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Confiance: sonho que se sonha junto é realidade

Cristiano Brega
Cristiano Brega

Empreendedor Endeavor e CEO da Confiance Medical Produtos Médicos S/A.

Hoje, começo esse artigo com uma história sobre sincronicidade. Sobre um sonho que se tornou realidade.

Depois de muito tempo, eu iria, enfim, encontrar meu amigo Difre para tomar uma cerveja. Antes do encontro, ele me disse: 

“— Essa vai ser a cerveja mais saborosa de todos os tempos, igual naquele filme do presídio.”

Ele se referia a uma cena do filme Um Sonho de Liberdade, em que o Red, o personagem principal, recebe uma cerveja de recompensa e dá para os seus amigos presidiários, que estão há anos sem provar o sabor de uma cerveja. 

E ele disse isso sem saber que é um filme muito importante para mim. Eu sempre comparo essa cena com a minha história empreendedora. A cada conquista dos Confiantes, me sinto o próprio Red observando seus amigos celebrando a cerveja. 

Fico quieto, pensando no quanto é gratificante compartilhar o sonho com as pessoas.

Eis que chego na questão principal deste artigo. 

Em maio de 2022, atingimos a marca de 100 Confiantes no nosso time. Acredito que é uma das conquistas que mais me enchem de orgulho – porque gerar empregos é uma das razões do porquê eu empreendo. 

Eu nunca imaginaria que, lá em 2002 quando fundamos a empresa, que 20 anos depois, tanta gente sonharia o nosso sonho e de uma maneira tão empenhada. 

Onboarding, a primeira contratação e cultura

Gosto de receber os novos Confiantes e estar presente no momento de onboarding. É um clássico: sempre repasso nossos valores e dou muita atenção para o Orgulho em Pertencer. É o meu favorito – principalmente pela união de propósitos de todas as pessoas que trabalham aqui. 

Mas, nosso onboarding nem sempre foi tão estruturado assim. Nossa primeira entrevista de contratação, que foi a nossa amiga Georgia, aconteceu na portaria do prédio da mãe do Guarany, um dos meus sócios. Um tempo depois eu perguntei para ela: 

“— Georgia, o que te fez querer entrar para uma empresa que te entrevista na portaria do prédio da mãe de um dos fundadores?”

E ela respondeu: 

“— Eu confio no Fernando, sei que dele só pode vir coisa boa.”

Talvez isso explique um pouco da nossa cultura. Construímos o nosso time tendo confiança como base. E isso, para mim, é fundamental. 

Valores, exemplo e cultura

Outro dia, eu estava caminhando com meu amigo Petrônio. Durante nossas longas caminhadas, falamos de tudo. Tudo mesmo. E nessa conversa, desabafei sobre a minha preocupação de passar valores para a Luísa, minha filha de 8 anos. 

Ele me alertou sobre ser muito rígido em relação a isso. E me disse palavras que nunca vou esquecer: 

Se um brasileiro atravessar uma rua no Japão com o sinal fechado para pedestres, ele não muda a cultura do povo japonês. Ele não vai conseguir influenciar japoneses a avançarem o sinal. A maioria vai continuar aguardando o sinal verde de pedestre para atravessar, independente se vir ou não carro. Da mesma forma, no Brasil, uma japonesa não vai ser capaz de influenciar positivamente os brasileiros a esperarem o sinal do pedestre abrir, caso não venha carro. Tome cuidado para não ser muito rígido com ela, porque o sacrifício dela vai ser muito grande para o retorno que irá ter na sociedade.   Continue sendo exemplo e passando seus valores para a Luísa, ela vai saber como agir, não se preocupe.”

Fiquei aliviado. Sei da importância de continuar passando os valores que acredito para minha filha e deixar que ela escolha seu caminho. 

Fazendo um paralelo com uma empresa: é muito importante ter uma cultura forte desde o dia 1. É dessa forma que você evita que uma ou outra pessoa interfira negativamente naquilo que toda a empresa acredita. Por isso, como diz o Mestre Vabo, Empreendedor Endeavor, hoje da Link School: “as lideranças de uma empresa, principalmente o CEO, devem ser as guardiãs da cultura e valores, sendo exemplo para todo o time”.

É como o Edu Ourivio, Empreendedor Endeavor do Grupo Trigo, diz: “as ações dos empreendedores sempre vão impactar a cultura. Seja criando, fortalecendo ou destruindo”. 

Espero que isso ressoe tão forte para você como ressoa em mim. Lembre-se sempre de ser exemplo e resguardar a cultura da sua empresa. Até mais que a parte mercadológica e financeira – citando Peter Duker: “a cultura come a estratégia no café da manhã”.

Acredite: são as pessoas que fazem a diferença. Agora, parafraseando o ex-Endeavor  Luiz Manzano, hoje do Fundo Big Bets: “no começo da jornada, olhando para as pessoas, você já é capaz de identificar se você terá uma empresa de um milhão ou um bilhão”. 

Mário Sérgio Cortella, sócios e cultura

Levando em consideração a importância dos empreendedores para a cultura, ressalto a importância da escolha das pessoas que serão suas sócias.

O mundo ideal para a escolha de um sócio é uma que seja diferente e igual a você. Pode parecer doideira, mas eu explico. Diferente – e complementar – nos conhecimentos e igual nos valores. 

Entrar em um negócio com uma pessoa que tem valores diferentes do seu é loucura. A chance de existir incompatibilidade ao longo do caminho é enorme. 

Há alguns dias atrás, caí em um vídeo do Mario Sergio Cortella. Ainda bem que resolvi ver. Ele falava sobre o que é possível e impossível. Até citou a brilhante frase de Carlos Drummond de Andrade: “eu escavo a casca do impossível até achar o possível lá dentro.”

Quando ouvi essa frase, fiquei em choque. Rapidamente, passou um filme na minha cabeça. Lembrei de tudo que já passamos até chegar onde estamos hoje. 

Foi muito mais difícil do que eu podia imaginar. Ao mesmo tempo que chegamos muito mais longe do que também podíamos imaginar. 

Nessa lembrança, a palavra escavar me levou até os Confiantes, que escavam comigo, e com meus sócios.

Empreender é convidar pessoas para escavarem o impossível com você.

Quando as pessoas aceitam trabalhar com você, elas não sabem que estão escavando o impossível. Você pode até pensar que não vai dar certo. Mas, quando olha para o lado e vê o seu time comprando o seu sonho, você repensa na hora: impossível é parar de escavar.

Eu não consigo colocar em palavras o quanto sou grato por meu time acreditar em mim. Por ter encontrado pessoas com o mesmo propósito que o meu. 

Propósito, fazer o melhor e cultura

No vídeo, o Mário Sérgio falou sobre a diferença entre fazer o que é possível e fazer o melhor. Essa diferença é abismal. E muitas vezes é o que vai fazer a diferença para a sobrevivência da empresa. 

Quando a pessoa trabalha apenas pelo salário, ela faz o que é possível. Quando ela trabalha por um propósito, ela faz o seu melhor. 

Hoje, olhando para trás, vejo que só superamos as crises no começo da Confiance porque fizemos o nosso melhor, e não apenas o que era possível.

Escavar o impossível, sonho e cultura

Agora, voltando ao onboarding. 

É o onboarding que tem a incrível capacidade de colocar as pessoas que acabaram de entrar para escavar o impossível. É impressionante como os novos Confiantes começam comprados com o nosso propósito e valores. 

Eu acredito muito que isso acontece por causa do acolhimento e da clareza que passamos para as pessoas desde o processo seletivo, quando falamos que nós trabalhamos para acabar com a cicatriz da cirurgia aberta.

No livro As Armas da Persuasão, Robert Cialdini fala sobre o princípio da Aprovação Social. Ele explica que, na maioria das vezes que lidamos com situações novas ou incertas, tendemos a observar o que as outras pessoas estão fazendo para decidir o que vamos fazer. Talvez isso explique porque os novos Confiantes comecem tão bem. As pessoas veem um bando de loucos trabalhando felizes por um objetivo e não tem dúvidas de que é aquilo que ela quer. 

Diante disso tudo, quero fazer um agradecimento especial para todas as pessoas que fizeram parte da nossa história. Em especial para as que acreditaram no nosso sonho lá no começo – na época em que éramos apenas alguns loucos que queriam mudar a indústria de equipamentos de videolaparoscopia no Brasil. 

Com o apoio de cada uma dessas pessoas, conseguimos. Impactamos a vida de centenas de pessoas. Com os nossos equipamentos, impedimos que pessoas tivessem suas peles cortadas em uma cirurgia, evitando a cicatriz para o resto da vida.

O Caio Carneiro disse que “a gratidão, quando não é manifestada, é como um presente que você compra para a pessoa e não entrega”. Então, aqui vai o meu agradecimento para todas e todos que já sonharam – e sonham – o sonho que um dia foi apenas meu, do Fernando e do Guarany. 

Essa história começou com a Georgia. Hoje, chegou na Clarissa, que foi a número 100. 

100 já é uma enorme conquista, mas sei que estamos apenas começando. Eu e todos os Confiantes vamos fazer sempre o nosso melhor para impactar cada vez mais pessoas que precisam de cirurgia. Pessoas que nem sabem que existimos. Mas, nós sabemos que elas existem. Nós sabemos o nosso sonho – e é por ele que trabalhamos, todos os dias. 

Afinal, como diz o Mestre Raul Seixas: 

“Sonho que se sonha só, 

é só um sonho que se sonha só, 

sonho que se sonha junto é realidade.”