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A fórmula para ensinar é não ter fórmula: a empresa que está revolucionando a educação tradicional

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A fórmula para ensinar é não ter fórmula: a empresa que está revolucionando a educação tradicional

Se o modelo tradicional de educação é o GPS, é como se a Geekie fosse o Waze. Conheça a história de Claudio Sassaki e Eduardo Bontempo e veja como eles estão recalculando a rota para uma educação brasileira de qualidade.

“Eu vi o quanto meu pai conseguiu transformar não só a vida dele, como de todos nós, por causa do estudo”.

Essa é a explicação de Eduardo Bontempo sobre sua paixão por educação. Descendente de imigrantes italianos, seu avô era sapateiro e não teve muita instrução. Seu pai foi o primeiro da família, até então, a cursar uma faculdade. Bontempo entendeu que esse era o caminho para conquistar o que quisesse.

Claudio Sassaki herdou esses mesmos valores e sempre foi bom aluno, muito por influência de sua família e da cultura japonesa. No ensino médio, começou a se dedicar mais à natação e ao tênis e acabou ficando muito ausente por conta dos campeonatos em que participava. Quando o vestibular começou a se aproximar, precisou tirar o atraso. Resultado? Foi aprovado em duas das melhores universidades do país e passou a dividir seu tempo entre elas: Engenharia na USP e Administração de Empresas na FGV.

Em pouco tempo, no entanto, Sassaki percebeu que aquilo não era para ele. Não da forma que o conteúdo era passado. O pai não gostou nada da decisão do filho em prestar um novo vestibular, quanto mais para arquitetura e urbanismo. Para seguir nesse caminho, o jovem precisaria dar um jeito de se sustentar. O resultado da FUVEST, uma das provas mais concorridas do Brasil, acabaria facilitando esse desafio: ele ficou no primeiro lugar geral.

Com o currículo incrementado, Sassaki foi dar aulas particulares. Ensinava tudo, de matemática a ilustração, complementando ainda como instrutor de tênis aos sábados, o que permitiu que ele se bancasse durante toda a faculdade de arquitetura. Igualmente buscando uma fonte de renda, Bontempo também tinha sua vida paralela de professor ou monitor de cursinho.

Os dois só se encontrariam anos depois, mas descobriram, do mesmo jeito, uma paixão por ajudar pessoas a desenvolverem seu potencial.

Encontro de geeks

Fazia sentido Bontempo ir parar no mercado financeiro, afinal ele tinha um diploma de administração na FGV. Mas Sassaki? Sassaki é arquiteto de formação. Ainda assim, por 10 anos esteve no Credit Suisse, chegando a trabalhar nos Estados Unidos como vice-presidente. Foi lá, inclusive, que eles se conheceram.

Papo vai, papo vem, e descobriram uma forte sintonia, assim como um grande incômodo em comum. De ambos os lados, eles se perguntavam se aquela era um carreira que fazia sentido diante seus propósitos. A conclusão foi que não, não fazia. O propósito era ajudar as pessoas a desenvolverem seu potencial – e por alguns anos, os dois foram trocando ideias sobre como realizá-lo.

Eventualmente, Sassaki foi fazer um MBA em Stanford, junto com um mestrado em educação. Bontempo foi também fazer um MBA no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Numa visita ao Brasil, encontrou Sassaki decidiram que era a hora de aplicar tudo que vinham aprendendo sobre práticas inovadoras de ensino. Bontempo não quis nem voltar para os EUA para terminar o curso: os dois caíram de cabeça no mundo empreendedor.

Os primórdios da Geekie

A ideia começava com um problema: apenas metade dos alunos que ingressam no ensino médio conclui os estudos. Dos que concluem, 80% têm desempenho abaixo do esperado em matemática e português.

O diagnóstico tem a ver com a forma que o conteúdo é passado nas escolas, que às vezes mais parecem fábricas: a divisão é feita de acordo com data de fabricação e o processo é todo padronizado, para que depois passem por uma prova. Só que cada aluno tem seu próprio ritmo, suas próprias fraquezas e vantagens.

Se duas pessoas não aprendem da mesma forma, por que ensinamos da mesma forma?

A proposta da Geekie é que, em vez do aluno precisar se encaixar no currículo, o currículo possa se moldar às suas necessidades. Com base no conceito de ensino adaptativo, eles criariam uma tecnologia que utiliza big data, sistemas de auto-aprendizagem – ou seja, que observam padrões para “ensinar melhor” – e uma plataforma web que pudesse personalizar o processo para cada estudante.

Para isso, em 2011, logo no início, Sassaki e Bontempo convenceram 5 dos melhores engenheiros do ITA a rejeitarem ofertas de emprego no Facebook e no Google e a comprarem o sonho da Geekie. Usando as próprias economias da época de banco de investimento, eles podiam pagar salários competitivos e alugar um escritório onde o primeiro produto começaria a ser desenvolvido. Em apenas 3 meses, a Geekie já tinha seu primeiro cliente, uma das melhores escolas de São Paulo.

No meio do caminho tinha uma pedra conta pra pagar

Foi um longo tempo em que os empreendedores não só não recebiam nada, como continuavam tirando do próprio bolso para investir. Mas a grana também não dura pra sempre, e em um ano já começou a ficar muito difícil fechar a conta. Uma decisão, no entanto, foi bastante acertada: não deixariam de pagar salários a ninguém, muito menos fazer cortes que prejudicassem o time.

Começaram a se preparar para uma rodada de captação, mas enquanto o dinheiro não entrava, o risco de ficar sem caixa era enorme. “Teve uma reunião em que a gente colocou na parede os custos que a gente tinha, foi um pouco preocupante. A gente arrumou dinheiro de onde não tinha, vendendo coisas, o que fosse, para a folha de pagamento daquele mês. O próximo passo foi ligar para os fornecedores e pedir desculpas, porque a gente só ia poder honrar nossos compromissos no mês seguinte“, lembra Bontempo.

Apesar do susto, a rodada de captação foi um sucesso. Além disso, naquele mesmo ano, outras 5 escolas também fecharam a compra do produto de teste de diagnóstico adaptado. Com o produto validado e investidores na roda, eles poderiam contratar mais pessoas e começar a trabalhar em outros produtos.

Um modelo inclusivo

Se o modelo tradicional de educação é o GPS, é como se a Geekie fosse o Waze.

Em vez de apenas dar a rota, ela quer entender o contexto, o sonho do aluno, identificar os buracos e redesenhar a rota com os retornos que forem necessários para depois seguir adiante com maior facilidade.

Para cumprir essa promessa, a Geekie hoje tem três produtos, que podem ser acessados por administradores, professores e alunos, do computador ou do celular, da escola ou de casa.

O primeiro deles, vendido para escolas, é o Geekie Test, um simulado que usa tecnologia preditiva para gerar um relatório imediato para o aluno sobre seu desempenho. O resultado dá uma projeção de qual seria sua nota no ENEM, que pontos seus são mais fortes ou fracos, e um roteiro de estudos para melhorar sua performance.

O Geekie Lab, também num modelo B2B, é uma plataforma online que se integra a uma sala do ensino médio. Uma parte do programa corrige automaticamente os deveres de casa dos alunos, para que o professor possa focar em intervenções mais pontuais e personalizadas. Dessa forma, ele deixa de ser um simples transmissor de informação e passa a ser um tutor, gerando mais conhecimento e valor: “Essa sensibilidade você dificilmente terá uma máquina para fazer, mas o professor faz muito bem.”

Usando dados do Geekie Test e de avaliações internas, outra parte do Geekie Lab identifica as áreas de maior dificuldade de cada adolescente, provendo material personalizado em vídeo, texto, jogos, cartas e outros exercícios, permitindo que seja usado o formato mais eficaz para cada um, no grau de dificuldade mais adequado.

Já o Geekie Games foi um teste feito para quem está se preparando para o ENEM e oferece um plano de estudos especificamente para aquela pessoa. Em média, os alunos melhoram seus resultados em 1,6 pontos, a cada lição completa. Isso representa uma melhora em torno de 35% no desempenho do estudante, a cada semestre de estudo.

Mas uma das propostas da Geekie é tornar o ensino de qualidade também mais acessível, e por isso ninguém pode ficar para trás.

Para cada escola particular que implementa um produto, a empresa oferece a mesma tecnologia para uma escola pública.

“Seria incoerente focar apenas nas escolas particulares, porque no final das contas estaríamos aumentando as diferenças. Eu preciso fazer com que a Geekie chegue ao aluno que mais precisa”, explica Sassaki. Com esse modelo, a Geekie manteve uma média de crescimento de 267% nos últimos 3 anos.

Sonho grande não, sonho enorme!

O processo de revolucionar a educação brasileira não é tão fácil, principalmente do ponto de vista do empreendedor. Nas palavras de Sassaki: “A maior dificuldade é lidar com os erros constantes e a sensação de que você nunca está preparado para o desafio que vem pela frente. O sentimento de incompetência faz parte do dia a dia. É frustrante. Mas você aprender a lidar com isso e fazer com que isso te desafie a acordar e buscar o próximo desafio. Seguir em frente é transformar isso em algo que te faz andar mais rápido e aprender mais”.

Tanto ele quanto seu sócio sempre tomaram esse esforço como verdade. Já haviam participado do programa Promessas Endeavor em 2013, por exemplo, e puderam dar grandes saltos de crescimento. Agora em 2016, por atenderem a critérios de capacidade de execução, diferencial claro, potencial de escala e por serem verdadeiros exemplos, Claudio Sassaki e Eduardo Bontempo foram selecionados como os mais novos Empreendedores Endeavor!

Os dois passaram por diversas etapas e foram avaliados pelos maiores especialistas em negócios do mundo até a fase final, no último dia 3 de Março, no 63º Painel Internacional de Seleção (ISP) em Dubai, Emirados Árabes Unidos. Com a aprovação, eles passam a receber o apoio da Endeavor e de sua rede de mentores, para que possam expandir ainda mais o impacto da Geekie.

“Você nunca vai saber o suficiente, por isso estar assessorado por pessoas que podem te ajudar a pensar e tomar decisões é o mais importante”, diz Sassaki. Ele conta também que o sonho de conseguir oferecer uma educação de qualidade para qualquer pessoa do país, independente de ela ter condições de pagar ou não, só aumentou:

“A gente percebeu que tem coisas que a gente pode fazer pelas escolas que vão além de como elas são hoje. Podemos ajudá-las a incorporar essa visão de uma educação que prepara pra vida, que é menos memorização e mais desenvolver habilidades. O futuro tem carreiras que nem sabemos que vão existir. A gente tem um papel importante em levar essa discussão adiante. Não é só memorizando coisas para o vestibular que a gente vai construir o país que a gente gostaria”.

Conheça os empreendedores selecionados do mundo todo no 63º ISP, em Dubai

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Foto: Renato Stockler, NA LATA

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