Ressignificando o chocolate: conheça a história da Gold&Ko

Esse é um conteúdo oferecido por:   Programa Scale-Up Alimentos & Bebidas

Laís Grilletti
Laís Grilletti

Time de Conteúdo

Onde estão as melhores ideias de negócio? Embaixo de um problema, atrás de uma inquietação ou no canto escuro de uma oportunidade que ninguém mais viu?

Para alguns, elas estão no desconhecido, naquilo que não está ao alcance dos olhos. Mas, para outros, elas estão bem debaixo do nariz. Os irmãos Gregory e Chantal Goldfinger são um exemplo disso. A vontade de empreender era tanta que eles buscaram as mais diferentes oportunidades: de pet center a cemitério Até que um dia, estudando sobre o mercado, Gregory se deu conta: e se a gente criasse uma nova marca de chocolates?

A resposta do pai foi clara:

— De jeito nenhum. Nós já trabalhamos nessa indústria e já vendemos o negócio. Não tem o porquê voltarmos.

Ele falava com conhecimento de causa. A história da família com chocolates era tão antiga quanto a de seus bisavós. Recém-chegados da Letônia, na década de 1920, o casal Anna e David desembarcaram no Porto de Santos para tentar a vida no Brasil. Na cozinha de casa, com chão de terra batida, Anna passava as madrugadas produzindo docinhos de marzipã, uma receita típica europeia, para que no dia seguinte, bem cedo, David saísse pelas ruas do Brooklin vendendo os produtos. A cobertura de chocolate foi ganhando elogios, vendendo cada vez mais, até que os dois abriram a primeira loja em 1928, que levou o sobrenome da família: Kopenhagen.

A partir dali, a rede cresceu, diversificou os produtos, lançou receitas clássicas e chegou a 100 lojas na década de 1990, quando Gregory e Chantal ainda eram crianças. Na época, o pai, Paulo Goldfinger, era diretor-geral da empresa e chocolate era o negócio da família. Para os dois irmãos, a infância era como um filme do Willy Wonka. Porém, depois da venda da companhia em 1996, a família nunca mais trabalhou com chocolate.

Até Gregory se dar conta de que ali estava uma boa oportunidade.

“Analisando esse mercado, eu percebi que a indústria de chocolate envelheceu. As grandes marcas já têm décadas de existência e não conversam mais com as demandas do novo consumidor. Além de faltar uma oferta clara que insira o bom chocolate no cotidiano das pessoas, a qualidade dos produtos foi suprimida pela força das marcas. Foi aí que nos demos conta: é nosso trabalho reinventar uma categoria que nossa família ajudou a criar, quase 90 anos depois.”

Gregory Goldfinger

A ideia de Gregory, porém, só sairia do papel se o pai aceitasse embarcar nessa jornada também. Sua experiência com produto seria uma habilidade-chave para o negócio prosperar. Foi por essa razão que Chantal e Gregory fizeram a proposta:

— Se nós dois carregarmos o piano, você nos ajuda com o negócio?

Ali os três fizeram um acordo que deu origem à Gold&Ko: Paulo entraria com a expertise de produto, Chantal com as habilidades de comunicação e marketing e Gregory com a gestão e a estratégia.

A paixão por chocolate era herança de família, mas desde o dia 1, empreender era algo novo para Chantal e Gregory. E essa liberdade de criar uma marca própria os fez reinventar o próprio conceito de chocolate.

Hoje, os produtos da Gold&Ko têm uma combinação única: o sabor do chocolate de verdade, com uma receita saudável que tem zero açúcar.

“Chocolate é sinônimo de alegria, de prazer. Nós queremos fazer parte da vida das pessoas como um mimo pessoal para que elas comam livremente, sem contar as calorias da embalagem. Alimentação saudável não precisa ser um chip de coco sem gosto. Por que não pode ser um chocolate?”

Chantal Goldfinger

Você já deve ter encontrado uma das embalagens da Gold&Ko no supermercado. Lembram chocolates antigos de uma época que não vivemos, mas sentimos saudades. São como pedacinhos de felicidade embalados para viagem. O consumo é rápido e não espera por ocasiões especiais. Estão ao alcance de um dia comum, que pode se tornar extraordinário pela festa que fazem na boca.

São, como Chantal e Gregory gostam de dizer, chocolate de verdade.

Conexões que provocam

Com essa proposta de valor, um crescimento médio de 120% no último ano e mais de 150.000 unidades vendidas todo mês, a Gold&Ko foi selecionada para o programa Scale-Up Alimentos & Bebidas, oferecido pelo Santander, Ambev e Nestlé.

“A principal arma do programa são as conexões. No final do dia, todos os problemas, de toda natureza, são resolvidos e melhorados por conexões que fazemos, seja dentro do programa ou por meio dos mentores.”

Gregory Goldfinger

Muitas dessas conexões, antes de falarem de escala, traziam para a mesa questões básicas que fizeram toda a diferença. A começar pelas provocações de Marília Rocca, madrinha da Gold&Ko durante a aceleração. Analisando as embalagens, os pontos de venda e a natureza do produto, logo na primeira conversa ela comentou:

— O produto de vocês é muito bonito, mas eu não sei em que momento consumir.

Os dois irmãos nunca tinham reparado nisso.

— A embalagem é linda, mas ele é feito para dar de presente? Eu compro um só para mim ou levo para alguém? É um mimo especial ou chocolate para comer no dia a dia?

Essas perguntas fizeram os empreendedores se darem conta: o produto tinha uma proposta de valor, mas a marca não traduzia esses atributos. Dessa provocação, nasceu um novo projeto de branding, linguagem e comunicação que busca responder a duas perguntas básicas: quem somos nós e para que viemos?

Nesse processo de autorreflexão, Chantal e Gregory se deram conta de que os atributos do produto estavam suprimidos. Para ampliar seu alcance, passaram também a expandir os pontos de vendas de supermercados e empórios para lojas especializadas em produtos saudáveis e naturais.

Tudo isso fruto de uma provocação.

Ao longo do programa, as mentorias coletivas também trouxeram outros insights. Na conversa com o Empreendedor Endeavor Israel Salmen, da Méliuz, ficou claro que uma revisão de marca da porta para fora teria que se refletir também na cultura interna, da porta para dentro.

“Nosso crescimento foi acontecendo muito rápido e, por isso, nós nunca pensamos com profundidade sobre os pilares internos para atrair e reter os melhores talentos. Nessa mentoria, o Israel explicou que a Méliuz tem guardiões responsáveis pela cultura interna e isso nos inspirou muito a olhar para esse tema com uma visão mais estratégica.”

Chantal Goldfinger

Já a mentoria com Daniel Levy, que compartilhou sua experiência com canais de distribuição na Natura e BRF, validou uma inquietação que os irmãos já tinham há um tempo. Marcas que dependem de distribuidores para chegarem até o consumidor final têm menos controle sobre posicionamento e experiência de consumo. Há tempos, os empreendedores se questionavam se o melhor caminho seria desintermediar a cadeia. Com os insights de Daniel, eles iniciaram um experimento, começando pelo interior de São Paulo, e já estão sentindo resultados expressivos diretamente no PDV.

O que vem pela frente

Quando Chantal e Gregory começaram o negócio em 2016, tudo o que tinham nas mãos era uma vontade de construir um negócio que nascia da paixão por chocolate. Em uma indústria na qual quatro grandes marcas dominam 75% do mercado, eles decidiram arriscar. E mais ainda: reconstruir a categoria por meio de receitas originais que ressignificam nosso consumo de chocolate.

“Se você tem uma boa ideia, vai lá e faz. Por mais competitivo que seja o mercado, como é o nosso, sempre tem espaço para todo mundo, principalmente para quem faz com alma.”

Gregory Goldfinger

Hoje, com as ferramentas e provocações dos mentores que encontraram pelo caminho, eles estão mais preparados para percorrerem essa jornada com impacto relevante por onde passarem.

“Nós temos tanta coisa para construir que vemos esse negócio existindo por 100 anos. Queremos fazer bem feito, mas com calma.”

Chantal Goldfinger