Acqio: a primeira franquia de maquininhas do país

Laís Grilletti
Laís Grilletti

Time de Conteúdo

Nenhum negócio vem com o mapa. A cada novo passo dado, uma oportunidade se revela. Foi assim na história de Igor, Gustavo e Robson, os fundadores da Acqio.

Imagine que você está diante de um túnel com pouquíssima luz. Talvez só o suficiente para enxergar alguns centímetros à sua frente. Ali, você tem duas alternativas: dar um passo no escuro para enxergar um pouco mais ou dar a volta para seguir pelo caminho claro, conhecido e comum. Dar esse passo exige coragem. Você não sabe a extensão do túnel, o que vai encontrar dali a cinco passos ou, para piorar, se ele vai te levar a algum lugar.

Igor Gatis, Gustavo Danzi e Robson Campos, fundadores da Acqio, decidiram dar esse primeiro passo. Do ponto em que estavam, não era possível ver o mapa completo. Eles precisavam dar um passo depois do outro.

Afinal, quanto mais você anda, mais você vê.

Assim criaram a  Acqio, a primeira franquia de pagamentos eletrônicos de cartão de crédito, focada em microempreendedores. Em cinco anos, já foram mais de 100 mil empreendedores impactados por uma rede de 1.700 franqueados, em um modelo de negócios inédito no segmento.

A jornada que os trouxe até aqui, a partir daquele primeiro passo, nós contamos logo abaixo.

Os três, vindos de cidades e origens diferentes, carregavam dentro de si essa vontade de, um dia, empreender

A veia empreendedora de Robson se manifestou logo criança, mais por necessidade do que por paixão. Aos 9 anos, ainda menino, ele vendia isqueiros na Praça da Sé para ajudar sua família.

Com essa mesma idade, Igor viveu seu  Day1, em meio à quadra do colégio. Enquanto seus amigos tentavam fazer um pirulito alçar voo, Igor se deu conta de que, feito de latinha, o pirocóptero voaria mais alto. Cortou as lâminas, ajustou a aerodinâmica e girou. Funcionou. Na quarta série, ele descobriu: “é isso, vou ser engenheiro”.

Já Gustavo tinha a inspiração de empreender dentro de casa. Mesmo sendo funcionário público, seu pai era dono do próprio negócio, no qual ele mesmo trabalhou por um tempo.

A vida de Robson o levou a trabalhar no setor de tecnologia, mais especificamente com empresas de meios de pagamento. Passou por Mercado Pago, CobreBem e Redecard. Já Gustavo e Igor seguiram caminhos parecidos, ainda que paralelos. Os dois cursaram Ciências da Computação na Universidade de Pernambuco, até receberem propostas para trabalhar em algumas das maiores empresas do mundo.

Igor passou 2 anos trabalhando na Microsoft e seis anos no Google. Já Gustavo passou um tempo na Microsoft, em Seattle, até se deparar com a crise dos cinco: ele continuaria lá por mais 5 anos ou experimentaria algo novo?

Sem ter nenhuma oportunidade à vista, decidiu pedir demissão e voltar para o Brasil. Sua vontade era, de fato, contribuir com uma mudança para o país. Nos 30 dias seguintes, enquanto ainda fazia o fase-out da Microsoft, surgiu a oportunidade de fazer uma consultoria para uma empresa de pagamentos em Recife. Lá, Gustavo conheceu Robson. A habilidade técnica de um e a veia comercial do outro eram bem complementares.

Deu match!

Em meio ao trabalho de campo, os dois começaram a buscar soluções para os problemas que a empresa de pagamentos não era capaz de resolver – e que pudessem originar um novo negócio.

Assim surgiu, em 2013, a ideia de criar um sistema anti-fraude de pagamentos. Aquele era o primeiro passo que os colocava dentro do túnel. Para desenvolver o algoritmo de inteligência artificial, precisariam de ajuda: assim convidaram Igor Gatis a se juntar à empreitada.

Mas quando o primeiro MVP começou a ser construído, os três se deram conta de que era necessário um volume grande de dados para fazê-lo funcionar. Para treinar o modelo matemático que pudesse identificar as fraudes, eles precisariam gerar os dados das transações.

“Então vamos capturar esses dados com a nossa própria maquininha!”, os três concluíram.

Naquele momento, o segundo passo foi dado. O que nasceu como um caminho para geração de dados, acabou se transformando no produto em si. Eles lançaram uma maquininha mais simples, que aceitava apenas duas bandeiras, mas perceberam que a solução ressoava em um mercado que parecia, até então, invisível para as maiores bandeiras do país: o de microempreendedores individuais.

“Chegamos para cuidar de quem ninguém estava cuidando”

Robson Campos, CEO da Acqio

Confeiteiras, mecânicos, padeiros e lojistas já perderam muitas vendas por não aceitar cartão de crédito, especialmente em regiões mais desfavorecidas do país. São mais de 8 milhões de empreendedores que, até 2014, passavam despercebidos pelo mercado tradicional de maquininhas.

Ao se deparar com esse mercado, Igor, Gustavo e Robson decidiram deixar de lado a ideia do sistema anti-fraude para investir nas maquininhas.

No início, o modelo de vendas estava baseado em representação comercial. Mas logo eles perceberam que o modelo não era eficiente. Na maleta do vendedor, iam as maquininhas da Acqio, mas também da Rede, da Cielo e de todos os concorrentes. Não havia exclusividade e, portanto, não fazia diferença a ele vender uma ou outra.

Nesse ponto da jornada, a Acqio deu um novo passo. E foi esse o responsável pelo crescimento acelerado dos últimos cinco anos. Para competir no mercado de maquininhas que começava a se aquecer em 2015, eles franquearam o negócio.

Nasceu assim a primeira franquia de maquininhas do país.

O passo dado para escalar o modelo de negócios levou também a Acqio a ser formadora de novos empreendedores. Empreendedores como Nivaldo.

Por muito tempo, Nivaldo ficou parado em casa. Ele era parte dos 12,6 milhões de desempregados do país. Na Acqio, tornou-se um dos 1.700 franqueados que atendem todas as regiões do país. O valor da franquia é parcelado para torná-la mais acessível. Assim, após uma avaliação de perfil e treinamento, a força de vendas da Acqio ganha mais um empreendedor. Hoje, a renda de Nivaldo, por exemplo, é maior que a aposentadoria de 65% do país.

Com uma maquininha de cartão na mão, Igor, Gustavo e Robson estão aumentando a renda de 100 mil microempreendedores pelo Brasil. Antes da Acqio, mais da metade deles não aceitava cartão de crédito em seu estabelecimento. Hoje, com a maquininha, o faturamento cresceu em 40% por mês. Histórias assim dão voz ao desenvolvimento econômico que os Empreendedores Endeavor podem ter, mesmo nas regiões mais desfavorecidas do Brasil.

Por essa razão, em agosto desse ano, Igor, Gustavo e Robson viajaram até Quito, no Equador, para participar da última etapa do processo seletivo da Endeavor. Em meio à entrevistas, avaliações e provocações de mentores do mund inteiro, os três foram selecionados como os mais novos Empreendedores Endeavor do Brasil.

Pela frente, o túnel ainda pode conter algumas partes mais escuras, mas a visão já é muito mais clara sobre o que desejam construir: o próximo passo é investir no cartão pré-pago para MEIs, além de desenvolver uma conta digital com crédito para os microempreendedores do Brasil.

Afinal, se hoje 100 mil empreendedores pelo país conseguem aumentar sua renda em 40% todo mês, foi porque lá em 2014, cinco anos atrás, Igor, Gustavo e Robson decidiram dar o primeiro passo.