6 dicas de estratégia e expansão com Jae Ho Lee do Grupo Ornatus

Endeavor Brasil
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A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Jae Ho Lee é nascido no varejo. Varejista há 40 anos – sempre acompanhou a mãe em sua loja de acessórios – e franqueador há 3 décadas, fundou o Grupo Ornatus, um guarda-chuva de marcas de sucesso – entre elas, Morana, Balonè Fashion Bijoux e Little Tokyo. Além disso, o Grupo também participa da Love Brands, uma co-branding da Balonè, Puket e Imaginarium.

O primeiro aprendizado que tive foi que franquia é apenas mais um canal, só que com suas especificidades.” 

Em uma conversa com os empreendedores e empreendedoras participantes do programa brMalls Partners, ele compartilhou sua história e principais aprendizados sobre estratégia e expansão. Confira! 

1) O Grupo Ornatus tem marcas de categorias diferentes. Como gerir todas?

“Nós trabalhamos com diferentes verticais. Fazemos a gestão disso tudo de forma horizontal. Temos muitos squads e, para cada vertical, temos um líder especialista. O sucesso, pra gente, é alicerçado em três pilares: conhecimento técnico, gestão e liderança. 

Eu fico mais na gestão e liderança e, para cada marca, um especialista na parte do conhecimento técnico. 

Se você pegar alimentação, nós somos muito bons no que fazemos. Sabemos gerir franquias, estrategicamente, e os especialistas nos ajudam com as especificidades do salmão, do filé mignon, por exemplo.”

2) Como gerir um negócio que tem diversas marcas?

“Eu procuro não misturar as marcas. Já misturamos profissionais de diferentes marcas e não deu muito certo. É preciso personificar a marca para tangibilizar as ações dentro da organização. 

Para gerir todas essas marcas, eu crio rituais, no qual eu toco bumbo. Fazemos uma gestão de projetos, definimos metas e KPIs, ouvimos oportunidades e entendemos a situação dos mercados. 

O líder precisa saber o que é imprescindível que ele faça e o que ele pode delegar para outras lideranças. Algumas pessoas, que já sabem como eu penso, já tomam decisões com autonomia. Eu acredito em criar um ambiente que as pessoas possam ser intraempreendedores.” 

3) Você já teve algum dilema em relação a franquias? É o melhor modelo?

“Franquia é uma ferramenta, um canal. Alguns negócios não funcionam bem adotando franquias. 

Uma coisa que temos que levar em consideração é se o dono tem características para ser franqueador. Provocamos muito nossos franqueados a serem bons parceiros e garantir a performance. Falamos muito sobre o caixa que as franquias geram – o caixa precisa sustentar o negócio por três anos.”

4) Quando é mais saudável abrir uma franquia ou loja própria?

“Não tem uma resposta pronta. É preciso levar em consideração os limites da gestão e da supervisão. Na loja própria, você abastece de maneira adequada, tem controle e gestão mais próxima. As franquias, por exemplo, são regionais e os franqueados conhecem melhor o público. 

Tem que entender que gestão de rede própria é diferente de franquias. Na minha visão, franqueado bom é melhor que gerente bom. 

Você pode ter franquias e lojas próprias, é preciso considerar o contexto e ver a melhor alternativa para o seu negócio.”

5) Como você faz o treinamento e implantação de novas lojas?

“Treinamento é um processo. Franqueados são grupos heterogêneos – de diferentes locais, profissionais, idades – e, quando eles adquirem uma franquia, eles recebem um treinamento inicial para começar a entender como funciona. Tem uma semana de treinamento nas nossas lojas, imersão na rede. Brincamos que essa fase é a da autoescola: ninguém sai um grande piloto de lá, mas sabe dirigir.

Depois de 40 dias, fazemos uma reunião para ajustes necessários – que chamamos de revisão de 10 mil quilômetros. Nesse período, a pessoa franqueadora tem um acompanhamento mais próximo de um consultor para gerar mais segurança.

Nós sabemos que uma nova franquia muda a vida da pessoa. Então, vamos trabalhando para ele ganhar confiança. Precisamos provar para essas pessoas que o monstro é menor que a sombra.”

6) Como funciona o e-commerce de vocês?

“Com a pandemia, quem já tinha e-commerce implantado, conseguiu minimizar o prejuízo. Eu não implantei a venda online anos atrás porque não fazia sentido para o meu público. Antes, o digital tinha baixas taxas, já que o shopping center ajuda na construção da marca, os consumidores mais qualificados do Brasil adotaram o shopping como a melhor plataforma de marca.

Hoje, a minha preocupação é que os franqueados não são nativos digitais. Porém, temos o desafio de alcançar o público novo, que fazem tudo de forma online. Eu preciso criar estratégias para mudar comportamento dos franqueados. Não é o shopping que mudou, é o consumidor que mudou – faz compra online, pede comida por aplicativo. Isso é estratégico para o futuro.”

7) Mensagem final

“A pandemia foi mais dura do que esperávamos em março. Mas, eu aprendi a empreender no meio de crises, é aí que nascem as oportunidades. O mundo é cíclico, por isso, guarde dinheiro e tenha caixa para superar os desafios. Quando está mal, relaxa que melhora. Quando está bem, faça caixa. 

O empreendedorismo vai mudar o país, somos nós que geramos empregos e fazemos o país acontecer.”


Quer saber mais sobre o programa brMalls Partners? Conheça as selecionadas da terceira edição.