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Mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?

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Mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?

James Allen conta o que uma história que aprendeu no Brasil lhe diz sobre estratégia e concorrência.

Viagens internacionais sem parar te engordam e causam danos à saúde. Mas também dão muitos sabonetes de hotel, produtos de higiene pessoal das companhias aéreas e grandes histórias nacionais que podem servir como parábolas de negócios. Eu sou gordo. Tenho um punhado desses sabonetes de hotéis e coleciono essas histórias nacionais.

Em duas reuniões diferentes em São Paulo, enquanto falava através de tradutores, um CEO pôs fim a uma parte específica da conversa com: “Tá legal, seu Feola… mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?” Meu tradutor riu e disse: “É uma pequena grande história de futebol sobre os melhores planos, que dão errado. Te conto mais tarde.” Após a primeira reunião, eu esqueci de pedir ao tradutor que me esclarecesse. Após a segunda, eu insisti. E, caso você não a conheça, a história básica é a seguinte:

Em 1958, a União Soviética era favorita a vencer a Copa do Mundo. Era a ascensão de uma superpotência com eficiência brutal e fitness, combinados com a vontade coletiva de uma equipe perfeita. Os soviéticos haviam derrotado os nazistas na Segunda Guerra Mundial; eles haviam lançado a Sputnik; e o time de futebol havia vencido a medalha de ouro nas Olimpíadas de Melbourne em 1956. Na fase de grupos, eles enfrentaram o Brasil, uma equipe jovem, individualmente sutil, mas com um toque de caos com duas das maiores estrelas do futebol mundial, Pelé e Garrincha. Garrincha era baixinho, um sujeito com as pernas tortas cujos dribles surpreendiam a qualquer um. Com magia e genialidade, ele driblou os defensores soviéticos, acertando a trave no seu primeiro chute, e depois dando uma assistência para Pelé acertar o travessão. Apesar de nenhum dos chutes ter alterado o placar, os momentos iniciais da partida foram chamados de os melhores três minutos da história do futebol. O Brasil seguia firme para vencer por 2-0.

A lenda diz que, na preparação para a partida, o treinador brasileiro Vicente Feola havia traçado uma jogada muito complicada mostrando como o time marcaria seus gols. O jogador brasileiro A passaria a bola para o jogador B, que driblaria o defensor soviético 1. O jogador B, iria, então, passar a bola para o jogador C, que passaria pelo jogador soviético 2, pegando-o despercebido. O jogador C, depois, driblaria os soviéticos 3, 4 e 5, os quais não conseguiriam pará-lo. Ele finalmente cruzaria para o jogador D, que cabecearia entre no gol entre os soviéticos 6 – 11. Garrincha, cuja a carreira seria marcada por sua indisciplina, escutou tudo isso e depois perguntou (essencialmente): “Tá legal, seu Feola… mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?”

Insira a risada aqui. O ponto da história — que é, definitivamente, muito conhecida na comunidade brasileira de negócios — é que as estratégias perfeitas são fáceis, se você assumir que a sua concorrência irá cooperar.

A vida é perfeita em slides de Power Point. Mas é menos perfeita nas ruas.

Garrincha estava cético de que o Brasil poderia vencer com o plano perfeito. Ele sabia que derrotar os soviéticos exigia muito mais que um plano. Essa citação é uma realidade comprovada, e alguns veem a história como a expressão perfeita da teoria dos jogos.

No nosso mundo, nós discutimos que a natureza da estratégia mudou fundamentalmente. Tentar prever perfeitamente as ações futuras de seus concorrentes mudou para tentar se adaptar às flutuações e turbulências do mercado mais rápido do que qualquer outra pessoa. Nós mudamos da antecipação perfeita (assumindo que você pudesse fazer os russos concordarem), para a antecipação rápida, para a dança das pernas tortas de Garrincha.

Artigo originalmente publicado no blog da Bain & Company

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, Bain & Company, Sócio
James Allen é sócio do escritório de Londres da Bain & Company e co-líder da prática global de estratégia da Bain

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