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Cora: uma empresa é uma história

Endeavor Brasil
Endeavor Brasil

A Endeavor é a rede formada pelas empreendedoras e empreendedores à frente das scale-ups que mais crescem no mundo e que são grandes exemplos para o país.

Histórias têm poder. 

São elas que transportam para outros universos que mostram que tudo pode ser completamente diferente. Dão inspiração para resolver problemas, sem criar novos. Ensinam, emocionam, aumentam a régua de ambição e transformam pelo exemplo. 

Nas histórias da Cora, uma revolução acontece.

Porque a jornada do Leo, Igor e Gus é cheia de tropeços, apertos, vitórias, desilusões e acertos. Porque cada palavra toca, molda, fortalece. Nenhuma pessoa sai a mesma depois de ouvi-los contar suas trajetórias. Nem eles mesmos. 

Eles provam que um erro não é o que define uma história. Uma decisão equivocada, que parece definitiva, não é. Há sempre tempo e espaço para fazer diferente e agir com coragem para mudar todo o enredo. 

A história começa com o Igor 

Igor é filho do empreendedorismo. Seu pai nasceu em uma família simples e sem condições, então empreendeu para mudar a sua realidade. “Meu pai quebrou várias vezes, inclusive. Sabe aquele empreendedor raiz? Ele sempre foi um vendedor incrível, conseguia vender qualquer coisa”, conta Igor. 

Aos 14 anos começava a trabalhar com seu pai. Uma escola. Observava cada passo do seu pai e fazia tudo conforme ele mandava. Aos 16 foi emancipado para montar o seu primeiro negócio. Uma loja de roupas e tecidos: o Grupo Moda Mineira. “Aos 14 anos eu fazia tudo do jeito dele. Com o meu negócio, as coisas mudaram um pouco. Queria fazer as coisas do meu jeito e, com isso, a gente começou a brigar demais. Então, ele virou para mim e falou assim: ‘você não sabe tudo? Toca seu negócio sozinho’. Foi difícil, mas aprendi demais”, completa.

Assim se passaram nove anos. 

Só que em um dia de 2003 tudo mudou. 

Um dia, dirigindo para o trabalho, estava me sentindo muito desconfortável. Tinha alguma coisa que não estava boa, mas eu não sabia exatamente o que era. Pensei, pensei, pensei. E aí descobri que não estava bom porque eu não gostava do que eu fazia no trabalho. Não gostava de empreender com o que  empreendia. Estava tocando o negócio do meu pai, não meu”, conta.

Foi um momento a-ha. Ou, como o Igor diz, “nó, entendi”. 

Foi difícil tomar essa decisão e contar para o meu pai. Até porque eram esses negócios que sustentavam a nossa família”, divide. Mas, na hora da conversa, uma surpresa: foi mais fácil do que imaginava. “Meu pai apenas disse: se esse negócio não está bom para você, você tem mais é que achar outro que te complete”. 

Diante da situação tinham três opções: vender, emprestar ou repassar o negócio para alguém. Por alegria do destino, venderam. Isso deu condições para que pudesse estudar um pouco. 

Logo nos primeiros dias num curso de pós graduação em Administração, conheceu uma pessoa que transformaria sua vida: José Eugênio Junqueira Hudson (JE). Ele tinha gostado tanto do Igor que queria que trabalhassem juntos na Telemig. “Ele me disse: não garanto uma vaga, mas consigo uma entrevista”.

Foi para entrevista na parte da manhã e à tarde já estava trabalhando na empresa. “Eu não tinha nem carteira de trabalho, tirei uns dias depois. Hoje, minha carteira de trabalho tem data posterior à data da minha admissão na Telemig”, completa.

Assim passaram dois anos.

Até que, em 2007, o  JE, que já tinha saído da Telemig, o procurou de novo. Ele tinha conhecido dois caras que queriam lançar um projeto, mas só tinham um monte de código escrito. Precisavam de uma pessoa que entendia de negócios. Sabia que essa pessoa seria o Igor. Tinha que ser o Igor.

Em resumo, foi assim que surgiu o Moip. O resto é história”, conta Igor, rindo.

Alguns passos pra trás na linha do tempo

Leo era o menino de ouro. O melhor aluno da sala, um ótimo filho e um amigo dedicado. 

Formou-se em Controle e Automação na UFMG e, durante a graduação, foi aprovado em um estágio concorridíssimo no Texas. Lá, ele se deparou com uma empresa chamada PayPal. Aquilo era quente. Precisava levar para o Brasil. 

E foi isso que ele fez: decidiu que o PayPal brasileiro seria seu projeto de TCC. Dedicou seu tempo para conversar com pessoas, estudar e rascunhar o que seria o código do Moip no futuro, como ainda não sabia programar, chamou um professor da Ciência da Computação para ser seu orientador. 

Quando se formou, em 2006, ganhou um prêmio da UFMG como aluno destaque. Ele recebeu R$ 5 mil como reconhecimento, e isso se tornou o primeiro investimento do Moip. 

O Day1 

Estava definido: iriam criar o PayPal brasileiro. Esse era o objetivo. Nada mais importava. Até que um dia se depararam com algo chamado propósito. Estava ali o primeiro Day1 do Igor e do Leo.

Quando começamos só queríamos ser o PayPal.  Com o passar do tempo, conforme a gente ia conversando e conhecendo mais a realidade de donos e donas de pequenas empresas, me vi ali.  Sentíamos que precisava fazer algo por essas pessoas. A gente  via a vontade, a energia e a disposição delas em fazer os seus negócios irem pra frente. Isso nos motivava também. Decidimos parar de copiar o PayPal. Decidimos construir uma solução para ajudar donas e donos de pequenos negócios a darem certo”, conta Igor.

Depois que escreveram o propósito, tudo fez sentido. 

Propósito, para mim, é sobre dias difíceis. Em dias fáceis você não precisa de nada. Em dias difíceis, você pensa em desistir. Mas, quando lembra do propósito, sabe que não está ali por acaso”, conta. “Propósito ajudou a gente a construir uma empresa e uma sociedade melhor. Porque o empreendedorismo é a mola propulsora para o desenvolvimento de um país”.

Um momento decisivo

Em 2008, precisavam de um investimento para fazer o negócio acontecer. O dinheiro já chegava ao fim  tanto o dinheiro que o Leo ganhou da UFMG, quanto o aporte que o Igor fez quando entrou e precisavam de capital para crescer o negócio.

Porém, o mundo trazia um empecilho. 

Na época, o Lehman Brothers quebrava nos Estados Unidos. “E a gente achava que isso não teria impacto no Brasil. Só achava”, conta.

Um pouco antes desse infortúnio acontecer, Igor estava engajado com um fundo de investimentos. Tinha até um compromisso assinado. No dia combinado, o dinheiro não chegou. Esperaram mais uns dias, nada. Resolveram ligar para o fundo e a resposta foi: “não ficaram sabendo do Lehman Brothers? Não tem mais investimento. Não tem mais nenhum investimento”. 

Precisaram se reinventar para acessar capital naquele momento. Começaram a buscar empresas de pagamentos que atendiam grandes clientes para parcerias. “Queríamos fazer um bem bolado: se aparecesse clientes grandes, a gente indicaria para a empresa. Caso aparecessem clientes pequenos, indicariam para nós”

O plano deu certo: a empresa queria injetar capital no Moip. Mas, não tão certo assim: eles receberam R$ 500 mil reais por 60% da empresa. “Foi uma decisão difícil. Mas, não tínhamos saída. Tivemos que aprender a escalar um negócio a duras penas. Na maioria dos dias, vendíamos o almoço para comprar a janta. O bom é que aprendemos demais”, complementa. 

A chegada do Gus

No Moip, o dinheiro sempre foi contado. Isso fez com que decisões arriscadas fossem tomadas. Uma delas foi não ter uma liderança para a área de Pessoas.

Uma hora, os problemas começaram a chegar. Decisões eram tomadas e contrariavam totalmente o que os Fundadores achavam que era o certo. O time precisava de atenção. Então, a saída foi contratar uma consultoria com foco em Pessoas. “Quem liderava esse projeto era o Gus. Ele resolveu o nosso desafio em tempo recorde. Em três meses, nosso clima era outro”, conta.

A conexão foi tão boa que o Gus continuou em vários projetos no Moip. Quando se deram conta, já eram três anos de parceria. 

Quanta história cabe em um dia?

Chegou uma hora que era preciso mais capital. Porém, nenhuma investidora ou investidor queria apostar em um negócio controlado por uma grande empresa, que era dona de 60% do Moip. 

Como foi ficando cada vez mais difícil, estavam estagnados. Era hora de tomar mais uma decisão: venderiam o Moip para um grupo internacional. 

Eu tinha certeza que continuaria trabalhando o resto da minha vida no Moip, mesmo depois de vender. Tanto que comprei um apartamento a poucos quarteirões de lá”, conta Igor.

Porém, em momentos que a vida pede coragem, é preciso mudar. No dia 15 de maio de 2018, aniversário de 40 anos de Igor, a alta liderança da empresa os procurou para informar uma alteração de rota: iriam parar de atender pequenos negócios e mirariam nos grandes. O oposto do propósito. Mesmo entendendo que aquela decisão poderia fazer sentido para a empresa que havia comprado o Moip, estava claro que não fazia sentido para eles. Decidiram que encerrariam o ciclo no Moip. 

Era maio, combinamos de ficar até dezembro. Mas já no primeiro momento começamos a pensar no que faríamos depois. Uma coisa era certa: iríamos trabalhar para donas e donos de pequenos negócios”, divide.

As conversas decisivas 

Em uma das conversas explanatórias de futuro, o Igor virou para o Leo e disse: 

“— Leo, acho que descobri o que a gente vai fazer. 

No Moip, a gente ajudava pequenas empresas a receber o pagamento, certo? Mas, depois que a gente fazia a intermediação desse dinheiro, ele ia para um banco e a gente não sabia o que acontecia. Perdíamos o controle e a possibilidade de continuar apoiando a dona e o dono dos negócios. 

Além disso, no começo, éramos uma das quatro empresas de pagamento. Agora, são mais de 400. O problema não é mais o pagamento. Mas sim o que vem depois.  

Eu acho que a gente deveria construir um banco focado em pequenos negócios.” 

O Leo apenas respondeu:

“— Igor, você já contou isso pra alguém? Se eu sou a primeira pessoa, você não deveria falar mais sobre isso pra ninguém. Vão achar que você está ficando doido.”

Silêncio na sala. Os dois voltaram para casa pensativos.

No dia seguinte, se reencontraram para conversar. Os dois tinham mudado de opinião, Igor passou a achar coisa de doido. Leo achou genial. Mais um dia indo embora sem concordar.

No terceiro dia, foi a vez do Leo começar: 

“— Igor, você conhece os 17 Objetivos da ONU, certo? Vou te contar sobre dois. 

O 8° fala sobre emprego digno e crescimento econômico. Uma forma de fazer isso é fomentando pequenos negócios. O 9° fala que, se você quiser que esses negócios cresçam, você tem que dar infraestrutura e isso inclui acesso a crédito e a serviços financeiros.

Você quer ver o impacto que o nosso banco poderia ter no Brasil?

Eu fiz uma conta e vi que esse negócio mudaria a dinâmica da indústria financeira no Brasil. Hoje, essa indústria é muito ineficiente. Ela cobra muito e é a mais lucrativa. A gente conseguiria equiparar a qualidade dos negócios financeiros no Brasil com a do mundo inteiro.

No outro lado da equação estão as donas de donos de pequenos negócios. Se, em 10 anos, elas e eles crescerem mais que o normal com nosso apoio, isso mudaria o PIB Nacional.

Então, bora fazer?” 

Igor perdeu as palavras. Só conseguia sentir a euforia do momento.

Juntos, eles perceberam que o Brasil não ia bem. Mas que os dois, ali, naquele momento, tinham condições de melhorar a situação do país. 

Gus volta pra história 

Era oficial: criariam um banco para donas e donos de pequenos negócios. 

Empreendedores em segunda jornada, resolveram fazer uma lista com os principais erros que cometeram no empreendimento anterior. A lista de 46 itens incluía:

O primeiro erro que decidiram evitar foi a contratação de uma liderança de Pessoas. Quem foi a única opção possível? Gus, que chega como membro fundador da Cora, “Chega de consertar culturas quebradas, vamos construir do jeito certo desde o começo!” disse o Gus. 

A Cora 

A Cora nasce em 2019 com uma missão bem definida: ajudar donas e donos de pequenos negócios a crescerem. Hoje, é a principal conta digital PJ, gratuita e feita para facilitar a rotina de quem empreende. Sem burocracia, essas pessoas podem focar no que realmente importa: seu negócio. 

Já são mais de 500 mil contas de empreendedoras e empreendedores para a solução, mais de 400 pessoas diversas no time e U$160M captados para sustentar o crescimento. 

Agora, como Empreendedores Endeavor, o Gus, o Igor e Leo fazem parte da rede de scale-ups que mais crescem no mundo e podem contar com nossas mentoras e mentores para amplificar o sonho grande e acelerar o crescimento do país. 

A Endeavor é  um sonho antigo. Agora, em segunda jornada, estamos prontos para carregar o sobrenome Endeavor. Também queremos contribuir com o crescimento do Brasil, apoiando o empreendedorismo – só que focando em um nicho diferente. A Cora e a Endeavor se complementam, é uma convergência de propósitos”, finaliza Igor. 

Olhar no retrovisor é uma forma de comprovar que erros viram acertos. Desafios viram aprendizados. E que são as histórias que fazem quem somos. 

Nossas empreendedoras e empreendedores de alto impacto, quando contam suas histórias e mostram ao mundo quem são, impedem que quem vem depois cometa os mesmos erros. Permitem que as conquistas sejam de todos. E que o nosso ecossistema cresça exponencialmente.