Scale-ups: conheça as empresas que mais crescem no Brasil

Escaláveis, inovadoras e raras: conheça as Scale-Ups.

O que você sabe sobre as scale-ups? Se a sua resposta foi “quase nada”, já está na hora de saber. Entenda nesse artigo quem são as empresas que mais crescem no país, a partir de um modelo inovador e escalável. 

Com certeza você já ouviu falar em startups, mas e sobre uma tal de scale-up? O termo, pouco conhecido no Brasil, é usado para categorizar algumas organizações que ficam dentro do grupo das empresas de alto crescimento — negócios que crescem pelo menos 20% ao ano, por três anos consecutivos, em número de funcionários ou receita. Mas nem toda empresa de alto crescimento é uma scale-up. Algumas diferenças fazem com que ela se diferencie das demais e receba a definição de scale-up.

Nós, da Endeavor, acreditamos que um dos fatores que mais influenciam na diferenciação de uma scale-up é o modelo de negócio. Ela deve ter um modelo de negócio escalável, ou seja, que consiga ganhar tração ao longo dos anos. Em termos práticos, podemos dizer que são as empresas que conseguem aumentar a sua margem de lucro mais do que o número de funcionários.

Dentro das scale-ups também encontramos um perfil empreendedor bem específico: o de alto impacto. Diferentemente dos demais empreendedores, esse grupo se preocupa com o impacto do seu negócio na sociedade e acredita muito no give back, ou seja, retribuir, de alguma forma, a ajuda que recebeu durante a sua jornada empreendedora. A mentoria é uma das formas mais utilizadas por empreendedores, mas também existe a possibilidade de investir em novas empresas ou até mesmo ajudar em conselhos. Vale lembrar que nem toda scale-up é liderada por um empreendedor de alto impacto. 

As scale-ups representam 0,5% de todas as empresas, mas geram 70% dos novos empregos no país

Mas, voltando um pouco aos números, o Brasil tem cerca de 20 mil scale-ups, 0,5% do total de empresas do país, e apesar disso, elas são responsáveis por quase 70% dos novos empregos gerados. É isso mesmo que você leu: menos de 1% das empresas é responsável por mais da metade dos novos empregos no país. E os números não param por aí, segundo um estudo feito em 2015 pela Endeavor, as scale-ups contratam, em média, 31,3 novos funcionários por ano, sendo que a média do restante das empresas é de apenas 0,34.

Depois de saber tudo isso, que tal entender melhor as características, barreiras e conquistas dessas empresas?

Um raio X das Scale-Ups brasileiras


Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que scale-ups não são apenas grandes empresas. Ao contrário: 92% são pequenas e médias (PMEs). Além disso, as empresas de alto crescimento, em média, são mais jovens que as demais empresas, mas isso não quer dizer que elas sejam novas. No Brasil elas têm, aproximadamente, 13,9 anos. Na prática, é mais comum encontrar empresas com mais de 26 anos de experiência (12,46%) do que aquelas que possuem até 5 anos de mercado (12,29%). Em outras palavras, empresas como o Facebook, que cresceram de forma muito acelerada poucos anos depois da sua criação, são as exceções quando o assunto é scale-up. 

Outro grande mito sobre scale-ups é a crença que elas têm maior presença em setores high tech. As empresas de alto crescimento estão presentes em todos os setores, do varejo à indústria tecnológica, da construção civil aos transportes! E elas também estão espalhadas por todo Brasil. Das 5.000 cidades brasileiras, mais da metade — 2.806, exatamente — são sedes dessas empresas que crescem muito.

60% das scale-ups do país estão presentes em cidades com menos de 500 mil habitantes 

Como podemos ver, as scale-ups não nascem somente em grandes cidades. Na verdade,algumas das maiores densidades de scale-ups encontram-se, por exemplo, em Guarulhos (SP), Jaboatão dos Guararapes (PE), Duque de Caxias (RJ), Aparecida de Goiânia (GO), Camaçari (BA), Ananindeua (PA) e Contagem (MG). Por mais que estar perto de grandes metrópoles ajude seu negócio, o alto crescimento é resultado de vários fatores, desde inovação até a gestão de recursos técnicos e financeiros. E, além disso tudo, existe um fator essencial: a ambição.

Uma pesquisa feita pela Endeavor e pelo Datafolha, com quase mil empreendedores, identificou, em 2016, que os empreendedores que crescem mais e por mais tempo tendem a encarar a crise de forma diferente. A maioria, que não cresce, crê que a crise influencia em 60% dos resultados, e a competência da empresa é responsável pelos outros 40%. Já os que estão crescendo muito, a taxas que superam 40% ao ano, acham o oposto — seus resultados são obtidos majoritariamente pelo esforço da companhia. E a visão de futuro do empreendedor tem uma relação direta com o ritmo de crescimento de suas empresas.

A maioria dos empreendedores brasileiros (46%) espera que, no futuro, suas empresas sejam apenas uma fonte de renda, já os empreendedores de alto crescimento planejam que suas empresas sejam as maiores (52%) e melhores dos seus setores (84%). Além disso, enquanto a maioria dos empreendedores de alto impacto (54,8%) esperava, até o final de 2016, aumentar o número de funcionários, o índice entre outras empresas era de apenas 22%. Os empreendedores de alto crescimento também compartilham mais seus desafios com outros empreendedores e mentores. Segundo a pesquisa de Desafios do Empreendedor, 61% acreditam que mentores os ajudam muito nos desafios da empresa.  Essa mistura de saberes pode fazer com que decisões e estratégias do negócio sejam mais assertivas. Além disso, scale-ups têm, em média, o dobro do número de sócios (2,32) em comparação com a média geral das empresas brasileiras (1,18).

Os sócios e mentores têm um impacto muito positivo nos negócios, mas, para Cássio Spina, eles foram essenciais. Neste artigo, Cássio conta que só obteve sucesso ao abrir sua segunda empresa, a qual iria atuar com uma linha de negócio totalmente nova para e muito mais complexa, porque contou com a ajuda de mentores e conselheiros. A experiência impactou tanto a sua vida que, depois de algum tempo, ele tornou-se mentor “Depois de todas estas experiências positivas, pela importância que percebi dos mentores/conselheiros/advisors e investidores foi que eu acabei me tornando um mentor.” 

E, se você está à procura de um mentor ou sócio, Cássio também separou algumas dicas de como encontrá-los. “Você pode procurar na sua rede de contatos ou usar ferramentas como o Linkedin. Quando encontrar alguém com fit, você deve observar as seguintes características: empatia;  experiência — a pessoa deve  ter uma carreira sólida e com resultados comprovados, bem como experiência em atuar como mentor; relacionamento — um dos grandes valores agregados do mentor é sua rede de contatos; disponibilidade.

Dicas para se tornar uma Scale-Up


Se você acredita que sua empresa tem potencial para se tornar uma scale-up, as dicas abaixo podem ajudar a tornar esse crescimento ainda mais rápido:

  1. Um pouco de experiência nunca é demais: trabalhar em grandes organizações ou dentro de algum setor específico pode agregar uma experiência muito importante na hora de empreender. Segundo um estudo realizado pela Endeavor Global, 70% dos empreendedores de alto crescimento tiveram algum tipo de experiência e afirmaram que o conhecimento adquirido ajudou no crescimento do negócio e também na definição da estrutura organizacional.

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  1. Comece pelo que você conhece: por mais que seja tentador procurar pelo mercado que mais cresce na hora de começar a empreender, na maioria dos casos essa não é a melhor ideia. O filme Joy, que conta a história de uma mulher que cria um produto com base na sua experiência, é um grande exemplo do que estamos falando: comece por algum setor/mercado que você já esteja familiarizado e só depois explore novas áreas. Um estudo realizado em 2011 apontou que 90% das empresas de alto impacto usaram este processo para começar seu negócio.

|Artigo| Comece pelo que você conhece
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  1. Não esteja “amarrado” ao seu plano de negócios: por mais que ter um bom plano de negócios seja essencial, sua empresa não precisa ficar engessada por ele. Em vez de colocar toda sua energia na elaboração do plano, foque no seu modelo de negócio e, claro, esteja sempre disposto a revê-lo. 2/3 dos empreendedores de alto impacto não tiveram, formalmente, um plano de negócios e pelo menos 45% mudaram o seu modelo de negócio pelo menos uma vez.

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  1. Encontre sócios e cofundadores em quem você confie: encontrar alguém que compre seu sonho pode ser uma tarefa desafiadora, mas se você não tiver ao seu lado pessoas em quem confia de olhos fechados, há grandes chances de essa parceria não funcionar. 3/4 dos empreendedores de alto impacto se associaram com pessoas com quem  já tinham trabalhado anteriormente, o que facilitou bastante no quesito confiança.

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  1. Correr riscos só até a página dois: correr riscos, apostar e sonhar grande são características presentes em quase todo empreendedor, mas isso não significa jogar tudo para o alto sem se planejar. É sempre importante ser muito estratégico na hora de escolher quais riscos você vai correr com o seu negócio. 95% dos empreendedores de alto impacto não arriscaram perder seus bens, como casas e apartamento, e 85% se planejaram para dar conta das suas demandas básicas por um ano ou mais antes de empreender.

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  1. Procure fontes de investimento: por mais que o sonho seja seu, isso não quer dizer que só você tem que bancá-lo. Procure o dinheiro de outras pessoas! Podem ser bancos, familiares, fundos de investimento e por aí vai. 94% dos empreendedores de alto impacto procuraram múltiplas formas de financiamento. Se você não sabe ao certo por qual caminho seguir, este artigo, com as principais dúvidas dos empreendedores sobre acesso a capital, pode ajudar.

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  1. Comece pequeno, mas sonhe grande: no começo, foque em fazer sucesso e se consolidar localmente, mas nunca deixe de pensar no seu futuro. 80% dos empreendedores de alto impacto começaram em escala regional e depois expandiram para outros locais. É importante sempre ter em mente um plano de expansão, estudos apontam que as empresas internacionalizadas têm mais chances de se tornarem scale-ups. Sonhar grande faz muito diferença, um estudo realizado em 2016 deixou claro que a percepção dos empreendedores de alto crescimento sobre a crise era totalmente oposta a de outras empresas. Enquanto a maioria dos empreendedores gerais culpavam a crise pela sua falta de crescimento, as scale-ups procuravam pontos de melhoria, pois acreditavam que eram seus próprios gaps que impediam o crescimento. Neste artigo explicamos mais detalhadamente sobre o assunto.

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  1. Criar, testar e lançar: tem uma ideia incrível? Então não espere muito para colocá-la no mercado. A gente sabe que antes de lançar um produto ou serviço é preciso testar hipóteses, validar e ouvir o feedback dos consumidores, mas isso nunca pode se tornar uma barreira dentro do negócio. Agilidade em lançar produtos, corrigir erros e buscar melhorias contínuas são fatores que influenciam seu sucesso. Um estudo da Endeavor Global apontou que 80% dos empreendedores de alto impacto lançaram seu primeiro produto em 6 meses!

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  1. Pequenos insights podem gerar grandes resultados: inovar nem sempre é criar algo do zero. Na verdade, a maioria das inovações é uma adaptação dos produtos e serviços que já existem. E quem melhor do que seus clientes para trazer insights do que pode ser melhorado? Nunca deixe de ouvir feedbacks dos seus consumidores — esse tipo de informação é valiosíssima. 70% dos empreendedores de alto impacto apostaram em inovações “pequenas”.

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  1. Entenda seu fluxo de caixa: não tem jeito, você precisa saber muito bem o que entra e o que sai do seu caixa, além de como o dinheiro circula dentro da sua empresa. Pode parecer algo chato e muito técnico, mas esse conhecimento faz toda a diferença. 70% dos empreendedores de alto impacto tinham um conhecimento detalhado e profundo sobre seu fluxo de caixa. Se este é um desafio para sua empresa, este artigo pode ajudar.

|Artigo| Dicas para ter um Fluxo de caixa completo na empresa

  1. Saiba gerir e engajar pessoas:  ser um bom gestor ajuda não só na hora de vender o sonho ao time, mas também  a escolher quais as melhores estratégias para cada fase do negócio, principalmente nas de crescimento mais acelerado. 73% dos empreendedores de alto impacto acreditavam que tinha boas habilidades de gestão; em outros empreendedores a taxa era de apenas 29%.

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  1. Crescer sem perder a essência: existem diversos formas de expandir o seu negócio.Independentemente de qual você escolher, tenha sempre em mente o core do seu negócio. 57% das scale-ups cresceram expandindo o seu core business e sempre focando em ganhar escala. E aqui vale lembrar que se concentrar no seu core business não deve ser confundidocom não adaptar o seu modelo de negócio às necessidades de um mercado específico.

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|Artigo| Sonhe grande, mas sem perder o foco: as armadilhas do crescimento

  1. Cair e levantar: empreender não é uma tarefa fácil, muitas vezes é preciso ter coragem para enfrentar o que vem pela frente. A forma como os empreendedores encaram o fracasso também influencia muito nas possibilidades da empresa se tornar uma scale-up. A resiliência de que tanto falamos faz com que o empreendedor fique mais forte e aprenda com seus erros.

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Barreiras de crescimento e desafios


Apesar de todos os benefícios que as scale-ups trazem e de seu enorme potencial de crescimento, elas ainda enfrentam grandes desafios. A pesquisa de Desafios Empreendedores 2016 conseguiu mapear os pontos de maior dificuldade das empresas de “alto impacto” – empresas que estão dentro do grupo de alto crescimento.

Segundo a pesquisa, ter um bom time é o primeiro passo para que qualquer negócio cresça e gere impacto, mas a gestão de pessoas é um grande desafio. Para empreendedores de alto impacto, “desenvolver lideranças” é o principal desafio da área. Contratar profissionais e formar um time capacitado são o terceiro e quarto maiores desafios encontrados em gestão de pessoas.

Além da gestão de pessoas, os desafios de marketing e vendas e acesso a créditoinvestimentos são os desafios mais preocupantes para empreendedores de alto impacto,  uma vez que, para quem cresce continuamente, aumentar sua base de clientes e obter recursos para a expansão das operações são prioridades que fazem sentido. Esses desafios são classificados como sendo o maior desafio da empresa por um em cada cinco empreendedores de alto impacto. 

Outra grande dor dos empreendedores de alto impacto é a solidão: 45% dizem que se sentem sozinhos na gestão das suas empresas.

Por mais que 94% das empresas discutam seus dilemas e desafios com outros empreendedores, quanto mais a empresa cresce, menor é o número de pessoas com que o empreendedor pode contar para conversar, com profundidade ,e encontrar respostas para seus dilemas. “O topo é solitário” é uma expressão que se encaixa aqui.

Leia também: “Não me vejam como um topo da pirâmide, mas sim como o centro do círculo”

Além desses desafios, os empreendedores de alto impacto também enfrentam, no Brasil, um ambiente de negócios com muitas barreiras regulatórias e burocracias. De acordo com o Doing Business 2017, o Brasil é o país onde se gasta mais tempo com o cumprimento das obrigações acessórias. Enquanto a média da América Latina é de 342,6 horas, no Brasil são 2.038 horas no ano.

A falta de incentivo em mercado de capitais e os juros exorbitantes também são grandes barreiras ao crescimento das empresas

Se você quiser entender mais sobre o assunto, neste artigo, o time de Políticas Públicas da Endeavor analisa o que é necessário para a simplificação tributária no Brasil e porque esse problema vai além das altas cargas tributáriasEm um sistema tributário eficiente o contribuinte deve ter facilidade na compreensão das regras fiscais bem como no preenchimento das guias e declarações necessárias para o pagamento do imposto devido. Assim, seu tempo e energia podem ser direcionados para atividades que estejam relacionadas ao objeto do negócio, como atendimento ao cliente, busca de novos contratos, relação com empregados. Infelizmente, a realidade brasileira se mostra um pouco mais distante desse modelo.

Para Isaias Coelho, pesquisador do Núcleo de Estudos Fiscais, “a atividade do empreendedor brasileiro enfrenta dois sérios obstáculos de natureza tributária. No Brasil, cabe ao empreendedor calcular e recolher os tributos, além de interpretar a legislação por conta própria. O contribuinte também não conta com orientação clara e temporânea do fisco e acaba tendo que calcular e pagar o imposto assumindo o risco de erro de interpretação. E para piorar a situação, o fisco se reserva ao direito de revisar o pagamento nos cinco anos seguintes e se encontrar, segundo seu entendimento, qualquer insuficiência exigirá o imposto acrescido de multas pesadas e juros.”

Neste artigo, Fábio Knijnik explica mais detalhadamente a realidade brasileira de juros, traçando um paralelo entre Brasil e Estados Unidos. Para ele, faltam agentes financiadores disponíveis e linhas especiais para empresas que estão começando ou em fase de crescimento. Na maioria das vezes, é muito difícil encontrar agentes dispostos a correr o risco com o empreendedor.

Além dessas barreiras, no Brasil não se tem acesso a uma educação empreendedora que seja estratégica e bem conectada nas escolas e universidades, o que impacta diretamente na visão de futuro e ambição dos empreendedores. Segundo a Pesquisa de Universidades 2016, apenas 10% dos empreendedores universitários pretendem ter mais de 25 funcionários em cinco anos. Ou seja, há vontade de crescer, mas não há sonho grande e ambição para criarem grandes empresas no futuro.

A ambição do empreendedor universitário tem que aumentar de proporção. Esses dados só reforçam e agravam uma situação que já havia sido apresentada: na edição passada, em 2014, já era possível constatar que pouquíssimos universitários (e brasileiros) sonhavam grande: apenas 17,4% pretendiam ter mais de 25 funcionários em 5 anos. Outro sinal da baixa ambição do universitário se mostra na inovação de suas empresas, um fator que influencia na probabilidade da empresa se tornar uma scale-up.

Cerca de 70% dos produtos ou serviços criados por universitários empreendedores já existem no mercado nacional, e 17% também já existem no mercado regional. Mesmo entre quem ainda vai abrir uma empresa, os números não se alteram drasticamente: 63% pretendem criar produtos e serviços já existentes no mercado nacional, e 12% já existentes no mercado regional. Ou seja, o universitário brasileiro não possui um perfil disruptivo, de alguém que vai modificar o mercado e seu ecossistema. Do ponto de vista de sugestões de estratégias para empresas de alto crescimento, elas devem estar divididas em 3 níveis: empreendedor, empresa e ambiente externo. Para o empreendedor, o foco deve ser em cultura empreendedora, de forma a aumentar a ambição e a resiliência ao fracasso.

No nível da empresa, foco em melhores práticas gerenciais, abertura para o mercado internacional (exportação e operação em outros países), além de fomentar a inovação em produtos e serviços. Quanto ao ambiente, os desafios são muitos e já conhecidos. Devido ao caráter amplo das empresas de alto crescimento, a influência do ambiente externo sobre elas pode ocorrer em diferentes temas, como ambiente regulatório, acesso a capital, capital humano, entre outros. Cabe lembrar que a solução de problemas no ambiente pode beneficiar todas as empresas brasileiras, não só as scale-ups. Isso reforça a conclusão de que o apoio às empresas de alto crescimento pode ocorrer tanto por meio de iniciativas mais amplas e que contribuam para outros grupos de empresas. Por exemplo, nivelar “o campo e as regras do jogo empresarial” –como por meio de ações específicas para os empreendedores de scale-ups – como ações de mentorias e desenvolvimento de lideranças de alto crescimento. 

Apesar de não haver uma ideia única sobre quais seriam as políticas públicas necessárias para desenvolver scale-ups e considerando que o alto crescimento é um fluxo e que é difícil prever quem vai crescer, quando e por quanto tempo, o objetivo das políticas públicas passa a ser dar os recursos e retirar as barreiras para que as empresas cresçam de forma sustentável e da forma mais eficiente. Para o empreendedor isso significa, por exemplo, que os benefícios alcançados com o cumprimento das imposições regulatórias devem superar os seus custos.

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