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Empresas: o Motor de Transformação do Mundo

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Quais ferramentas são realmente úteis na nova lógica dos negócios de gerar valor compartilhado?

Durante os dias que estivemos na Rio+20, ficou claro que mesmo não havendo acordos globais significativos, foi selada a legitimidade das empresas no processo de desenvolvimento sustentável. Uma fala do CEO do WBCSD (Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável), Peter Bakker, durante o evento paralelo do B4E, vale a pena refletir: “Hoje as empresas não só têm permissão, mas como lhes é esperada a liderança no processo de transformação rumo à sustentabilidade.”

Clientes de todos os tipos e tamanhos estão tornando-se mais exigentes no momento das compras e do relacionamento, exigindoinformações e transparênciasobreos impactos dos produtosdesde a extração da matéria prima até o seu descarte. Assim, as empresas começam a “correr” para buscar a ferramenta de eco-design que lhes ajudem a projetar produtos que atendam a demanda por produtos “verdes” e sejam mais competitivos nas prateleiras.

Mas, quais ferramentas são realmente úteis na nova lógica dos negócios de gerar valor compartilhado? Qual o caminho para as empresas ativarem seus talentos para repensar seus produtos e serviços para deixar uma pegada ecológica grande e positiva no planeta, posicionando-se como líder para conquistar este novo mercado?

LCA, Análise de Ciclo de Vida. É uma ferramenta muito útil para conhecer o ciclo de vida completo do produto, mas que não deve ser confundida como ferramenta de planejamento ou de projeto, nem para avaliar o progresso de uma empresa rumo a um objetivo qualitativo planejado. É simuma ferramenta de mediçãoque avalia o impacto ambiental negativo dos produtos ou serviços ao longo de toda sua trajetória de vida, fotografando um determinado momento no tempo e partindo de premissas controladas. É  um processo que demanda tempo para o levantamento de dados e a confiabilidade da análise depende dos critérios e da origem dos dados de entrada. Assim, ela é excelente para medir e conhecer os impactos de decisões já tomadas (pegada ecológica negativa do produto),  porém não oferece uma visão de onde se quer chegar.

CFP, Carbon Foot Print. É uma ferramenta para medir as emissões de gases de efeito estufa durante todo o ciclo de vida de um produto. Assim como o LCA, se concentra na medição dos impactos ecológicos negativos.  Algumas medições consideram somente as emissões diretas, outras também as indiretas e isso causa certa ambiguidade na comparação de resultados. CFP pode ser visto comouma medidaunidimensional deimpactos ambientais, pois se concentra no carbonoe não consideratodos osoutros impactos queum produto ousistema de produtotemem sua interfacehumana e ecológica. Pode ser usado como benchmark interno pelas equipes de design para avaliar a diminuição das emissões a cada nova edição do produto, mas acaba sendo mais utilizado na comunicação de sustentabilidade das empresas e em operações puramente financeiras de compra e venda de créditos de carbono negociados nas bolsas verdes.

Ferramentas não são boas nem ruins, cada uma é concebida para uma função específica, mas implementá-las demanda investimentos. Por isso é tão importante saber para quê servem e principalmente qual é o seu objetivo em utilizá-las. Conhecer a pegada ecológica negativa é só parte da solução, o desafio é planejar como torná-la positiva às pessoas, ao meio ambiente e aos negócios, fazendo a empresa ser mais competitiva, lucrativa e resiliente. 

Acredito que para eleger a melhor ferramenta, antes a empresa precisa de um plano de melhoria da qualidade de seus produtos  para a sustentabilidade, que seja mensurável no tempo. O poder está em combinar uma estrutura de trabalho – que vai dos princípios de sustentabilidade às estratégias e indicadores – às ferramentas de métricas adequadas.  Uma estrutura de trabalho para desenhar produtos que sejam benéficos para aos negócios, à saúde humana e ao meio ambiente e desafiar os pressupostos atuais de fabricação introduzindo uma nova maneira de pensar, onde os produtos deixam uma pegada ecológica positiva. Será que conseguimos? Já tem empresas saindo na frente!

 

Ana Ester Rossetto  é sócia fundadora e atual Diretora Executiva da KCA Consulting.

 

Veja também:
As Oportunidades na Economia Circular

Novas Oportunidades em Sustentabilidade
Indo Além da Sustentabilidade

 

 

 

 

, EPEA Brasil, Sócia

Ana Ester Rossetto é sócia-fundadora e atual diretora executiva da EPEA Brasil, empresa que traz ao Brasil a metodologia Cradle to Cradle® para a inovação de produtos, sistemas produtivos e modelos de negócio, a partir de um novo paradigma de sustentabilidade. Atuou em startups de inovação tecnológica por mais de 7 anos, é especialista em Gestão da Inovação pela Universidade de Barcelona e tem MBA em Negócios Internacionais pela FGV e Ohio University. Acredita que é possível dar resposta aos maiores desafios deste século através da ecoinovação, para gerar crescimento econômico, bem-estar social e restauração ecológica. Por isso, aplica Cradle to Cradle® thinking para desencadear o poder das empresas como agentes de transformação positiva na sociedade.

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