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Histórias para reimaginar o futuro: uma revolução feita de palavras

Laís Grilletti
Laís Grilletti

Time de Conteúdo

Antes que o futuro se torne realidade, ele surge, primeiro, como tinta no papel.

Graças às histórias, a humanidade tem à sua disposição milhares de anos de inspiração. Reinos fantásticos, cidades invisíveis, sistemas utópicos e tecnologias aparentemente impossíveis. Ferramentas e manuais inteiros para criação de novos mundos a todos que desejam experimentar.

Quando o Empreendedor Endeavor Marco Fisbhen, CEO da Descomplica, percebeu isso, trocou os livros de negócios por ficção. “Poucos empreendedores estão construindo negócios verdadeiramente inovadores”, disse Fisbhen. “Portanto, se eu quiser criar algo novo, preciso ser inspirado por aqueles que estão construindo novos mundos”.

Fisbhen se inspira em histórias que acontecem fora do mundo dos negócios. E essa mentalidade se reflete no sucesso da Descomplica. Poucas semanas antes de levantar a maior rodada para uma edtech no Brasil, a Descomplica foi considerada uma das 10 empresas mais inovadoras da América Latina, de acordo com a Fast Company.

Mas isso não significa que empreendedoras e empreendedores devam jogar fora suas cópias de The Hard Thing About Hard Things ou parar de ler as cartas de Jeff Bezos. Ao contrário, esse é um convite para explorarem novos corredores nas livrarias, explorando assim novas formas de pensar. 

Um novo mundo nunca foi tão necessário como agora. A contagem regressiva já começou, como aponta uma campanha recente do TED. O Relógio do Clima dá à humanidade menos de 7 anos para evitar desastres climáticos. Mas as emissões de carbono não são o único aspecto da vida que precisa ser reimaginado. Desigualdades sociais, alto índice de desemprego e repetidas crises econômicas também são sinais de alerta de que a maneira como a humanidade moldou a realidade nos últimos 200 anos precisa ser repensada.

Este é o território onde o empreendedorismo prospera. A Pantys, primeira marca de calcinhas absorventes do Brasil, ressoa com essa urgência mudando um comportamento secular: o uso de absorventes. Depois de um ano usando Pantys, uma mulher sozinha pode reduzir quase meia tonelada de resíduos de plástico. Assim, as Empreendedoras Endeavor Duda e Emily estão liderando uma revolução local e profunda, provando que produtos neutros em carbono podem ser escaláveis. 

Em uma época de crise e exaustão, reimaginar o mundo é nossa tarefa mais urgente. Não basta reinventar as regras do jogo. É hora de mover as placas tectônicas que sustentam o mundo, mudando os códigos culturais, econômicos e sociais que já estão trincados. Códigos que consideram a natureza um ativo a ser explorado e encorajam um crescimento desenfreado e violento. É hora de questionar as narrativas que há tanto tempo tomamos como certas para que novas histórias possam surgir. 

Felizmente, temos a ficção para ajudar a criar o impossível. Quando mais empreendedoras e empreendedores se dão conta disso, passam a ser as pessoas que questionam: e se o mundo não fosse como já é?

E se a próxima grande fintech não apenas questionar o sistema bancário tradicional, mas também repensar a maneira como a humanidade transaciona bens e serviços? E se uma nova agtech escalasse a agricultura sustentável? Ou, por exemplo, e se novos modelos de negócios levassem em conta sua pegada de carbono?

Para criar novas histórias, e se pode se tornar o novo era uma vez. Essa simples questão, proposta pelo ativista Rob Hopkins, alimenta um novo imaginário social onde as pessoas olham para o futuro ao invés de ter medo dele.

Mas, então, o que as empreendedoras e empreendedores visionários veem quando fazem perguntas e se, dando um passo além para dar uma olhada no futuro?

Elon Musk envisiona um futuro multiplanetário, “lá fora, entre as estrelas”. Inspirado no Guia do Mochileiro das Galáxias, O Senhor dos Anéis e nas obras de ficção científica de Isaac Asimov, Musk acredita que a ficção moldou sua visão de mundo desde sua juventude. O resultado é um empreendedor que, embora polêmico, é considerado um dos mais ousados ​​visionários da atualidade.

E você? Se você pudesse projetar o futuro, como seria? Para imaginar a resposta, não precisa de muito. Apenas um pedaço de papel e uma caneta, longe das distrações. Sem planejamento, edição ou censura, apenas deixando que as palavras venham até você, da sua mente para o papel. De onde elas vêm? Do imaginário pessoal e coletivo que mora dentro de você. De livros lidos, filmes assistidos e formas que constroem seus sonhos. De uma memória distante do que o futuro poderia ser. Deixe as imagens fluírem de sua mente pelas mãos.

Simples. São palavras no papel, nada mais.