O que aprendemos com Guilherme Benchimol, fundador da XP

Endeavor Brasil
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A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Guilherme Benchimol, CEO e fundador da XP Investimentos, trocou aprendizados e compartilhou insights com nossos Empreendedores Endeavor em um bate-papo sobre crise, M&A, IPO e cultura. E nós compartilhamos as lições aprendidas, confira a seguir.

Esse material faz parte de uma série de conteúdos lançados pela Endeavor para ajudar empreendedores a navegarem pela crise. 

1) É possível inovar e encontrar oportunidades na crise. 

Uma crise equivale a uma corrida de F1. Quando começa a chover, os bons pilotos ultrapassam dez carros, o que não é possível em condições normais.

Qualquer crise demanda que os líderes tenham coragem de agir rápido e tomar decisões precisas e ágeis. No caso da XP, assim que o segundo caso de covid foi confirmado no Brasil, a liderança agiu e, em menos de uma semana, 90% das pessoas estavam em home office. 

Não existe treinamento para situações como a que estamos vivendo, mas precisamos aprender a nos adaptar. Hoje, estamos melhor que antes, mais organizados e eficientes.”

Crises também são oportunidades para repensar o modelo atual e considerar inovações. A XP descentralizou e pensou em um novo formato de escritório para gerar qualidade de vida: chamado de “XP de qualquer lugar”, o novo modelo de trabalho propõe que os funcionários trabalhem remotamente, com um ponto de encontro comum, a Villa XP, que ficará no interior de São Paulo, a uma hora da capital.

O objetivo deste modelo é promover bem estar aos funcionários, clientes e parceiros e oferecer momentos únicos de integração, treinamento e inspiração. O que sustentará o plano é a cultura forte e consolidada, com os líderes certos, nas posições certas.

Vamos gerar mais qualidade de vida. Pessoas mais felizes e satisfeitas entregam mais resultados e, além disso, teremos ganho de rentabilidade, já que um aluguel na Faria Lima é muito caro.”

Leia o artigo: Como as empresas podem sair da crise mais fortes

2) Líderes se reinventam. 

Para Benchimol, uma das maiores lições das suas fases difíceis que ele leva é que a cada dois ou três anos é preciso ser um novo executivo e isso demanda uma nova empresa.

Assim, um líder deve aprender a mudar seu estilo de liderança, ser menos centralizador, aprender a delegar, fazer coaching e encontrar as perguntas certas para instigar o time e validar o modelo de negócios.

“Ter uma empresa meritocrática demanda que o líder também seja com ele mesmo. Sendo verdadeiro, o que me deixou a frente da empresa não foi ter começado, foi ter dado certo. Se não, meus outros sócios me convidariam para o banco de reserva.”

Saiba mais com o artigo: Estratégia e liderança na crise

3) Os valores devem ser compartilhados entre a empresa e os colaboradores.

Empreendedores que deram certo buscam pessoas obstinadas e que aprendem rápido. Para a XP, é menos importante o que aprendeu e mais a cabeça aberta para lidar com tantas variáveis desconhecidas.  

Os valores da empresa e do candidato devem ser considerados na hora de uma contratação. “Abra o seu kimono e mostre seus valores. No nosso caso é: sonho grande, mente aberta – conviva bem com o erro e tenha flexibilidade para mudar de opinião – e espírito empreendedor – aponta, falha, mas vai lá e corrige”. 

“Estamos menos preocupados com o currículo. Mas, o quão obstinada a pessoa é e se, independentemente de quantas vezes cair, vai levantar?”

4) Para um M&A de sucesso, é preciso mostrar quem você é.

A premissa de um bom M&A (fusão e aquisição com outra empresa) é que as empresas, culturas e modelos são diferentes. Com mais de 25 M&As realizados nos últimos 12 anos, a XP acumula experiência, as maiores lições foram: 

Abra o kimono e mostre quem é você e sua cultura, é preciso ter química. Um bom negócio intragável é comprar um problema.” 

Dúvidas sobre M&A? Confira o artigo: M&A: mais um caminho para sua empresa crescer

5) A relação com o conselho e investidores é baseada na confiança e comunicação.

Um investidor se torna seu sócio. Por isso, antes de qualquer coisa, uma boa relação pede alinhamento de expectativas e não perder a liberdade. Além disso, mais do que da marca do seu investidor, é preciso gostar da pessoa que está à frente: quem é o CPF, a experiência e o nível de comprometimento.  

Por outro lado, o CNPJ ajuda a trazer melhores práticas, ampliar o networking, nortear os assuntos que você não domina bem. Além disso, também ajuda a montar conselho e ficar mais organizado.  

“Não fechamos com a GA (General Atlantic) pela GA, fechamos porque o Martin Escobari é fora de série, sempre nos fez boas perguntas e nos deu insights diferenciados.”

Dessa forma, os investidores e o conselho se tornam parte integrante da equipe. Por isso, evite gerar assimetria de informação entre os membros, deixe-os na mesma página quando for tomar decisões importantes e compartilhe a opinião com fundamento.

6) IPO é ter uma Ferrari numa estrada enorme.

IPO é ter uma Ferrari numa estrada enorme: o horizonte é longo. Por isso, é preciso ter preparo, se não o risco é grande.

Para fazer a abertura de capital, a empresa deve estar robusta e o empreendedor seguro. Existe abundância de capital no mundo e, por isso, o preço do IPO e do investidor são muito parecidos. A pergunta deve ser: “qual opção é a mais confortável?”.

Você quer realizar aquele sonho grande? Um IPO pode ser o caminho. Leia o artigo.

Mensagem final: com energia imparável, a mágica acontece.        

“Me considero um empreendedor raíz, aquele que sempre acha que dá pra fazer mais e melhor. Acredito que, com essa energia imparável, a mágica acontece. Acredito que dá para fazer algo realmente grande nesse segmento e é isso que buscamos. Pra mim, empreender é atingir metas impossíveis através do seu time.”

Confira o vídeo completo:


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