Empreender a empresa, a sociedade e o país: como gerar impacto para além do negócio

Endeavor Brasil
Endeavor Brasil

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Nesse painel do Scale-Up Summit 2018, a embaixadora Endeavor Gabriela Baumgart conversa com Estevan Sartoreli, da Dengo, Ronaldo Pereira, da Óticas Carol e Topázio Neto, da Flex Gestão de Relacionamentos sobre o impacto de um negócio que vai além do crescimento.

Empreendedores já causam impacto por si só: são eles os maiores responsáveis por gerar empregos, riqueza, inovação, e por movimentar a economia. Mas quando impacto social é a essência do negócio, a missão fica ainda mais especial — não apenas para o líder da empresa, como também para o time e todas as pessoas envolvidas em um propósito maior.

O compromisso com a transformação toma várias formas, e negócios sociais têm desafios particulares. Logo, seus fundadores também.

Veja que ferramentas utilizaram e ainda utilizam os empreendedores das Óticas Carol, da Dengo e da Flex Gestão de Relacionamentos para garantir a sustentabilidade de suas realizações e casar impacto com alto crescimento.

“Quando você começa qualquer coisa, tem que saber onde quer chegar.”

Topázio Neto

Não se trata de filantropia

As empresas do nosso século, para perdurarem, precisam ter um compromisso destacado com o impacto ambiental e social.

Apesar de não se concentrar em geração de receita, muitos negócios de impacto social esquecem que ela é fator essencial para a sustentabilidade do que se está realizando. É simples assim: sem meios para garantir a sobrevivência do negócio, o impacto também morre.

“A palavra ‘negócio’ vem antes porque é fundamental gerar lucro, distribuir riqueza…”, afirma Estevan Sartoreli, que aponta a diferença fundamental dos negócios sociais: “o compromisso ou a centralidade que se traz a um problema.”

Ainda assim, ele acredita que todas os empreendedores devem se atentar a um propósito que seja compartilhado.

Até pra fazer o bem, é preciso medir resultado: como mensurar o impacto que você gera?

Começamos pelas métricas tradicionais: tenha um pacote básico de questões operacionais que ditam a saudabilidade do negócio de impacto social, como indicadores financeiros, ticket médio, engajamento, satisfação e outros, e mantenha tudo em um painel que seja fácil de acompanhar.

Além disso, dois mecanismos prometem ser bastante úteis:

  1. A avaliação de impacto do Sistema B: disponível gratuitamente, por meio de uma série de perguntas, ela o orienta a compreender o que é preciso para construir um negócio melhor para os seus trabalhadores, comunidade e meio ambiente. Além disso, a análise compara sua empresa a outras respondentes e permite identificar pontos em que já se destaca e em quais práticas ela poderia melhorar. Também estão acessíveis guias para ajudar na implementação de planos de ação.
  2. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: dos 17 objetivos listados, quais estão mais próximos da causa por trás do seu negócio? Cada um conta com metas — são 169 no total —, que são desdobradas em 231 indicadores globais. Há, portanto, uma estrutura disponível para a gestão dos resultados das ações que se pretende tomar rumo ao seu impacto.

Independentemente de ter ou não conclusões sobre a utilidade dessas medições, é importante começar a recolher dados o quanto antes.

Engajar pela causa e pelos números

Quanto maior é o potencial de impacto, maior é o potencial de retorno financeiro — afinal, como já dito aqui, um negócio social continua sendo um negócio. No entanto, não é simples convencer qualquer investidor disso, na hora de aprovar um projeto com esse objetivo.

Foi esse um dos desafios enfrentado por Ronaldo Pereira quando quis criar o Pequenos Olhares, um projeto voltado para crianças de escola pública, em que um óculos de grau de R$300 pudessem ser oferecido por 10 parcelas de R$ 4,90.

“É óbvio que não dá para colocar uma linha em um P&L avaliado por um fundo de private equity, dizendo que vai gastar não sei quanto, porque não vai passar”, ele explica. Para convencê-los, foi preciso provar, com números, todos os meios pelos quais aquela iniciativa poderia gerar valor para a Óticas Carol — fosse pelo potencial de marketing e geração de mídia espontânea ou pela possibilidade de atrair novos mercados, por exemplo, atendendo as famílias das crianças.

O que investidores avaliam em um negócio de impacto social?

De acordo com a organização Artemisia, são três pontos que demonstram seu potencial de escala:

  1. a capacidade de produzir e entregar um produto ou serviço que atenda a uma necessidade crítica das pessoas de baixa renda. Esse produto ou serviço deve ser economicamente melhor ou criar mais impacto social do que o que já está disponível no mercado ou por meio de doações;
  2. seu modelo de negócio deve ser claro e demonstrar capacidade de gerar receita operacional e de cobrir seus custos operacionais em um período de tempo razoável (alguns fundos trabalham com o prazo de, no máximo, cinco anos);
  3. a demonstração de uma estratégia clara para seu produto ou serviço ganhar escala e atingir milhares de pessoas – os consumidores finais de baixa renda – e para que o negócio se posicione como um líder de mercado no setor em que atua.