Internacionalização: muito além das fronteiras do Brasil

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Internacionalização: quando, por que e como explorar novos horizontes.

É fato: apesar dos tempos turbulentos e do dólar oscilante, cada vez mais empresas brasileiras têm tentado se aventurar em mercados estrangeiros. Basta uma rápida pesquisa nos noticiários para constatar que, seja em busca de novos mercados ou de novas tecnologias, cada vez mais empreendedores arrumam suas malas e partem rumo ao exterior. Esta notícia do jornal O Globo, que aponta um crescimento na internacionalização das multinacionais brasileiras de mais 50% de 2010 para 2015, é prova disso.

 Mas o que significa exatamente a internacionalização?

Em resumo, é o processo que leva uma empresa a estabelecer relações de negócios além das fronteiras do país em que atua. Essas relações podem acontecer tanto por meio de exportações de produtos ou serviços quanto de importações de matérias-primas, tecnologias e outros insumos.

Caso você esteja considerando ampliar os horizontes da sua empresa, é importante saber que o processo requer muito estudo e muita análise.

 Antes de mais nada, você deve se assegurar de que seus negócios estejam em ordem e que seu produto ou serviço já esteja consolidado, com um mercado consumidor bem delineado. A seguir, certifique-se de que a sua empresa tenha capital de giro suficiente para aguentar a aventura sem entrar em crise. Já imaginou levar sua empresa para fora e ficar sem dinheiro para operar? Ninguém quer isso, por isso, a chave é planejamento.

 Após realizar as etapas acima, chega o momento de descobrir qual o melhor modelo de internacionalização para a sua empresa. Isso mesmo, existe mais de um modelo para internacionalizar um negócio. Aqui, falaremos mais sobre essas formas que vão fazer seu negócio ultrapassar fronteiras.

  1. Comprar uma pequena empresa para entrar nos EUA faz sentido?

 Os Estados Unidos têm sido um dos principais destinos de empreendedores brasileiros, e não é para menos: há muito mercado a ser explorado por lá. Na verdade, adquirir um pequeno negócio local pode ser uma estratégia eficaz de internacionalização para sua empresa. Afinal, você contaria com bases já estruturadas e com o expertise de equipes locais, além de carteiras de clientes e, em alguns casos, marcas já fortalecidas.

Mas, como toda estratégia, alguns cuidados são indispensáveis. Não importa se a empresa adquirida é micro ou pequena, o fato de assumi-la não significa que você conseguirá impor sua cultura organizacional facilmente. Isso não se muda de um dia para o outro.

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Neste vídeo, Jack Welch, CEO da General Electric por 20 anos, dá o caminho das pedras para se manter a cultura forte quando se parte para a internacionalização. Tem a ver com a criação de modelos. Segundo ele, a diferenciação em novos mercados deve ocorrer sempre de acordo com o mesmo padrão.

“É preciso repetir a sua mensagem, até engasgar. A visão e os valores que levam a ela têm que ser articulados repetidamente. Nas suas reuniões internas, por exemplo, os funcionários-modelo devem ser apresentados e destacados”.

Claro, trata-se da GE, uma companhia gigantesca, mas diversos outros exemplos mostram como esse aprendizado vale para empresas de todos os tamanhos.

 2. Minha empresa fornece serviços. Como moldar o processo de internacionalização?

 Neste caso, alguns cuidados também são fundamentais. A primeira dica é que você construa a confiança em cada novo mercado localmente.De acordo com este artigo de David Kerpen, CEO da startup de softwares australiana Likeable Local,os consumidores tendem a preferir marcas que forneçam serviços adaptados regionalmente e que correspondam às suas necessidades. Ou seja, você não pode abrir mão de conhecer as particularidades do mercado em que pretende atuar.

 Leia também: Que pontos avaliar antes de internacionalizar

Trata-se do processo de “localização”, que tem o sentido de “tornar local”: uma aproximação multifacetada de um mercado específico, o que requer tempo, desenvolvimento e suporte. Partindo da experiência da própria empresa que se “localizou” em várias cidades do mundo, Kerpen compartilha um passo-a-passo:

3. E modelo de spin-off? Faz sentido?

 Pois é, são cada vez mais frequentes os casos de spin-offs no mundo do empreendedorismo. Vale retomar o conceito: tratam-se de produtos ou serviços que, graças a um sucesso repentino e inesperado, tornam-se pontos de atração para aporte de altos valores. E que, em consequência, transformam-se nas “meninas dos olhos” de uma empresa. Ou seja, os produtos-destaques da organização que acabam dando origem a outras empresas.

 No caso da internacionalização, o spin-off serve principalmente às transferências de alta tecnologia e à identificação de oportunidades. Um exemplo é o que ocorreu com a empresa de mobile marketing Pontomobi, que criou o spin-off da Hands, sua ferramenta de mobile adnetwork. A ideia de internacionalizar inspirou esse movimento.

De acordo com João Carvalho, um dos sócios da empresa, “há um espaço claro para estendermos nossa atuação para outros países da América Latina, já que a lógica de operação de mídia é bastante escalável e replicável”. Se você tem um produto com potencial de spin-off e também identificou oportunidades semelhantes, vale considerar esse modelo.

 Confiança no negócio e planejamento: como a Tempest se internacionalizou

 Se você conhece o mercado de cibersegurança e combate a fraudes digitais, provavelmente já ouviu falar na Tempest. Após 15 anos de atuação, a empresa se tornou referência em consultorias, managed security services, threat intelligence e soluções inovadoras de segurança. O modelo deu tão certo que, em dado momento, os gestores perceberam que essas soluções podiam competir globalmente. Então, resolveram ampliar os horizontes.

 Naquele momento havia três possibilidades: Estados Unidos, Ásia e Europa. Embora se trate do maior mercado do mundo, abrir um negócio nos EUA “exigia muita bala na agulha”, de acordo com o CEO Cristiano Lincoln. Já a ida para a Ásia esbarrava em “questões logísticas, como fuso-horário e língua”.

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Escolheram a Europa. Londres, mais especificamente. Para viabilizar o processo, contrataram uma executiva local e enviaram uma pessoa com background técnico para auxiliar na operação. A entrega técnica seria realizada a partir do Brasil, mas a operação ficaria toda a cargo da equipe londrina.  E o movimento se provou certeiro.

“Hoje, a unidade de negócio de Londres responde por 15% da receita da Tempest”, afirma Lincoln. Entre os clientes da empresa, estão nomes de peso como The Economist, BBC, The Guardian e Tesco.

 Essas foram algumas dicas e exemplos importantes sobre internacionalização. No final, é aquela história: antena acionada para as oportunidades e planejamento acima de tudo. Quem sabe, no futuro, sua empresa também não vire um case inspirador?