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Como construir uma Máquina de Talentos dentro das empresas com base na Geração TX?

Alexandre Bazzi
Alexandre Bazzi

Alexandre Bazzi é Mentor Endeavor e CRO da Skore

Por muito tempo, pessoas que trabalham em empresas viveram uma dinâmica bem específica: elas precisavam se adaptar ao ambiente e correr atrás de atualizações para se manter no mercado. 

Com a revolução tecnológica acelerada, as empresas começaram a correr atrás de profissionais e fazer investimentos contínuos no seu aprimoramento. Só que existe uma grande dificuldade: como encontrar talentos no mercado.

Não é novidade que muitos dos empregos mais manuais vão desaparecer. A grande mudança, no entanto, vem da forma como as empresas vão investir nas novas vagas que vão surgir a partir dessa mecanização. Pense nisso: para cada emprego que é mais manual, 2.7 novos empregos serão gerados. Essas novas vagas de trabalho terão habilidades que a gente ainda não está preparado para desempenhar, que as escolas nem sonham em abordar e as faculdades ainda não estão prontas para educar. 

O contexto em que vivemos é de uma mudança nas empresas para que elas assumam essa responsabilidade de formar profissionais para que o negócio continue crescendo. 

Porém, o grande limitador de crescimento de uma empresa é ter talentos certos.

Hoje, esse papel invertido das empresas correrem atrás dos melhores talentos e oferecer oportunidades de trabalho e desenvolvimento molda uma nova geração, chamada de generation TX.

TX é a sigla para talent experience (experiência de talentos). 

Ter essa a visão da Geração TX, além de atrair novos talentos que, de fato, sejam extremamente compatíveis com o negócio, diminui a curva de turnover – que é a taxa de rotatividade dentro de uma empresa -, diminuindo os custos com a abertura de processos seletivos e acordos demissionais.

Em um artigo publicado na Forbes, Paula Morgan explica que o custo para substituir um funcionário assalariado é, em média, entre seis e nove meses do salário. Por exemplo, se a pessoa ganha US$ 60.000 por ano, isso significa que custará aproximadamente de US$ 30.000 a 45.000 para recrutar e treinar um substituto. Outros estudos estimaram que esse número é muito mais alto, possivelmente até duas vezes seu salário anual.

Como construir uma Máquina de Talentos com base na Geração TX?

Ao levar em consideração essa nova dinâmica, desenvolvi o conceito da Máquina de Talentos, uma abordagem processual e científica focada em melhorar e otimizar toda a jornada das pessoas dentro da organização. Isso faz parte de um nível de maturidade no desenvolvimento do profissional, onde aprende coisas novas e consegue implementar isso de imediato dentro do negócio. 

Máquina de Talentos é um ciclo contínuo de aprendizagem-implementação.

O que vejo como oportunidade para as empresas é a possibilidade de aproveitar este momento para se investir em pessoas que, de fato, tragam um maior retorno para a empresa. E o investimento não é só com cursos e treinamentos, mas sim de entender as reais necessidades para que a pessoa possa continuar em constante desenvolvimento e evolução diante do mercado, concorrência e novas tecnologias.

Muito desse trabalho já vem sendo aplicado por algumas empresas que se tornam as queridinhas do público. Uma delas é a Ambev que, conforme nos contou Rebeca Guenka, especialista corporativa de aprendizagem e desenvolvimento, mudou a forma como realiza o processo seletivo e entendeu a necessidade de se investir no recrutamento, retenção e capacitação, além de oferecer oportunidades equitativas para todos.

A seleção de talentos da Ambev conta com o auxílio de tecnologia para tornar os processos mais ágeis para a companhia, e democrático para as pessoas, com foco em sua experiência. 

Os testes de processos seletivos foram substituídos por games de competência, que focam muito mais na lógica fluida das pessoas, do que por exemplo, na matemática ou na obrigatoriedade no conhecimento da língua inglesa.

A Ambev também entendeu que esse era o momento de se adequar às novas necessidades de colaboradores. A companhia reformulou a Universidade Ambev e criou uma plataforma única e colaborativa de aprendizado, a Ambev On, em que é utilizada a Skore. 

Rebeca ressaltou que a Ambev está passando por uma mudança de cultura e da maneira como enxerga o seu negócio. Além de oferecer os treinamentos já utilizados, a Ambev On permitirá que colaboradores e o público externo acessem conhecimentos variados que ajudam o desenvolvimento profissional de cada um. 

Quando esse tipo de investimento é feito pensando nas pessoas, o retorno é quase imediato. Guenka relembra do festival “On My Journey”, que lançou a Ambev On e garantiu um aumento da adesão aos treinamentos, diretores estimulando a participação em jornadas e, inclusive, participando dessas jornadas.

Agora, o poder está nas mãos das pessoas. As empresas precisam mudar o mindset para trabalhar com esse novo cenário e oferecer oportunidades para que colaboradores entendam a sua importância dentro do ambiente de trabalho.