Máquina do tempo: para onde viajam os maiores empreendedores do Brasil?

Luiz Guilherme Manzano
Luiz Guilherme Manzano

Diretor de Apoio a Empreendedores

De São Francisco a São Luís, de Berlim a Beer’Sheba: cada viagem é uma experiência temporal.

A ideia de viajar no tempo sempre me fascinou, desde pequeno. Talvez ter assistido à trilogia “De volta para o Futuro” tenha incendiado a minha imaginação. Ou talvez tenha sido a vontade de conhecer outras realidades diferentes daquela que já estamos mergulhados.

Foi em uma das minhas viagens mais recentes que me dei conta: a máquina do tempo já existe! Está ao alcance de todos nós, basta sabermos escolher bem o destino. A essa máquina damos o nome de “avião”, mas não se engane. Muito mais do que cruzar oceanos e dar voltas ao mundo, ela nos leva também a viajar pelo tempo.

Cidades como San Francisco, Amsterdã, Tóquio e Tel Aviv são o exemplo de como a tecnologia, as liberdades individuais e a formação e distribuição de riqueza, entre outros aspectos, vão moldar o futuro que todos nós desejamos.

Visitar o Estado de Israel hoje, por exemplo, é como conhecer o Brasil de 2037. Se fizermos bem a nossa lição de casa, o futuro está bem ali diante de nós: um futuro em que o espírito empreendedor é ensinado em casa, o fracasso é visto como parte da jornada e o sonho das pessoas é resolver grandes problemas da humanidade.

A receita para chegar lá, Israel já provou que existe. Cabe a nós visitar esse futuro e aprender com as mentes que ali estão. Mentes brilhantes como a de Shai Agassi, que ficou conhecido pela criação da Better Place, uma startup israelense de carros elétricos que se propôs a resolver o problema da dependência do petróleo para o transporte.

O que torna Shai Agassi um empreendedor serial e resiliente é sua busca incessante por resolver grandes problemas — com uma capacidade única de quebrá-los em problemas menores para resolver em um horizonte de tempo maior.

Uma prática comum dele, por exemplo, é entrar em contato com as pessoas que fazem apresentações de TED que ele considera inovadoras para conversar e entender melhor as pesquisas e os conceitos apresentados, como cada uma delas tem dedicado sua vida a entender e desvendar um grande problema — da física à biologia.

De uma dessas conversas, nasceu um novo negócio a que Agassi está se dedicando. Foi vendo um TED que ele conheceu um cientista que estuda o processo de respiração celular com as mitocôndrias e percebeu que aquele poderia ser um caminho para aumentar a longevidade humana e acabar — por que não? — com a morte por envelhecimento.

Agassi entrou em contato com o cientista, pegou a máquina do tempo, foi encontrá-lo in loco e meses depois se tornaram sócios.

Se Israel é uma espiada no futuro, alguns estados brasileiros mais pobres nos transportam para o fim do período feudal. Uma compressão de 10 séculos convivendo a poucos quilômetros de distância que colocaria qualquer teoria da relatividade à prova. Nessas regiões, o conhecimento não é acessível, as estruturas sociais são mais conservadoras e a inovação ainda não tem espaço. Está aí a nossa oportunidade: acelerar o progresso e diminuir essa distância no tempo, seja criando novos negócios seja dando oportunidades para a formação de pessoas, mercados e cidades inteiras.

Os primeiros passageiros

O que parece novidade já é uma verdade para muitos empreendedores. De passagem nas mãos e mochila nas costas, tornaram-se viajante do tempo!

Durante o Scale-Up Summit, por exemplo, Thomaz Srougi, do dr.consulta, e André Street, da Stone, compartilharam no palco como viajar é, para eles, uma grande fonte de inspiração e aprendizado. Nos últimos seis anos, Thomaz visita San Francisco, na Califórnia, a cada três meses para “se atualizar”. Ou seja, para acompanhar a velocidade de transformação do futuro — e se preparar para a sua chegada. Já André montou a governança da Stone de tal maneira que consiga trazer de fora novos conceitos e boas práticas ao negócio, como fez no atendimento inspirado em uma empresa de sapatos e no estilo de liderança que viu nos grupos de elite do exército americano.

De tênis e calça jeans, eles passam despercebidos pela maioria. Mas, no fundo, são eles que diminuem a distância entre o nosso país e o futuro!

Os dois são aprendizes da cultura “Ambev”, construída por alguns dos maiores viajantes do tempo da nossa era: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. As visitas a Sam Walton, Jack Welch, Warren Buffett, entre outros, eram todas viagens no tempo disfarçadas de “benchmarks”. Já o velho lema “copiar é a melhor invenção” foi durante muitos anos uma bela cortina de fumaça que não deixava as pessoas perceberem que no fundo eles estavam mesmo era viajando no tempo.

Agora, com essa informação em mãos, não hesite na sua próxima viagem. Em vez de escolher um destino parecido com a sua realidade, aproveite a viagem para conhecer as diversas camadas do passado e do futuro que convivem no nosso planeta. Da Índia à Holanda. Da África do Sul ao Japão.

Para que você traga na bagagem histórias e ferramentas que transformem a realidade e mudem completamente o futuro ao seu redor.

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