Conheça os princípios do “novo poder” que estão mudando o mundo (e as empresas)

Carol Andrade
Carol Andrade

Diretora e Cofundadora do Social Good Brasil

O poder ganha um novo significado na Nova Economia pelas causas, pelas pessoas e pela tecnologia.

Poder, segundo o filósofo Bertrand Russel, define-se pela “capacidade de atingir os efeitos pretendidos”. Nos últimos anos, em passo ao da evolução das tecnologias, vemos a natureza do poder mudar. Quem o detém, como ele é distribuído e para onde está indo são questões decisivas para as empresas. Este “novo poder” se diferencia do velho por estar fundado em valores como colaboração e compartilhamento.

O poder não funciona mais como uma moeda (um recurso escasso detido por todos). Ele se parece muito mais como
uma corrente: é feito por muitos, é aberto, participativo e baseados em comunidades de pares. Exemplos? Não faltam. Google, Wikipédia, Kickstarter e outros pioneiros já compreenderam o desafio de operar dentro dessa nova estrutura – que tem tudo a ver com as possibilidades e desejos do público.

Saindo da esfera das grandes empresas, vemos coworking, cocriação, financiamento coletivo, economia colaborativa… O que todos estes termos têm em comum (além da sua crescente importância) é que estão fundados em valores e práticas do “novo poder”, que inspiram comportamentos participativos. São modelos baseados em tecnologias, mas o que os impulsiona é a ação humana. Esta tendência foi sintetizada por dois pioneiros do Movimento Social Good – que une tecnologia a impacto social — Jeremy Heimans e Henry Timms no livro “O novo poder: como disseminar ideias, engajar pessoas e estar sempre um passo à frente em um mundo hiperconectado” (Editora Intrínseca). Ainda inédita no país, a obra terá lançamento no Festival Social Good Brasil 2018, evento sobre inovação e empreendedorismo social que acontece em Florianópolis nos dias 31 de agosto e 1 de setembro e contará também com os dois autores entre os keynote speakers.

A possibilidade (proporcionada por um mundo conectado) e o desejo de ir além do consumo passivo influencia os mercados e a forma de fazer negócios. Para que você a sua empresa estejam prontos para o futuro, elencamos aqui os níveis em que o comportamento de consumo – de bens, produtos e informação – se dá no novo poder:

Nível 1​ – Compartilhamento e modelagem: seja na edição de conteúdo ou na
personalização de produtos, o consumidor quer ter voz. Como no Facebook, por exemplo,
onde pessoas compartilham e dão forma a mais de 30 bilhões de itens de conteúdo por
mês.

Nível 2​ – Financiamento: modelos de doação, empréstimo ou investimento entre pares — como no site de financiamento coletivo Kickstarter — reduzem a dependência de instituições de crédito tradicionais.

Nível 3​ – Produção: com tantas pessoas dispostas a usarem – e compartilharem – as ferramentas, as indústrias tradicionais são pressionadas. Com tantas pessoas produzindo conteúdo no YouTube, a televisão perde público.

Nível 4​ – Copropriedade: não é mais necessário ter ou deter. É possível trocar (como um
“mutualismo de pares”). A Wikipédia e o Linux, por exemplo, se basearam no comportamento de copropriedade e impactaram seus setores positivamente.

Os modelos que surgem com o novo poder, tem o potencial de reforçar o instinto humano de cooperação em detrimento da competição, pois recompensa aqueles que compartilham ideias, difundem as dos outros ou trabalham para melhorar o que já existe. A maioria das organizações reconhece as mudanças pelas quais a nossa sociedade passa. Mas ainda são poucas que entendem o que é necessário para ter influência e impacto nesta nova era
que está sendo criada por essa combinação de novas tecnologias, valores e comportamentos. Inovar na era do novo poder precisa ir além de máscaras digitais que aproximam o público. É preciso agir desde o core das empresa, pois apenas uma decoração de vitrine não é capaz de resistir a uma transformação radical.

Para saber mais, recomendamos que você participe do Festival SGB 2018 e assista à palestra de Henry Timms e Jeremy Heimans. Mais do que isso, dentro do paradigma do novo poder, se conectar (e, quem sabe, colaborar) com organizações que querem largar na frente e descobrir a melhor maneira de causar impacto positivo neste mundo em constante mudança.