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Como uma empresa que nasceu em Manaus quer revolucionar o mercado de eventos

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Ingresse: Como uma empresa que nasceu em Manaus quer revolucionar o mercado de eventos

A história de Gabriel Benarrós e Marcelo Bissuh com a Ingresse é recente, mas cheia de aprendizados. Conheça os empreendedores por trás dessa startup de alto impacto.

“De repente, eu não era mais o melhor da turma em nada”. Para Gabriel Benarrós, acostumado a ter excelente desempenho acadêmico desde criança, a realização veio como um choque. De Stanford já tinham saído empreendedores à frente de empresas como Google, Netflix e PayPal. Até presidente dos EUA tinha no hall da fama da faculdade.

Era inevitável se comparar. Em um jantar logo nas primeiras semanas, conversou com Mike Krieger sobre um aplicativo que estava desenvolvendo — um tal de Instagram. No ano seguinte, conheceu Evan Spiegel, cofundador do Snapchat. Até Zuckerberg ele viu passando, num café da manhã.

Em vez de colocar esse peso do sucesso sobre suas costas, Gabriel, que deixou Manaus como bolsista da Fundação Estudar, usou o ambiente como inspiração para criar a Ingresse, uma plataforma tecnológica com a missão de facilitar a compra e venda de ingressos online e soluções de ponta a ponta para qualquer tipo de evento.

Depois de enfrentarem desafios que vão de adaptação da cultura até fraudes financeiras, ele e seu sócio, Marcelo, conseguiram estruturar uma empresa que cresce em uma média acima de 250% por ano.

Empreendedores em formação

Foi na própria faculdade que Gabriel decidiu se dedicar a descobrir seu maior talento. Nesse processo, desenvolveu habilidades que, mal sabia, seriam muito úteis para a carreira empreendedora. Participou de diversas atividades extras, que iam das aulas de improvisação teatral aos eventos que organizou como gestor da comunidade da Casa Italiana, residência que dividia com outros 60 estudantes.

Um dos eventos organizados por ele e os colegas foi uma festa para alegrar um amigo, que estava triste porque sua namorada tinha viajado. Com tudo comprado para a preparação, um grande grupo de convidados desistiu de comparecer.

Teriam um prejuízo de US$ 5 mil — uma dor no bolso de qualquer universitário — até que tiveram a ideia de vender os ingressos pela internet.

Em poucas horas, estava tudo esgotado.

A gambiarra deu tão certo que Gabriel a transformou em projeto. Depois de terminar a graduação em economia e psicologia, engatou em um mestrado também em Stanford. No primeiro dia de aula, na disciplina de formação de empresas de tecnologia, formatou a ideia. Seu trabalho final do curso era apresentar o negócio para investidores. Dessa apresentação, já saiu o primeiro cheque que viria a compor um aporte de R$ 2,5 milhões para dar início à Ingresse.

Veja também: Acesso a capital: um guia para quem procura investimento

Apesar da proximidade, Gabriel não cogitou começar no Vale do Silício. Foi incentivado pelo próprio professor do mestrado — que também era seu investidor anjo — a deixar os estudos e colocar o negócio para andar em Manaus. Arrastou junto o amigo Marcelo Bissuh, com quem já vinha trocando ideias, e que estava na metade do curso de ciências da computação na Universidade Federal do Amazonas.

Grande aposta

Os sócios se conheceram pouco tempo antes, quando Marcelo trabalhava na empresa de tecnologia do pai de Gabriel. Contratado como estagiário, chegou a ser coordenador de produto e desenhava soluções para alguns dos maiores e-commerce da região.

Antes mesmo de entrar na faculdade, no entanto, Marcelo já mostrava talento pra coisa. Aos 17 anos, desenvolveu o Audioteste, um software que usa inteligência artificial para permitir que deficientes visuais completem exames e avaliações de forma autônoma. Hoje, ele é o arquiteto de toda a tecnologia da Ingresse.

O primeiro escritório da dupla eram, na verdade, duas mesas no segundo andar de um posto de gasolina — espaço cedido pelo pai de Gabriel. Depois de caçar vários contatos, os dois conseguiram marcar uma reunião com o empresário que estava trazendo Pitbull, artista norte-americano de hip-hop, a Manaus. Marcelo conta que o início na capital do Amazonas  teve uma vantagem: a facilidade em conhecer pessoas e testar hipóteses. “Nunca vi isso no Brasil, vamos fazer!”, foi a reação do empresário.

Começaram por uma página simples, que vendeu 2 mil ingressos para o evento em dois dias. Depois, o empresário fechou um acordo em que todas as entradas de sua casa de shows seriam vendidas pela Ingresse. Mas mais do que vender entradas, queriam que ela se tornasse uma plataforma completa para promover, vender e gerir eventos de todos os tipos, totalmente centrada na experiência do usuário.

E começou bem: logo de início, Gabriel e Marcelo foram selecionados para participarem do programa de aceleração do fundo 500 Startups. Essa sim, deu um empurrãozinho em direção ao Vale do Silício. Montaram base lá por alguns meses, enquanto recebiam mentorias de empreendedores de gigantes norte-americanas.

De mudança pro Sudeste

Voltando com a bagagem de aprendizado ao Brasil, em 2013 Gabriel e Marcelo se mudaram para São Paulo. Nessa mudança, eles dizem que o mais difícil foi montar o negócio em uma cidade completamente nova — do aluguel do escritório às dificuldades de transporte. “Em Manaus a gente conhecia tudo. Aqui, precisamos explorar tudo de novo“, conta Marcelo.

A cultura também mudou. Apesar de aproximadamente 10 pessoas do time terem se realocado com eles, precisaram recrutar bastante gente e entrar no ritmo da metrópole.

“A velocidade do trabalho, a forma de conversar… tudo foi adaptado para São Paulo.”

Do ponto de vista pessoal, Gabriel e Marcelo a transição teve seus soluços. Vários meses Gabriel passou dormindo no sofá de um amigo. Sobrevivia a base de lasanha gongelada que ele comprava por R$ 7. Comia uma metade no almoço e outra no jantar, para economizar os gastos. Já para Marcelo, o foco em resolver dores da empresa era tão direcionado que não sobrava tempo para se preocupar com possíveis dores da vida pessoal: “Não tenho amigos para sair? Vou trabalhar. Não sabia onde era o cinema? Vou trabalhar.”

E claro, o time todo ralou muito para chegarem no modelo atual do negócio:

Do lado B2C, a Ingresse permite que consumidores vasculhem festivais, shows, festas, entre outros, paguem suas entradas e façam o check-in diretamente pelo aplicativo.

Do lado B2B, organizadores e agências têm ferramentas para atrair seu público-alvo, além de um CRM com inteligência de dados sobre o comportamento dos clientes, que também centraliza todas as atividades deles relacionadas ao evento em um só lugar. Todo o sistema de gestão da Ingresse tem impulsionado a venda de seus clientes em pelo menos 25%.

Casca grossa

Chegar lá não foi fácil. Mas com o tempo, o que era um problemão antes já não parece tão difícil assim. Pode ser ótimo por um lado, mas também significa que pepinos maiores estão por vir. Marcelo compartilha:

“Talvez este seja o maior desafio: se condicionar a um ambiente sem status quo, se preparar mentalmente para o que é inevitável.”

Foi  assim com o último grande obstáculo que a dupla precisou enfrentar: fraude. No Carnaval, o baque foi forte e a Ingresse acabou assumindo prejuízo em vários eventos. Todo o planejamento financeiro anual foi prejudicado. Tiveram que falar com muita gente, passar noites em claro pesquisando e desenvolvendo um produto que resolvesse o problema. No final, a situação os forçou a criar novas soluções para o combate a fraude usando machine learning.

“Foi uma canseira. A gente parou de criar durante sete meses para focar nisso, mas hoje somos uma empresa muito mais calibrada e preparada”, diz Marcelo. Mas ainda segundo ele, “o desafio maior sempre é empreender. O resto são as microetapas pelas quais a gente passa para alcançar nosso objetivo”.

Potencial crescente

Muito mais gente viu valor na proposta: e.Bricks Early Stage, Qualcomm e DGF são investidores. Isso porque, mesmo com uma competição alta, a Ingresse apresenta tecnologia proprietária, parceiros globais estratégicos e um time altamente experiente.

Apesar de grande, o mercado de eventos no Brasil continua analógico e informal. Cerca de 70% dos consumidores ainda compram seus ingressos offline. Ou seja, espaço para crescer não falta.

Para ajudá-los a chegar lá e continuar crescendo, Gabriel Benarrós e Marcelo Bissuh passaram por um árduo processo que avalia sua capacidade de execução, diferencial competitivo, potencial de escalar e o exemplo que passam adiante. Como resultado, foram aprovados, no 66º Painel Internacional de Seleção (ISP) em Boston, EUA, como os mais novos Empreendedores Endeavor!

Com a aprovação, Gabriel e Marcelo passam a contar com o apoio de uma rede de mentores composta pelos maiores empreendedores e especialistas de negócios do país.

Top of mind

Gabriel diz que “se todo mundo se concentrasse em gerar valor, ou seja, fazer 2 + 2 = 10, todos estaríamos em um lugar melhor”. Foi nisso que eles se empenharam — em quatro anos, emigrada do norte do país, a empresa já tem abrangência nacional, 47 funcionários e teve um crescimento médio de 266% nos últimos 3 anos.

Apesar dos números impressionantes, para Marcelo, eles não traduzem o trabalho que é empreender no dia a dia:

“Tudo que fazemos é para obter resultados de longo prazo. Estamos preocupados em criar disruptura”.

O sonho, já se vê, é grande. Além de mostrar para empreendedores brasileiros que é possível criar uma empresa de alto impacto fazendo do jeito certo, querem se tornar a plataforma tecnológica absoluta do mercado — assim como empresas icônicas do Vale do Silício. Marcelo esclarece: “O que é natural quando se quer buscar algo na internet? Google. Usar rede social? Facebook. Pensar em evento? Ingresse.

Leia mais:

Empreende[dor]: Histórias de coragem sobre #empreendernareal

, Endeavor Brasil, Time de Conteúdo

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1 Comentário

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  1. Adieverson Jesus - says:

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    Realmente todo esforço valeu apena, essa conquista servirá de inspiração para meus negócios.
    http://ideiasempreendedoras.com/

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