ZUP: o M&A para acelerar o sonho de posicionar o Brasil como player de tecnologia global

Endeavor Brasil
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A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Em novembro do ano passado, a ZUP anunciou a venda para o Itaú no valor de R$ 575 milhões. Mais do que um marco para o ecossistema Enterprise, o movimento é estratégico para acelerar o sonho da scale-up de tornar o Brasil um polo criador de tecnologia global. Conheça a jornada que trouxe os quatro Empreendedores Endeavor até aqui – e quais são os próximos passos para chegar lá.

Com tudo acontecendo tão rápido, como a gente vai ter tempo para falar com a Endeavor agora?

Essa foi a pergunta que Bruno Pierobon fez a Felipe Almeida, em 2014, quando ele trouxe a ideia de participarem do processo seletivo para se tornarem Empreendedores Endeavor. Nascida em 2011, a ZUP vivia, naquele ano, a primeira de suas muitas pivotagens. Depois de validar o primeiro MVP com o Buscapé, criando um botão único de compra que integrava milhares de outros sites de e-commerce, os dois empreendedores, ao lado de Flávio Zago e Gustavo Debs, migravam para atender outros clientes Enterprise.

Conhecendo de perto os desafios de tecnologia das maiores corporações do país, os quatro empreendedores observavam uma mudança significativa acontecendo no mercado.

Aquele era um período de acelerada digitalização das corporações, que passavam a implementar toda a camada de canais digitais (web, mobile, ura, etc) e o modelo de API first, com o qual poderiam integrar seus sistemas com outras soluções, sem depender de personalizações ou longos projetos, a cada nova necessidade. Dessa forma, por meio do API Manager, a ZUP seria capaz de oferecer uma série de features para os desenvolvedores realizarem essas integrações de sistemas legados com poucos cliques, centralizando, desenvolvendo e monitorando todas as APIs em um mesmo lugar.

Até então, crescendo por bootstrapping, o caixa era positivo e a necessidade de captação não era uma questão de vida ou morte para a scale-up. Porém, com investimento poderiam acelerar ainda mais o desenvolvimento do novo produto e a contratação de talentos.

Justamente no período em que a ZUP mais crescia em velocidade acelerada, a Endeavor entrou na história. Os quatro empreendedores decidiram, por fim, participar do processo pela possibilidade de novas conexões que ajudassem nos desafios de escala. Logo na etapa de Second Opinion, a segunda fase do processo seletivo para se tornarem Empreendedores Endeavor, eles conheceram Hernan Kazah, Empreendedor Endeavor pelo Mercado Livre e fundador da Kaszek Ventures e, em seguida, conversaram com Silvio Genesini, conselheiro de algumas das maiores corporações do país como Algar, Ânima Educação e brMalls.

Dessas conexões, extraíram um valor ainda maior que as próprias mentorias. Em Agosto de 2015, anunciaram a primeira rodada de investimento da ZUP, liderada pela Kaszek Ventures.

A rodada aconteceu em paralelo à aprovação dos empreendedores no Painel de Seleção Internacional da Endeavor, em São Francisco. De volta para casa com o título de Empreendedores Endeavor, Bruno, Felipe, Flávio e Gustavo já tinham uma nova ideia de produto.

O que eles notaram é que, mesmo que os clientes usassem APIs, se o sistema legado não fosse bom, a experiência da ponta, em um website ou app, também não seria. Para o usuário final, o canal e as funcionalidades usadas seriam tão bons ou tão ruins quanto os sistemas legados das grandes empresas.

Novos produtos para resolver novos problemas

Com esse problema em mente, os empreendedores desenvolveram uma arquitetura de microsserviços única que cobria todo o espectro de necessidade de gestão – do CRM ao controle de assinaturas. No início, o foco foi no segmento de Telecom, mas, hoje, o modelo evoluiu para um marketplace de microsserviços, adaptado para todo tipo de corporação, com diversas soluções em Marketing, Vendas, Pagamentos e Engajamento dos clientes.

Na ZUP, o contato direto com os clientes é a principal fonte de inspiração para o time de Produto. Mas, em 2017, os quatro empreendedores entenderam que, para entregar mais valor, precisariam também oferecer uma camada de serviços. Mesmo que as corporações tivessem em mãos a tecnologia mais disruptiva do mercado, de nada adiantaria se seus times não soubessem operá-la.

A jornada de transformação digital era muito mais complexa, do que apenas implementar tecnologia. A aproximação do cliente era fundamental para entender profundamente as dores, a organização do time e toda a operação.

Por essa razão, nasceu o braço de consultoria da ZUP, a principal fonte de crescimento, tanto de receita quanto do tamanho do time da scale-up. Hoje já são 1.100 pessoas trabalhando, sendo 950 desenvolvedores. A expectativa, ainda, é chegar em 2.500 nos próximos dois anos, um número tão alto que é capaz de alterar o cenário de talentos de tecnologia no Brasil, especialmente nos polos de atuação da ZUP: Uberlândia, Belo Horizonte, São Paulo, São José do Rio Preto, Campinas e Joinville. Para isso, a conexão com a rede da Endeavor foi fundamental para o desafio de escala de talentos. Com Deli Matsou, ex-VP do Google, os empreendedores entenderam como criar um plano de carreira para cargos de Tecnologia e vários outros aspectos fundamentais para construir e solidificar uma cultura forte.

Essa escala rápida também impactou outras empresas, tanto que Gustavo Debs, VP de Cultura e Pessoas já deu mentorias para empresas de fora do Brasil sobre o tema.

“Nosso propósito na ZUP é criar um ambiente exponencial para as pessoas evoluírem. Muita gente cresceu rápido aqui. Demos oportunidades para trabalharem em projetos que, em poucos lugares, teriam espaço. Conseguir nos adaptar rápido e manter um ritmo consistente, nos permitiu também remunerar e reconhecer a contribuição de todos os Zuppers.”

Bruno Pierobon, CEO da ZUP

Uma empresa escalável de serviços

Essa mudança de visão de uma empresa centrada no produto para uma empresa centrada em serviços parece clara hoje, quando enxergamos a história de trás para frente. Mas, nessa época, a decisão foi tomada com resistência. Felipe conta que demorou um tempo para os empreendedores enxergarem a consultoria como core do trabalho da ZUP. Como toda boa empresa de tecnologia, o playbook dizia que era preciso construir os melhores produtos do mercado, de forma escalável e low-touch. Mas, como todas as mudanças de rota já mostraram, nem sempre a visão inicial do caminho é aquela que se cumpre.

O desafio que nem o melhor software do mundo pode resolver

Quanto mais os empreendedores conquistavam grandes clientes, mais entendiam que o grande problema enfrentado pelos times de tecnologia não estava apenas no software ou na tecnologia utilizada.

As empresas também enfrentavam dois grandes desafios:

1. O primeiro é de ordem cultural: o jeito de operar ainda estava ligado a modelos produtivos do século passado. O mindset da corporação não correspondia à velocidade de transformação do mercado, das pessoas e dos produtos.

2. Já o segundo é relativo aos processos: por questões de segurança, os processos de tecnologia são muito restritos e complexos, o que torna o teste de hipóteses mais demorado.

“Ali, na metade de 2018, nós entendemos que, se quiséssemos nos igualar às big techs do mundo, nós precisaríamos disruptar o modo de trabalhar das corporações.”

Bruno Pierobon, CEO da ZUP

Hoje, a ZUP se orgulha de ser uma empresa de consultoria 2.0 que usa os produtos como aceleradores da transformação digital.

Enquanto a consultoria trabalha cultura, mindset e processos, fundamentais para abrir caminho à mudança, atrelado como um time de desenvolvimento altamente engajado, o portfólio de produtos é construído para acelerar essa implementação no dia a dia dos desenvolvedores. Essa visão mais recente que conecta o serviço com os produtos fez, mais uma vez, a ZUP virar a chave. Hoje, a scale-up se orienta a ser cada dia mais Developer Centric, com um roadmap em 2020 focado no desenvolvimento de três novos produtos.

Um deles, por exemplo, facilita a criação de círculos dinâmicos para teste de desenvolvimento. Por meio deles, o desenvolvedor faz a implantação, chamada de deploy, com um grupo pequeno, testando as modificações e os protocolos de segurança sem precisar impactar os 30 milhões de usuários daquele serviço. E após isso, vai rapidamente estendendo esse deploy para novos círculos com mais clientes e usuários.

Dessa forma, a ZUP conecta a mentalidade ágil no desenvolvimento de softwares com a necessidade de segurança e confiança das maiores corporações do país.

Esse movimento foi acelerado pela decisão mais recente da scale-up: transformar todos os seus produtos em Open Source. Assim, por meio do código aberto, ela permite aos desenvolvedores modificarem seus softwares de acordo com suas necessidades, o que contribui com a evolução de todo ecossistema tech brasileiro.

“Vamos ajudar desenvolvedores de startups e das maiores empresas do país com produtos inovadores que melhoram em muito a Developer Experience, possibilitando serem muito mais ágeis conforme as necessidades dessa nova Economia Digital.”

Flávio Zago, VP de Transformação Digital

“Desde o primeiro dia, tudo muda o tempo todo na ZUP.  Nunca fomos obcecados por fazer um único modelo de negócio dar certo. Sempre testamos coisas novas, sem sofrer por escolher uma segunda rota.Nunca fomos apegados aos nossos sucessos e muito menos aos insucessos.Pivotar sempre foi parte da história da ZUP. “

Felipe Almeida, CMO da ZUP

O papel de give back da ZUP ao ecossistema

Ao longo dessa jornada, diversas conexões e mentorias moldaram o mindset dos quatro empreendedores sobre a visão de crescimento, mas também de doação para o ecossistema. Além de serem mentores padrinhos de diversas empresas aceleradas no Scale-Up Endeavor de Minas Gerais e São Paulo, cada um dos empreendedores doa tempo e conhecimento para o ecossistema de formas diferentes.

“A gente já precisou de muita ajuda. E acho interessante que as dores dos empreendedores com quem conversamos são parecidas com as que já tivemos. Com a nossa experiência, conseguimos ajudar.”

Felipe Almeida, CMO da ZUP

Felipe, por exemplo, tem uma agenda aberta para sentar com dois ou três empreendedores toda semana, tanto em mentorias individuais, quanto coletivas. Já Flávio teve uma mentoria coletiva marcada em março com a nova turma do Scale-Up Endeavor Minas Gerais. Gustavo tem participado de vários painéis ajudando startups a desenvolverem melhor suas áreas de RH. Enquanto isso, Bruno é mentor da Liga Empreendedora de Uberlândia.

Agora, entendendo o papel que têm no desenvolvimento regional do ecossistema de tech, os empreendedores vão dar um novo passo. Em 2020, pretendem realizar os primeiros investimentos como anjos de pequenas startups.

“Aprendemos muito com grandes empreendedores e executivos. Além disso, tivemos a oportunidade de ter excelente investidores na Zup. Chegou a hora de devolvermos ainda mais ao ecossistema.”

Gustavo Debs, VP de Cultura e Pessoas da ZUP

A jornada até o M&A

Por atender as maiores corporações do país, a ZUP já tinha se acostumado a ser assediada por outros players estratégicos do segmento para uma possível compra ou fusão. Porém, até então, nenhuma proposta se alinhava com a visão dos empreendedores.

Nos últimos 18 meses, consideraram trazer alguns fundos para o negócio que abrissem caminho para alavancar a estratégia de internacionalização. Até que foram conversar com o Itaú. Em uma reunião sobre novos produtos e a criação de um polo de tecnologia próprio, veio a ideia:

Por que não trazemos a ZUP para dentro?

A cultura de produto e inovação era tão alinhada com os objetivos do Itaú, que eles passaram a enxergar a ZUP como aceleradora dessa transformação interna de mindset.

“Quando sentamos para conversar com eles, entendemos que fazia muito sentido. O Itaú é um dos nossos clientes mais evoluídos na busca pelo mindset certo e teve a humildade de enxergar em uma scale-up potencial para transformar o banco.”

Gustavo Debs, VP de Cultura e Pessoas da ZUP

Deu matching.

O plano de desenvolver produtos Open Source conversava com a visão do Itaú de se transformar em uma big tech e ir além de concorrer com players do setor financeiro.

“Esse era um sonho que sempre almejamos sozinhos, mas estar no Itaú é como estar em um foguete supersônico para chegar lá.”

Flávio Zago, VP de Transformação Digital

Agora, dentro de uma das maiores instituições financeiras do mundo, a ZUP tem um desafio do tamanho de seu sonho. Acelerar o desenvolvimento de uma cultura com mindset ágil e digital não só entre os Zuppers, mas agora do lado de dentro de uma corporação, ao mesmo tempo em que pavimenta o caminho para o Brasil se tornar referência global na produção de tecnologia. Para isso acontecer, uma coisa é certa: não faltará apoio e combustível para a visão se concretizar. A boa notícia para outras grandes empresas é que a Zup continuará trabalhando fortemente com outros clientes ajudando nessa transformação.

“Somos muito grato a todos nossos clientes que nos apoiaram nessa jornada. Sem eles seria impossível.”