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A grande empresa pode ser uma aliada da sua startup

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A grande empresa pode ser uma aliada da sua startup

*Artigo escrito com a colaboração de Claudio Terra, diretor de inovação do Hospital Israelita Albert Einstein e professor de pós-graduação em Gestão do Conhecimento e Inovação.

A cooperação entre startups e grandes empresas tem se tornado cada vez mais frequente e pode representar uma oportunidade e tanto para o seu negócio.

É comum que o empreendedor, preocupado em fazer crescer o seu negócio, tenha olhos apenas para a sua empresa. Sua atenção está muitas vezes voltada para o produto, o cliente, a equipe, a infraestrutura etc. Contudo, pode ser oportuno, superando a falta de tempo, ampliar o foco e olhar para as grandes empresas do setor. Elas podem reservar uma excelente oportunidade de crescimento e aprimoramento de sua startup.

O primeiro passo para aproveitar essa oportunidade é entender bem por que uma grande empresa pode estar interessada em estabelecer uma cooperação com uma empresa pequena, cheia de fragilidades, que ocupa espaço no mercado do mesmo setor.

O interesse em estar perto das startups é decorrência da dificuldade que, muitas vezes, as grandes empresas têm para inovar. Elas são boas em processos, têm eficientes controles de qualidade, possuem marcas reconhecidas, acesso a capital etc., mas tudo isso que elas fazem tão bem pode dificultar alguns tipos de inovação. Tipicamente, estas não conseguem desenvolver inovações mais radicais ou que questionem seu próprio modelo de negócio. Já as startups, mesmo tendo tantas fragilidades, costumam ter mais agilidade, disposição para investir em tecnologias emergentes e se arriscar em novos mercados ou ainda propor modelos de negócio mais disruptivos. No contexto da inovação, muitas vezes, as grandes empresas e startups se complementam.

Em alguns setores, como o de tecnologia, essa aproximação das grandes empresas em relação às startups já vem de longa data. A novidade, que merece especial atenção dos empreendedores, é a ampliação do fenômeno para outros setores, como saúde, educação e finanças, por exemplo.

Essa tendência vem se fortalecendo ainda mais pela atual exigência de velocidade na inovação. Sempre foi condição de sobrevivência para toda empresa estar atualizada com o seu tempo. A novidade é que agora as mudanças têm ocorrido de forma muito mais rápida, o que obriga a um ritmo ainda mais forte na capacidade de inovar.

Aspectos jurídicos

Não há um contrato típico para reger o relacionamento entre startup e grande empresa. Em alguns casos, pode ser inclusive oportuna a realização, num primeiro momento, de um contrato mais amplo, apto a abrigar posteriores instrumentos jurídicos mais específicos. É importante garantir que o instrumento jurídico a ser elaborado respeite a identidade das duas partes e regule com segurança todos os bens e direitos envolvidos.

É interessante, por exemplo, que o contrato trate dos direitos de propriedade intelectual e industrial envolvidos no relacionamento entre startup e grande empresa, tanto os direitos que cada parte já tinha antes do contrato, como aqueles que surgirão em função da parceria. É também comum que o contrato preveja a confidencialidade das informações que cada parte tomará conhecimento por ocasião da cooperação.

Também é comum estabelecer as regras de uso da marca da grande empresa em associação à da startup. De grande interesse para o empreendedor, que tem na parceria a possibilidade de um fortalecimento da sua marca, a cláusula desperta especial atenção da grande empresa, pelos riscos ao seu nome no mercado. Para maior segurança da empresa, uma solução é estabelecer que o empreendedor solicite autorização a cada uso da marca.

Nos casos em que a relação inclua algum tipo de investimento da grande empresa na startup, o contrato deverá prever as condições que regulam esse aporte, com as regras de resgate, seus prazos etc.

Para a grande empresa, interessa assegurar contratualmente a regularidade administrativa, societária, financeira, contábil e fiscal da startup, com a devida responsabilização do empreendedor em caso de eventuais inadequações.

Também é do interesse da empresa que o contrato garanta o engajamento do empreendedor na startup, evitando, por exemplo, que a boa situação financeira proporcionada pelo crescimento do novo negócio o leve a se afastar da sua gestão ou queira vendê-lo. Para tanto, pode ser oportuno, por exemplo, fixar a cláusula de lock-up, colocando restrições à saída do empreendedor do negócio.

Em contrapartida aos benefícios oferecidos à startup, outra medida comum é a previsão de que a grande empresa compartilhe de resultados econômicos futuros ou, ainda, tenha preferência de compra das ações da startup ou que lhe seja assegurado o direito de ingresso na sociedade, caso seja de seu interesse.

As oportunidades para a startup

No seu relacionamento com a startup, a empresa consolidada do setor dá uma contribuição que não está à venda no mercado. Se a grande empresa se beneficia da capacidade de inovação da startup, esta, por sua vez, vale-se da estrutura e dos relacionamentos da grande empresa.

No setor de saúde, por exemplo, o lançamento de um produto ou serviço exige uma série de validações, comprovações e certificações. Sozinha, a startup pode ter grande dificuldade em vencer todas as etapas, tanto científicas, como regulatórias, além de ter que arcar com todos os custos envolvidos.

A cooperação com uma grande empresa dá-lhe acesso a uma estrutura profissional que a permite percorrer esse trajeto de forma muito mais fácil e segura.

Mesmo o empreendedor mais entusiasmado com sua startup sabe bem das suas fragilidades. É consciente de que falta aperfeiçoar muita coisa até ter algo robusto e sustentável. O relacionamento com a grande empresa, que tem outros patamares de controle de qualidade, pode viabilizar uma significativa melhora do trabalho produzido pela startup.

Além disso, a grande empresa pode ser também uma investidora da startup, sozinha ou em parceria com gestores de fundos de Venture Capital. Nesse aspecto, a grande empresa também amplia a perspectiva da startup. Muitas vezes, aqueles investimentos necessários para o desenvolvimento da startup, que causam tanta apreensão no empreendedor, são valores corriqueiros para a grande empresa.

Atitude proativa

Como medida de aproximação das grandes empresas do seu setor, pode ser oportuno identificar quais delas têm uma área interna de inovação. Em geral, elas também estão em busca de parcerias com startups e têm todo interesse em conhecer as boas ideias que estão nascendo no setor.

Também vale a pena conversar com profissionais que atuam no setor – professores, consultores, etc. – e que podem facilitar o acesso às grandes empresas.

O relacionamento com uma grande empresa é uma oportunidade para a startup, mas também um desafio. O ponto de equilíbrio que deve ser almejado pelo empreendedor é saber aproveitar a estrutura da grande empresa já consolidada, mas sem perder o instinto empreendedor, sua vontade de questionar dogmas e crescer muito rapidamente. Afinal, esse é grande parte do seu diferencial competitivo.

A grande empresa pode ser uma aliada da sua startup

Para se aprofundar, veja também:

Corporate Venture: quando pequenos se associam aos grandes para crescer

Inova MPE: fontes de recursos para inovação tecnológica

Como Construir a Empresa Certa para os Clientes Certos

Ferramenta OKR

*Este artigo é uma parceria de produção entre Endeavor e Sebrae

Correalização:

Logo-Sebrae-SITE (1)

, Giovanini Fº Advogados, Sócio
RENATO GIOVANINI FILHO é advogado e sócio fundador de Giovanini Fº Advogados, escritório de advocacia que atua em M&A e Societário, inclusive Venture Capital e Private Equity, Wealth Planning (abrangente) e contencioso empresarial, familiar patrimonial e tributário.

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1 Comentário

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  1. Stefano Carnevalli - says:

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    O aprendizado é mútuo. Já vivenciei algumas experiências bem sucedidas. Vejo também uma oportunidade para empresas de pequeno porte, pois podem trazer uma startup para operar juntas um processo de inovação. Temos atuado dessa forma também na Sýndreams e conseguindo bons resultados.

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