Sem saber que era impossível, foi lá e fez: como a IDWall está transformando as relações de confiança na era digital

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Laís Grilletti
Laís Grilletti

Time de Conteúdo

Existem dois tipos de pessoas no mundo. Aquelas que acreditam que os grandes negócios já foram criados. E aquelas que olham ao redor e se perguntam: que problema eu posso resolver?

Nas aulas de história, a professora já sabia: aquela mão levantada no fundo da sala só poderia ser de Lincoln Ando com alguma pergunta difícil de ser respondida. O empreendedor que hoje lidera a IDWall, scale-up que se propõe a acabar com as fraudes de documentos em cadastros pela internet, sempre foi questionador. Essa personalidade inquieta, somada à paixão por computadores, o fez mergulhar no mundo digital desde muito cedo. Aos 12 anos, já aprendia a programar, por influência do irmão que o apresentou a esse Universo. Aos 14, já acumulava no currículo — que nem tinha — o desenvolvimento de websites e servidores de jogos online. E, aos 20, integrou o time do Banco Original, na equipe de arquitetura de soluções.

O convite veio do amigo que conheceu na UNICAMP, Raphael Melo — e que mais tarde viria a ser seu sócio na IDWall. Durante os três anos no Banco Original, Lincoln conheceu de perto a rotina e velocidade de uma instituição financeira, além de se aprofundar nos problemas enfrentados por qualquer banco no Brasil que deseja se digitalizar. A necessidade de inovação esbarra na possibilidade de fraude e no excesso de regulamentação que, somadas, desaceleram qualquer processo ágil. Naquele período, Lincoln se aproximou do universo empreendedor em uma viagem que fez para os Estados Unidos, durante um curso de especialização na área de segurança da informação.

De volta dessa viagem, estava convicto: não trabalharia mais em grandes corporações. Pediu demissão e voltou para casa sem saber qual seria o próximo passo. A única certeza era de que ele iria empreender. Ao lado do amigo Vitor Queiroz, prototipou duas ideias de negócios e as apresentou a uma aceleradora brasileira. O feedback não foi do jeito que esperavam: eles acharam as duas ideias muito ruins, mas gostaram dos dois sócios. Por isso, fizeram uma proposta: chamaram Lincoln e Vitor para gerir uma startup que estava há tempos fora do ar, a VaiVolta. Tratava-se de um marketplace de locação de equipamentos para construção civil, um verdadeiro laboratório para entender o que é ser um empreendedor.

Começando pela regra número 1: o acordo societário. A VaiVolta já tinha 4 sócios, contando com a aceleradora, e ainda absorveu os 3 sócios Lincoln, Vitor e Gustavo. Além dos 7 empreendedores, chegou a receber um investidor-anjo tempos depois e um aporte da 500startups, organização que apostava nos empreendedores e está ao lado deles desde aquele momento.

As relações entre sócios e investidores exigia, na época, um desgaste adicional de energia para definição de governança, que tirava o foco dos empreendedores na validação do produto e do mercado.

“O marketplace ainda não tinha atingido seu Product/Market Fit e nós já marcávamos reunião de conselho”, lembra Lincoln.

Nessa experiência, Lincoln aprendeu que empreender é trocar as rodas com o carro a 200 km/h. O investimento em marketing levou a startup a ter 17 mil clientes e 350 locadoras de equipamentos, com apenas 8 funcionários, um ganho de eficiência fundamental para sustentar o próprio crescimento. O que poucos sabiam é que era justamente a falta de conhecimento de Lincoln sobre o mercado de construção que o fazia entregar o que ninguém esperava.

“Eu não sabia nada sobre construção civil. E isso foi muito bom. O mercado já estava viciado sobre o que era ou não possível de ser feito. Quando eu batia na porta de alguém contando algo novo, eles achavam inadmissível. Mas como eu não era especialista naquele mercado, questionava o modo como as coisas eram feitas até então e apresentava uma solução alternativa.”

Em 2015, quando o marketplace já formava uma base relevante de clientes, Lincoln passou a se conectar profundamente com as mentes mais brilhantes da tecnologia no Innovators Summit, evento no qual atuou como Curador de Conteúdo nas duas primeiras edições e que o ajudou a entender os desafios dos executivos brasileiros em levar o mundo corporativo a um próximo nível.

Em paralelo a essas conexões, crescia nele a vontade de criar um novo negócio. Uma tarde em abril de 2016, Lincoln sentou para conversar com Raphael, antes mesmo do Google Campus inaugurar, numa das mesinhas do espaço. “Começamos tentando responder à seguinte pergunta: Quais são os grandes problemas que param o país hoje?”. Aquela conversa foi abrindo caminho para uma série de ideias surgirem.

Desde o Banco Original, os dois empreendedores tinham vivido de perto o desafio de confirmar a identidade de alguém no momento de abrir uma conta digital. Por ser um processo manual, esse era o grande gargalo que levava um processo de dois minutos demorar alguns dias. O que Lincoln percebeu, durante a conversa, é que esse problema também estava ligado com um dos maiores desafios da VaiVolta: fraude e inadimplência de quem alugava os equipamentos.

A linha-mestra que conectava os dois negócios era a dificuldade de criar relações de confiança na era digital.

O cientista Steven Johnson acredita não existem grandes insights. Revelações que surgem de uma hora para outra, em uma tarde de conversa no Google Campus, por exemplo. Esses insights, para ele, são resultado do atrito entre diversas outras ideias que se combinam e se chocam, por um período de incubação dentro da mente, para se revelarem como breves momentos de iluminação.

Para Lincoln e Raphael, foi exatamente assim que aconteceu. Com um lampejo do que poderia ser o novo negócio, os dois passaram a tarde no Campus pesquisando modelos de negócio americanos e europeus, sem encontrar nenhuma solução focada na América Latina. Descobriram, enfim, que aquele problema tinha um nome: fraude de identidade. No Brasil, ele ia muito além de um desafio isolado de bancos e marketplaces: os empreendedores descobriram que são perdidos R$11 bilhões de reais com documentações falsas usadas em cadastros e abertura de contas. Uma pessoa pode alugar um carro usando documento falso e apagar os rastros depois de roubá-lo. Ou ainda, abrir uma conta no nome de outra pessoa, movimentar por um período, aumentar o limite até pedir um empréstimo e desaparecer do mapa.

As informações descentralizadas e o processamento manual de identificação da fraude tornam esse processo lento, burocrático e pouco eficiente.

No fim daquele dia, os empreendedores já tinham em mãos dados e conclusões suficientes para provar que existia ali um mercado potencial não atendido. No dia seguinte, reuniram-se na casa de Raphael, colocaram no ar uma Landing Page falando sobre o problema e as formas como poderiam solucioná-lo.

Lincoln mandou o site para Rodrigo Dantas, empreendedor da Vindi, perguntando o que ele achava da solução para o mercado financeiro. Minutos depois, ele recebe a resposta:

— Cara, nós precisamos conversar.

Rodrigo acabou se tornando o primeiro cliente da IDWall e, mais tarde, investidor-anjo. Uma semana depois daquela conversa, a startup lançava o MVP com três funcionalidades básicas: validação de CPF, processos e protestos. Dois meses depois, começou a ter os primeiros clientes, além da Vindi.

IDWall hoje

Dois anos depois dos primeiros testes, já são mais de 200 fontes para validar as informações de cadastro de um novo usuário, que centralizam um banco de dados gigantesco. Além do Face Matching que compara automaticamente a foto do documento com a foto tirada pelo celular, a scale-up também oferece uma pontuação de risco que determina a “nota de corte” de um usuário, podendo aprovar ou reprovar um cadastro automaticamente. A necessidade do mercado para uma solução assim era uma demanda tão reprimida que hoje a IDWall atende, além de fintechs, locadores de veículos e bancos digitais, fundos de investimento e grandes empresas em processo de M&A, chegando a centenas de clientes.

O resultado de uma solução que responde a um problema real do mundo é algo que todos os empreendedores anseiam, mas poucos se preparam para viver: o crescimento caótico e acelerado. No ano passado, quando a IDWall participou do programa de aceleração Radar Santander, em parceria com a Endeavor, o time era formado de 11 pessoas. Até o fim de 2018, a expectativa é que esse time chegue a 120. Para manter esse ritmo, o combustível de capital que sustenta o crescimento já soma os R$9 milhões em investimento dos fundos monashees+, Canary.VC Mercado Livre e 500Startups, além do investimento-anjo de nomes como Mario Mello, ex-VP LATAM do PayPal, Daniel Arbix, head of legal do Google e Dorival Dourado, ex-presidente da BoaVista e ex-COO do Serasa.

“Tudo no ambiente de empreendedorismo é caótico. Na maioria das vezes, você não tem o conhecimento, nem as habilidades, mas você tem que correr atrás. Quero olhar para trás, daqui a 20 anos, e perceber que consegui fazer coisas que me assustavam, mas que enfrentei e conquistei”. Para Lincoln, as maiores fontes de aprendizado estão longe dos livros que ele tanto questionava no colégio. “Continuo aprendendo com o erro dos outros e com meus próprios erros, assim permaneço em movimento.”

Conhecer a história da IDWall faz surgir, naturalmente, uma pergunta: Por que as grandes empresas mais interessadas em fraude de identidade não desenvolveram uma solução como essa?

Ao conhecer a fundo, o jeito de pensar dos empreendedores, a resposta parece clara. Existe uma razão pela qual a IDWall não tenha nascido dentro do Serasa, do Banco Original ou da Polícia Federal. Apesar de seus fundadores não serem os mais experientes no mercado, com todos os recursos disponíveis em mãos e um plano estratégico desenhado, foram eles que criaram o ambiente certo para a IDWall surgir.

O espírito questionador que Lincoln e Raphael sempre cultivaram fez a scale-up formada por pessoas tão jovens, longe mesmo de completarem 30 anos, oferecer uma solução de demanda global pela qual diversos negócios ansiavam. Unindo tecnologia com uso inteligente dos dados, eles foram capazes de criar uma organização que está redefinindo as relações de confiança na era digital.