De empreendedor a executivo: como fazer a transição sem perder o olhar estratégico?

Endeavor Brasil
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A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Nesse painel do Scale-Up Summit 2018, Anderson Thees, da Redpoint e.ventures, Jae Ho Lee, do Grupo Ornatus, Fred Wagner, da Track & Field e Ricardo Ermírio de Moraes, da Natural One falam sobre as responsabilidades do empreendedor que sai da operação para assumir um olhar de conselheiro, sem se distanciar do negócio.

Quando um empreendedor deixa a posição de liderança da empresa que fundou, é comum que isso seja encarado como um tabu — muitas vezes, associado a uma falha, a incapacidade ou à aposentadoria. A realidade da maioria dos casos de sucesso, no entanto, é bem diferente: representa uma oportunidade de renovação. Um olhar para o futuro.

“Conforme empresa vai crescendo, você vai acumulando muito o papel de executivo e às vezes você perde um pouco a energia empreendedora por conta disso”, conta Fred Wagner. É quando o fundador precisa olhar também para si: estou sendo o melhor líder para o meu negócio?

É claro que a decisão de buscar um novo CEO não é fácil. Requer maturidade, sabedoria e desprendimento para reconhecer que a velocidade de crescimento pode ser ainda maior do que a que você entrega. Conheça três fundadores que passaram por esse processo.

O desafio de dar espaço

Você criou o negócio, formou time, criou sistemas, foi atrás de clientes e viu tudo tomando forma, mas chegou a hora de entregar a responsabilidade para outras pessoas. O vínculo emocional é inegável, então como se abster daquele desejo de interferir quando algo não é feito da mesma maneira que você faria?

O primeiro passo é se afastar — nem que seja aos poucos. Nada de manter uma sala ou espaço cativo no escritório. Mas atenção: isso não significa deixar de saber o que acontece na empresa, e sim se esforçar para inspirar, capacitar e dar condições de trabalho de longe, criando mecanismos para que os pontos de contato sejam restritos e focados em alinhamento e troca de conhecimento.

“Tem que dar oxigênio para a nova geração, dar espaço e tempo. Até avião para decolar dá uma barrigada para atingir a altitude necessária”, explica Jae Ho Lee, que acabou se surpreendendo com os resultados dessa decisão: “Eles têm feito muito melhor do que eu teria feito.”

O dono tem que ter olho e nariz no negócio, mas não pode pôr o dedo.

Jae Ho Lee

Um conselho que dê suporte

Formado o corpo executivo que vai levar o negócio para o próximo nível? Excelente. Agora como escolher as pessoas que vão apoiar a distância, junto aos fundadores, o cumprimento desse objetivo?

Um conselho tem o papel de oferecer um olhar estratégico, embasado, com uma diversidade de contextos e pontos de vista que podem oferecer às lideranças diferentes insumos para a tomada de decisão e, eventualmente (no caso de um conselho administrativo em que participam acionistas com esse poder), votar essas decisões.

Quando empreendedores passam por um processo de transição e se tornam presidentes de conselho, é fundamental saber como montar e guiar esse comitê.

Que critérios utilizar para selecionar seus conselheiros — sejam eles consultivos ou administrativos?

Para começar, é importante garantir que eles estejam em função do negócio e sejam complementares entre si.

Ricardo Ermírio de Moraes compartilha que, na Natural One, o grupo é composto por ele e mais quatro pessoas: duas do fundo acionista e duas externas — uma convidada para contribuir com ideias para construção de marca, por conta de sua vivência como empreendedor e compreensão do mercado brasileiro; outra, por sua experiência no exterior, visto que a empresa tem planos de expandir internacionalmente.

Da mesma forma, Fred Wagner diz que, nesse processo de formação, serão levadas em conta iniciativas definidas em planejamento estratégico sobre os quais membros atuais do conselho tenham menos domínio. Assim, novos integrantes poderão preencher lacunas de conhecimento.

Além disso, é fundamental que todos estejam alinhados ao negócio em questão de valores, que tenham empatia e satisfação em trabalharem para a construção de uma história em conjunto.

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