Como as mentorias me ajudaram a conectar visão e execução

Esse é um conteúdo oferecido por:   Empreenda Santander

Leandro Herrera

O que fazer quando você tem infinitas possibilidades pela frente? Aprender com quem já passou por isso e sabe apontar os melhores caminhos.

Lembro como se fosse hoje. Eu tinha 17 anos, ainda estava no terceiro colegial e dava aulas de inglês. Saía da escola de manhã e lecionava à tarde. Eu não sabia nada sobre como ajudar uma pessoa a ganhar uma nova competência ou mudar sua visão de mundo e, no entanto, ali estava — um educador um tanto precoce. Minha aparência de adolescente contrastava com os públicos que eu encontrava em sala de aula: executivos entre 40 e 50 anos, e algumas senhoras, donas de casa, que estavam buscando aprender uma nova língua. Eu queria ensinar, mas não sabia direito como. Fui guiado pela minha intuição e pelos livros didáticos.

Sempre busquei fazer algo que em que eu acreditasse, que mexesse comigo profundamente e estivesse conectado com um propósito – eu só não sabia na época que que isso era empreendedorismo, nem conseguia nomear o meu propósito.

A cidade como plataforma de aprendizagem e conhecimento

Foi então que, aos 21 anos, abri minha primeira empresa: Soul Sampa. Nós usávamos os ativos da cidade para oferecer experiências turísticas, sempre a pé. Criamos roteiros que iam da Paulista ao Centro com um guia cool hunting, ou roteiros de arte de rua com uma artista especializada. Algumas vezes, eu e meu sócio éramos os guias, o que hoje considero uma outra forma de ensinar. Olhando pelo retrovisor, consigo notar como aquela primeira empresa já representava minha inquietação sobre experiências de aprendizado. Na época eu mesmo não tinha clareza disso.

Sempre buscava esse mesmo lugar: transformar organizações e pessoas pela educação

Foram 18 meses incríveis. Mas, do ponto de vista de negócio, não deu certo. Eu estava mais direcionado pela vontade e pelo gosto pessoal, do que pela clareza de onde poderíamos chegar. Eu estava buscando uma paixão, sem um objetivo de negócio claro. Faltava em mim o conhecimento e repertório necessários para empreender. Então, comecei a analisar o mercado e descobri que havia uma vaga na Endeavor, para liderar uma nova área de conteúdo e estratégia digital. Achei a oportunidade perfeita: poderia aprender na melhor organização de apoio a empreendedores do Brasil, e continuar empreendendo só que desta vez dentro de uma instituição.

Meu desafio na organização era imenso: eu tinha que construir uma estratégia digital, criar produto digital, tornar o conteúdo mais acessível e influenciar o surgimento de uma cultura mais empreendedora.

Quando me dei conta, estava novamente trabalhando com educação.

O embrião da Tera

Percebi que estava imerso em educação, e que eu não precisava mais buscar um propósito. Decidi aceitar, então, uma nova jornada, desta vez para ficar bem próximo de empreendedores que eu admirava, e passei quase 2 anos na Geekie — empresa que desenvolve tecnologias para melhoria do ensino básico.

A Geekie foi, para mim, um MBA em educação.

Enquanto trabalhava na Geekie, tive a visão de um novo modelo de educação para adultos, com foco absoluto na experiência do estudante — algo que eu considerava extremamente ruim nas instituições tradicionais. Nessa época, eu já dava aulas no ensino superior, quando me dei conta do cenário em que estava inserido:

A educação de adultos tem dois problemas.

O primeiro é a FORMA e a EXPERIÊNCIA do ensino. Como os adultos podem aprender com uma experiência melhor do que têm hoje? A maioria das instituições replica um modelo de educação que foi herdado do modelo industrial. Em resumo, adultos aprendem como um aluno de 15 anos: um professor na frente e uma sala em silêncio ouvindo — que já está muito errado.

O segundo problema é o CONTEÚDO. O descasamento com o mercado de trabalho é tão grande que, em uma pesquisa realizada pela McKinsey, apenas 36% dos empregadores brasileiros acreditam que os recém-formados têm preparo adequado para os desafios do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, com o avanço da tecnologia, a velocidade de atualização de novas competências aumentou — tornando cursos longos e teóricos algo incompatível com o mundo em que vivemos e com os desafios dos profissionais Ou os cursos são muito longos, de graduação ou pós, ou são super curtos, muito específicos ou mais generalistas como workshops e cursos livres. Minha visão é que deve existir uma nova categoria no mundo da educação, com foco no aperfeiçoamento contínuo — ou, como é conhecido, lifelong learning.

Encontrei, fora do Brasil, uma inspiração no modelo conhecido como Bootcamp. Um formato de ensino que não é generalista do ponto de vista de currículo, focado em uma habilidade específica e sempre com intensidade alta de participação dos estudantes. Ou seja, uma forma de aprender que é mais ativa e centrada na experiência e na ciência de como o adulto aprende melhor.

Assim surgiu a Tera: para buscar alternativas de educação para adultos que sejam conectadas com as habilidades do futuro.

Começamos em 2016 com o bootcamp de Design de Experiência. Antes de começar o curso, validamos muita coisa sobre o modelo de ensino e testamos o fit com o mercado. No começo, nossa experiência durava 10 semanas; hoje, já temos uma opção para quem tem mais disponibilidade ou urgência: uma semana full time. Começamos no Cubo, espaço de inovação e empreendedorismo, no meio do caminho fomos selecionados como residentes do Google for Startups Campus, maior hub de empreendedorismo do Google na América Latina, e de lá fomos para Pinheiros, Berrini, e vamos começar nossa expansão pelo Brasil com a unidade do Rio de Janeiro e Belo Horizonte — em parceria com o WeWork.

Empreenda Santander para escalar o crescimento

Quando fomos selecionados para o Empreenda Santander, nossa equipe tinha sete pessoas. Já contávamos com alguns indicadores de tração e com um NPS alto; conseguimos construir rapidamente uma marca que tem força e reconhecimento na mídia, com participação inclusive no programa Mundo S/A da GloboNews.

Depois da conclusão do primeiro curso, percebi que precisava de sócios. Foi quando o Felipe Fabris e o Claudio Yamaguchi entraram na sociedade. Logo ficou clara a complementaridade: o Claudio contribui com a profundidade em design thinking e os métodos de educação; o Felipe, com capacidade de operação e pragmatismo. Esse é um diferencial fundamental até hoje para nós.

Apesar de não terem começado comigo o negócio, foi durante o Empreenda Santander que os dois se apropriaram como sócios, que se viram como fundadores.

As mentorias do programa foram muito importantes, mas destaco a conexão com o Ari de Sá, nosso padrinho e fundador da ARCO Educação, que abriu capital na bolsa de Nova York ano passado. Ele é um tremendo especialista no negócio da educação, que tem características muito específicas. Até aquele momento, a gente não tinha se relacionado de forma tão próxima com alguém que conhecesse tanto sobre esse tipo de negócio.

Transformando a capacidade de operação e a liderança

As mentorias com o Ari de Sá transformaram, principalmente, a capacidade de operação da Tera. No começo, o nosso número máximo de alunos era 25. Ele olhou para isso e avisou: “se vocês definem 25 como teto, ficam com margem menor de manobra. A média de vocês será 21 ou 22. Isso gera um espaço ocioso, o que faz diferença num negócio de educação”.

O aviso veio acompanhado de uma sugestão: “por que não colocam 30 estudante por turma, no máximo, para manter a experiência de qualidade que vocês oferecem, mas com uma margem maior de manobra? Assim mantêm uma média de 25, que é o que vocês querem”. Essa modelagem de negócio fez muita diferença, porque, depois que promovemos essa mudança, nossa média de estudantes por turma  aumentou, acompanhando também a melhora na avaliação da experiência do aprendizado.

Os encontros foram particularmente transformadores para mim. Como CEO, aprendi muito sobre o papel de liderança e o alinhamento com o time. Sobre o que comunicar e o que não comunicar — uma camada intrínseca, mas que provocou reflexões sobre a minha relação com meus sócios. O Ari propôs um olhar criterioso para nossos OKRs e metas.

Daqui para o futuro

Hoje, depois do programa e do que aprendemos pelo caminho, a nossa visão de futuro nunca esteve tão clara. É fato que as profissões têm sido alteradas pela tecnologia, e que as pessoas precisarão aprender em ciclos curtos e contínuos ao longo da vida. Sendo assim, nós queremos construir uma nova categoria, um novo jeito de oferecer esse aprendizado.

Ao mesmo tempo, entendemos que as pessoas vivem ciclos mais curtos de trabalho, e que as relações profissionais estão mudando: há o trabalho remoto, o trabalho por projeto, contratos flexíveis Além disso, percebemos que as comunidades de aprendizado estão se fortalecendo. Redes de pessoas que se apoiam, que trocam conhecimento de forma fluida, que têm possibilidade de aprendizado peer to peer e que vão evoluindo como comunidades.

É com base nesse cenário que construímos a nossa visão: queremos ser um dos principais hubs de talentos em tecnologia, design e negócios no Brasil. Nosso foco é conectar e desenvolver pessoas com skills de tecnologia, de design e de criatividade para resolver grandes problemas da humanidade.

A comunidade cresce forte

De forma prática, essa visão está sendo concretizada. Em 2019, já temos uma tecnologia de ensino-aprendizagem híbrida, com o nosso próprio produto digital. Já temos também uma visão forte de crescimento descentralizado, usando espaços mais fluidos em várias cidades; e isso é apoiado em uma premissa bem diferente das escolas presenciais. Porque não temos ativos imobilizados em um prédio nosso de cinco andares, por exemplo. Somos fluidos e ágeis.

Nossos números mostram que a comunidade está em forte crescimento. Em 2017, tínhamos 200 estudantes; em 2018, foram mil. E, em 2019, devemos chegar a dois mil alunos. As empresas também estão aderindo: atualmente, 30% de nossos clientes são corporativos — organizações que treinam seus colaboradores para as mudanças que já estão ocorrendo.

Hoje, não tenho dúvidas de que tudo isso tem a ver com aquela minha percepção lá dos 17 anos. Era frustrante não conseguir transformar a visão de mundo de um adulto. Mas eu sabia que isso era possível, e fui descobrindo que a diferença está na experiência de aprendizado, experimentando novos modelos de ensino. É nisso que acredito, e é isso o que nos trouxe até aqui.

Agora, vamos descobrir novos caminhos para levar essa visão adiante — já que a educação é uma jornada para a vida inteira.

Tem interesse em conhecer o Empreenda Santander? As inscrições estão abertas para a nova turma de aceleração do programa. Conheça os critérios e inscreva sua scale-up!

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