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Acesso a capital: fontes alternativas

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Acesso a capital é um limitante para o crescimento do seu negócio, por isso, conheça outras fontes além dos investimentos e créditos bancários: descubra se e como as linhas das agências de fomento podem ajudar a sua empresa.

Últimas notícias: Tem capital sobrando no mercado. À primeira vista, diante das dificuldades em captar recursos alegadas por tantos empreendedores, a afirmação pode parecer improvável, mas algumas constatações mostram que ela corresponde a uma realidade no Brasil. Ao menos no que se refere aos recursos do governo destinados a certas áreas do conhecimento, por meio das agências de fomento. Ou seja, os recursos estão aí, apenas têm sido pouco acessados.

Qual seria a razão para essa discrepância? Entre os motivos apontados pelo professor de empreendedorismo do Insper, Marcelo Nakagawa, existe a falta de conhecimento sobre as linhas de financiamento. “Podem ser consideradas fontes de capital um pouco obscuras”, ressalta ele. Em seguida, vêm as limitações de segmento, a dificuldade dos empreendedores em redigir um projeto e a ausência de inovação nas empresas – um pressuposto importante para esse tipo de financiamento.

Neste processo, cabe ao empreendedor a iniciativa de pesquisar novas linhas, entender o seu funcionamento, desenvolver os projetos, submetê-los à aprovação e, uma vez aprovados, empenhar-se no cronograma e na prestação de contas. Como relata Rafael Duton, co-fundador da Movile e da 21212, muitos acham que não existe dinheiro disponível porque não acompanham os editais. “Tem que investir um tempo de pesquisa nos portais que agregam essas informações, identificar aqueles que têm aderência entre a sua proposta e o que o edital está buscando”, recomenda.

A seguir, o professor Marcelo Nakagawa responde a 4 perguntas sobre essa forma de captação de recursos, esclarecendo suas peculiaridades, vantagens e desvantagens. Descubra em que medida isso pode funcionar para o seu negócio.

O que é inovação do ponto de vista das agências de fomento?

Podem ser considerados 4 níveis de inovação: o primeiro refere-se a qualquer tipo de novidade, compartilhada em conversas de boteco. Outro deles é a inovação a partir da visão da empresa sobre o assunto, e como ela se insere na estratégia. Assim como a norma ISO 9000 para a qualidade, o Manual de Oslo, criado em 1990, tornou-se referência para a inovação dentro das empresas. O terceiro nível é a inovação para a captação de recursos, segundo a qual cada agência define um critério diferente. O último nível é a inovação do ponto de vista da Lei do Bem, voltada para empresas que optam pelo lucro real, pois boa parte dos incentivos é destinada ao abatimento do Imposto de Renda.

Independente do contexto, são raríssimos os casos em que o dinheiro investido em inovação não tenha a ver com tecnologia. E, para entender inovação tecnológica, é preciso colocar o projeto no seguinte ciclo: Conhecimento científico > Tecnologia > Comercialização. A primeira etapa envolve um esforço científico para dominar o conhecimento até que ele se transforme em técnica, quando todo input gera o mesmo output. A segunda corresponde ao esforço tecnológico, isto é, produção de escala a partir do conhecimento científico gerado, até que se chegue à terceira etapa, de comercialização. Nem todas as empresas passam por todas as etapas, mas é importante identificar a inovação onde quer que ela esteja.

Quais são as principais agências e linhas de recurso disponíveis?

Existem fontes de fomento para todas as etapas da inovação tecnológica, mas quanto mais o projeto estiver voltado para a comercialização, mais a juros subsidiados será o financiamento, e, consequentemente, quanto mais voltado para a pesquisa, mais a fundo perdido.

Dedicado ao esforço científico, o CNPq tem o RHAE, que paga ao doutorando bolsista para fazer pesquisa na empresa.Para inovação nos níveis científico e às vezes tecnológico, a FAPESP tem duas grandes linhas: Pipe e Pite. A primeira tem 4 chamadas por ano e é voltada para pesquisa inovativa em pequenas empresas, baseadas em São Paulo. Na fase inicial, a empresa recebe até R$ 200 mil para fazer um protótipo e, se ele der certo, até R$ 1 milhão para os processos produtivos. Neste caso, se a FAPESP fornecer o pesquisador, a patente é dela, mesmo que o direito de uso seja da empresa. Se a empresa tiver o pesquisador, a patente é da própria empresa, mas deve haver um acordo de royalties (onde a participação da Fapesp pode chegar a 33%). O Pite, por sua vez, pode entrar em qualquer momento, e é mais voltado para grandes empresas, com projetos inovadores e de maior risco. A faixas de financiamento podem ser 70%, 50% ou 25%, dependendo da aderência à proposta.

Mais voltada ao nível tecnológico, quando o conhecimento que já existe é transformado em produtos ou serviços,a FINEP funciona por meio de recursos não reembolsáveis (subvenções) ou empréstimo. Depende de alocação orçamentária do governo e atua por meio editais, por isso, torna a antecipação mais difícil do que nos outros casos.

Entre os níveis tecnológico e principalmente comercial, atua o BNDES, que trabalha por meio de empréstimo ou por uma linha chamada Funtec. Neste caso, a empresa precisa estabelecer uma parceira com uma universidade, que vai receber e gerenciar o dinheiro. Ao optar por essa via, portanto, é preciso ter uma relação muito boa, de confiança.

Para quem essas formas de captação são indicadas?

Não há uma resposta única sobre os tipos de empresas em que cada fonte é mais indicada. Mas em geral, os recursos não reembolsáveis oferecidos pela FAPESP e CNPq são para empresas que desenvolvem inovações a partir de pesquisas científicas. A FINEP tem linhas reembolsáveis e não reembolsáveis, sempre voltadas para empresas que querem inovar. O BNDES tem um grande número de linhas. Algumas oferecidas indiretamente, via banco associado, que lidam principalmente com financiamento de máquinas e equipamentos (FINAME), projetos e capital de giro (BNDES Automático), financiamentos de pequeno porte (Cartão BNDES) e diretamente como linhas setoriais (software, fármacos, frotas, etc.), linhas para inovação, linhas para empreendimentos (FINEM), etc. O BNDES também atua como investidor de capital de risco via BNDESPar. Em todos os casos de captação de recursos não reembolsáveis, o empreendedor precisa ter uma disciplina e um processo muito bem definido para prestação de contas. Algo que pode dar muito trabalho para quem está fazendo pela primeira vez. 

O empreendedor precisará adaptar algo na empresa para atender a etapa de prestação de contas?

É importante que o empreendedor defina uma ou duas pessoas que se especializarão na prestação de contas para se relacionem com as pessoas da fonte do recurso, com os fornecedores e prestadores de serviço, com a organização dos documentos e elaboração dos relatórios de prestação de contas.

Por Carolina Pezzoni, editora do Portal Endeavor Brasil.

 

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 20 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Acreditamos que a força do exemplo é o caminho para multiplicar empreendedores que transformam o Brasil e por isso trazemos aprendizados práticos e histórias de superação de grandes nomes do empreendedorismo para que se disseminem e ajudem empreendedores a transformarem seus sonhos grandes e negócios de alto impacto.

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1 Comentário

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  1. Marcio Brum - says:

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    Pelo que vejo, tirando os bancos, só existem linhas de crédito para empresas de tecnologia ou que já estejam com faturamento em andamento. Quem quer começar um negócio tradicional, fica na mão dos bancos e pena!

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