de 580 projetos chegaram à mesa do responsável por encontrar negócios nos quais investir. Entre redes de cafés e novas plataformas sociais, estava a I.Systems.

A empresa se tornou a primeira investida do fundo. “Nós já éramos organizados, mas quando viramos S.A., montamos conselho, passamos a ser auditados… subiu a barra da governança”, conta Igor. Os novos acionistas também deram força para amadurecer a gestão, que passou a seguir critérios ISO 9001, solidificar os processos e aumentar o time.

Sobre esse último ponto, os empreendedores ressaltam a importância de dar atenção à cultura da empresa, antes de pensar em ampliar a equipe. “Não estamos preocupados em passar de uma equipe de 10 pessoas para 100, depois 450. Queremos focar em ter uma equipe de pessoas A+, de alta performance”, complementa Igor. Hoje, a I.Systems tem 35 colaboradores e vem apresentado um crescimento de pelo menos 100% ao ano.

De Campinas para o mundo

Desde a fundação da empresa em 2007, Igor destaca o papel fundamental de mentorias que tiveram que que ajudaram a prepará-los para o crescimento. Em especial, Fabricio Bloisi, fundador da Movile, os inspirou a pensar globalmente.

No 66º Painel Internacional de Seleção (ISP) em Boston, EUA, Igor, Ronaldo e Danilo foram aprovados como Empreendedores Endeavor e instigados sobre o mesmo tema: “Vocês têm um produto que pode ser aplicado em todo o mundo”, diziam os avaliadores.

“A empresa de vocês vai ser do tamanho da ambição que vocês têm.”

Com a aprovação, os três fundadores passam a contar com o apoio de uma rede de mentores composta pelos maiores empreendedores e especialistas de negócios do país. E não apenas isso, assumem também a missão de apoiarem e inspirarem outros empreendedores a sonharem cada vez maior.

“Até agora a gente continua com essa pegada de ser uma empresa brasileira com competitividade global”, diz Igor. E completa com o exemplo de Fabricio, que também é baiano, ex-aluno da Unicamp e que tem uma história de sucesso que atravessa diversos países. “É um espelhamento. Se ele conseguiu, a gente também é capaz.”

Leia mais:

Empreende[dor]: Histórias de coragem sobre #empreendernareal

, Endeavor Brasil, Time de Conteúdo

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