Precisamos endereçar a crise de saúde emocional na sociedade

Esse é um conteúdo oferecido por:   Programa Scale-Up Transforma

Rui Brandão
Rui Brandão

Fundador da Zenklub e participante do programa de aceleração Endeavor Transforma.

Dados de pesquisas mostram que empreendedores estão mais sujeitos a sofrerem de transtornos psicológicos. Para mudar essa realidade, é preciso sermos mais vulneráveis.

As aparências enganam. No ecossistema empreendedor, esse ditado é ainda mais verdadeiro. Figuras brilhantes e bem-sucedidas são, muitas vezes, as que mais sofrem. As causas costumam ser fáceis de se apontar: excessos de trabalho e pressão. Mas as soluções para isso tendem a ser bem mais complexas.

Seja como for, daremos um importante passo se reconhecermos que a saúde mental — ou a saúde emocional, termo que prefiro — dos empreendedores for colocada no centro da roda. Precisamos dedicar toda atenção a isso. É hora de levar o assunto a sério, e é hora de agir. Porque os empreendedores que estão à frente dos negócios não costumam considerar os riscos disso na sua vida ou da sua empresa (e colaboradores).

Os fatos estão aí, e são preocupantes

De acordo com uma pesquisa conduzida pelo psiquiatra e psicólogo norte-americano Michael Freeman, é 50% mais provável que empreendedores relatem alguma condição mental, sendo que algumas condições específicas são muito mais prevalentes entre fundadores. Segundo o estudo, esses são os principais riscos que os founders correm:

Sim, são dados assustadores. Mas destaco-os porque não podemos ignorar que há uma crise de saúde mental no ecossistema empreendedor. Somos obcecados com lucro e crescimento, mas isso tem trazido consequências silenciosas catastróficas.

Não à toa temos visto cada vez mais artigos tratando do tema, em sites de referência. Este do TechCrunch, por exemplo, analisa a crise e defende que seja um dever de investidores garantir que o empreendedor esteja bem, equilibrado — até porque o papel dele é liderar uma tribo de pessoas. Esse texto se relaciona com outro, da Forbes, sobre um fundo de Venture Capital de São Francisco – Felicis Ventures – que prometeu investir 1% de todos os dólares investidos para tratamentos terapêuticos para os empreendedores do portfolio.

O mercado tornou-se “emocional”

Essa tomada de consciência sobre a saúde emocional é ainda mais importante no contexto atual. Hoje, o mercado de trabalho é valoriza mais os talentos emocionais  – soft skills, alinhamento com cultura, mindset – do que os chamados hard skills. É natural, praticamente tudo o que fazemos envolve relacionamento seja com buyers, com colegas, com chefes, com investidores etc.

É atentar para isso que faz com que um departamento de RH seja, de fato, estratégico. Temos de priorizar o capital humano! Nenhum gestor pode abrir mão de munir as pessoas com quem trabalha de ferramentas para que possam se desenvolver, se aperfeiçoar. Só que no Brasil, a realidade é outra: de acordo com este artigo do Brazil Journal, apenas 35% das empresas afirmam preferir resolver problemas de talentos em detrimento do acesso a melhores condições financeiras. Na América do Norte, esse número chega a 74%.

Entender o sistema para transformá-lo

Tanto pessoal quanto profissionalmente, eu vivi todo esse cenário de perto. E sempre tive a inquietação de agir para mudá-lo. Até porque, como sou médico de formação, eu logo percebi que o sistema de saúde está totalmente errado: tratamos a doença, quando devemos cuidar da saúde.

O próprio termo “paciente” carrega uma submissão que não faz sentido. Sempre achei que as relações entre as pessoas e os profissionais de saúde poderiam ser mais transparentes, mais acessíveis, menos hierarquizadas. Desde muito jovem eu queria mudar isso – meu propósito era que as pessoas buscassem viver melhor proativamente, e não reativamente.

Pessoalmente, eu vi minha mãe sofrer um burnout. Foi na época em que estava na residência médica de cirurgia vascular. Ela era uma profissional super bem-sucedida, os 3 filhos encaminhados e de repente explodiu. De repente é a forma como preferimos lembrar para não nos culparmos. Os sinais estavam todos lá há meses. Foram os piores anos da vida – não só dela, mas de quem estava em volta dela.

A oportunidade no “mercado invisível”

Isso chamou minha atenção de vez para a questão da saúde emocional. Percebi que, se as pessoas não se prepararem para certos momentos da vida, mesmo que sejam momentos positivos, os riscos à saúde emocional passam a existir. Um exemplo: “se eu não me preparo para assumir uma nova posição na empresa com mais responsabilidade e mais desafios, ou para ser pai por exemplo, é possível que a “transição positiva” não seja assim tão positiva”. Então, como trabalhar isso? Me juntei ao meu sócio José Simões e olhamos para o mercado, mas não encontramos uma “marca de referência”. Os profissionais na área de saúde emocional estão espalhados, é tudo por indicação, o mercado é altamente fragmentado, ou mesmo invisível.

O Zenklub nasceu da percepção de que tudo isso precisa mudar e precisamos lidar com nossas fragilidades. A empresa foi o resultado do nosso encontro com pessoas que acreditam em usar a tecnologia para facilitar o acesso aos melhores especialistas em saúde emocional. E mais ainda: trabalhamos, todo dia, por aquela mudança a que me referi, potencializar a saúde e não tratar a doença.

Queremos tirar os obstáculos do caminho de quem precisa e de quem se quer desenvolver. E os nossos serviços para empresas tornaram-se um braço estratégico muito importante. Com o Zenklub os colaboradores não precisam de pedir indicação ao RH, esperar horário na agenda dos convênios ou deslocarem-se até um consultório. Eles têm acesso a + 150 especialistas no próprio dia do conforto do escritório ou casa.

Desta forma, oferecemos às organizações e aos empreendedores um canal online e acessível pelo qual elas podem responder às necessidades emocionais dos seus colaboradores e de seus gestores. Isso traz benefícios para todos: os colaboradores têm oportunidade de alcançarem seu verdadeiro potencial, os fundadores têm um espaço para lidar com seus próprios desafios emocionais e a empresa só tem a ganhar com isso.