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Empreendedorismo é sempre tudo igual?

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Empreendedorismo é sempre tudo igual?

Falar de empreendedorismo virou moda. Antigamente, o bom era fazer carreira numa instituição pública que garantisse estabilidade. Hoje, tudo é empreendedorismo. Empreendedorismo social. Empreendedorismo criativo. Empreendedorismo corporativo. Intra-empreendedorismo. É impressionante como determinadas palavras se transformam em mantras no ambiente corporativo.

Apoiado em nossa experiência em assessorar grandes empresas a inovar e em nossa atuação junto a start ups, como investidor e mentor na Endeavor, resolvi fazer uma distinção básica importante entre dois tipos de empreendedorismo.

Seriam todos os tipos de empreendedorismo iguais?

Para responder a tais perguntas comparei duas situações que vivenciei como empreendedor, uma dentro de uma empresa estabelecida e outra montando um novo negócio.

A Start Up – Marketplace de Crédito Imobiliário

No final dos anos 90, enquanto executivo de uma instituição financeira, participei do desenvolvimento de um portal de crédito imobiliário para venda de financiamento da casa própria pela internet. Percebemos que havia uma enorme dificuldade de acesso a tal produto e que o processo de compra era bastante frustrante para o consumidor final. Também identificamos que para os bancos o cliente de crédito imobiliário era alguém pouco atrativo pois demandava uma venda consultiva de ciclo longo para um produto que, na época, tinha taxas de juros pouco interessantes. Pensamos na possibilidade de montar um marketplace (palavra bonita hoje em dia) onde conectaríamos os compradores de imóveis com os agentes financeiros. Pensávamos que seria possível cobrar dos dois lados. Montamos um business plan. Submetemos a uma competição de planos de negócios no MIT e fomos selecionados. Viajamos até os EUA como um dos escolhidos para apresenta-lo para três potenciais investidores.

Antes de saber o resultado das negociações vamos conhecer a segunda experiência.

A pequena empresa – Restaurante buffet

Tempos atrás, com um grupo de mais dois amigos, montamos um restaurante no modelo de buffet por quilo na principal avenida de uma das cidades mais movimentadas do país. Conseguimos um ótimo ponto de venda. Entendíamos que não havia algo bom e barato na localidade, havia enorme fluxo de gente no local. Acreditávamos ser possível uma operação oferecendo qualidade e preço baixo. Optamos por disponibilizar refrigerante liberado incluso no preço, investimos bastante para fazer um bom ambiente e contratamos um gerente que havia sido o responsável por outro restaurante para ser nosso sócio gestor. Rapidamente conseguimos atingir um volume de mais de 500 almoços/dia. O faturamento atingiu mais de R$ 150 mil reais no quarto mês. Ponto de equilíbrio no segundo mês.

Mas, afinal de contas, o que esses negócios têm em comum em termos de empreendedorismo? Pouca coisa. Aprendi no MIT a dividir o empreendedorismo em 2 tipos: Innovation Driven Entrepreneurship – IDE e Small and Medium Enterprises – SME 

A primeira experiência que apresentei é um IDE, enquanto que a segunda é um SME. A primeira tem potencial inovador e alcance global, enquanto que a segunda é um negócio local, conhecido, bastante convencional e que pode gerar resultado para o empreendedor. O IDE é, normalmente, baseado em algum tipo de inovação e tem potencial de crescimento exponencial, enquanto que o SME não necessariamente envolve inovação e tende a apresentar maior linearidade de crescimento. Cabe comparar algumas variáveis para entender as diferenças e aprofundar nosso entendimento sobre empreendedorismo no Brasil.

O grau de incerteza

O nível de incerteza estrutural da primeira ideia é muito maior do que o da segunda. Não sabíamos como seria o modelo de receita, qual seria a resposta dos bancos, nem mesmo a adoção dos consumidores. Aprendemos a duras penas que o negócio não estava pronto. Já no restaurante, tínhamos uma série de benchmarks. Podíamos fazer apostas erradas, mas eram apostas conhecidas.

A possibilidade da replicabilidade

O restaurante poderia ser, no futuro, uma rede, claro. Mas a replicabilidade é muito menor, mesmo com sonho grande. Já o marketplace de crédito imobiliário poderia crescer geograficamente e também em termos de produto.

Potencial Retorno

O potencial de retorno do portal era muito maior. O business plan original previa vendas de R$ 100 milhões no ano 5. O restaurante seria, no máximo, um investimento de renda para substituir as alternativas de baixo retorno atuais da poupança.

Oportunidades de Saída

Não há dúvidas de que pode haver oportunidades de saída para pequenos negócios. Nós mesmos conseguimos vender o restaurante antes de deteriorar seu desempenho pelo mesmo investimento que realizamos, ou seja, não tivemos ganho. Já na start up, vivenciamos discussões com grandes e reconhecidos fundos de investimentos, mas fomos pegos pela crise das pontocom em abril de 2000. As propostas em debate, que eram muito superiores ao investimento realizado, acabaram não se confirmando.

O final da história do portal de crédito imobiliário foi, depois de 2 anos, ser incorporado pela empresa mãe para ser sua operação digital, algo que aconteceu com outras start ups da época. A inovação disruptiva não aconteceu. O Restaurante, por outro lado, acabou sendo vendido. Saímos no zero a zero. Nem todo empreendedorismo é igual. Há empreendedorismo sem inovação. Mas não há inovação sem empreendedor ou intra empreendedor (a figura do empreendedor dentro de grandes empresas).

É fundamental compreender a diferença entre o innovation driven entrepreneurship e as pequenas e médias empresas. Os IDE’s tem potencial de alcance global, geração de riqueza, empregos e inovação, assim como apresentam desafios absolutamente distintos de gestão.

Fique atento!

Até a próxima inovação

, Innoscience, Sócio Fundador
Maximiliano é sócio fundador da Innoscience, consultoria especializada em gestão da inovação; Graduado e mestre em administração com ênfase em estratégia e inovação na PUCRS. Certificate em strategy and innovation no MIT/Sloan School of Management e cursos em Stanford, Columbia e Berkeley; Fez carreira executiva em instituição financeira nos anos 90; Tem experiência como consultor nos setores de cosméticos, automotivo, varejo, financeiro, farmacêutico, construção, TI, bens de consumo, indústria entre outros tendo trabalhado com 9 das 50 empresas mais inovadoras do Brasil nos últimos anos; Autor do livros Gestão da Inovação na Prática e Práticas dos Inovadores: Tudo que você precisa saber para começar a inovar; Atua como investidor anjo de start ups como sócio da aceleradora WOW; Mentor na Endeavor e Presidente do Comitê de Inovação da AMCHAM-SP; Escreve regularmente sobre o tema sendo responsável pelo serviço Pergunte ao Consultor no site 3minovacao.com.br da 3M do Brasil.

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1 Comentário

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  1. PAULO SERGIO SANTOS - says:

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    Muito bom o artigo principalmente as frases: há empreendedorismo sem inovação, porém não há inovação sem empreendorismo.

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