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Cuidado! Empreendedorismo é contagioso

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Linda Rottenberg e Chris Bierly discutem, neste artigo, que a melhor incubadora para o empreendedorismo ocorre quando se formam redes de empreendedores que encorajam seus companheiros a assumirem riscos com a experiência e recursos que possuem.

Linda foi nomeada uma das “Melhores Líderes da América”, ​​pela US News & World Report, uma das “Inovadores para o século 21″ da revista Times e é a autora do best-seller do New York Times “De Empreenderdor e Louco Todo Mundo Tem Um Pouco” (Crazy Is a Compliment: The Power of Zigging When Everyone Else Zags).  Chris Bierly é vice-presidente e diretor do escritório da Bain & Company em Boston e líder em investimentos, mídia, educação e áreas de varejo e consumidor. Linda é co-fundadora da Endeavor a nível global. Chris é conselheiro sênior da Endeavor.

Algumas ideias nos negócios refletem imagens mais vívidas de um individualismo ousado do que o empreendedor faça-você-mesmo. Empreendedores vão sozinhos, a mitologia insiste. Eles são rebeldes, contrariam o sistema. A imagem é irresistivelmente romântica e profundamente enraizada.

Também é completamente equivocada.

Temos provas de que o empreendedorismo mais vibrante é desenvolvido por empreendedores de alto impacto que operam em redes coesas, auxiliando companheiros tomadores de riscos e trocando know-how, capital e amor incondicional. Nós mapeamos essa polinização cruzada entre as gerações e continentes. E nós fizemos isso não olhando para as comunidades mais óbvias, como o Vale do Silício, mas em alguns dos terrenos mais inférteis, quando se fala em inovação.

Há anos, acadêmicos e estrategistas concordaram que o empreendedorismo impulsiona o desenvolvimento econômico, a inovação e a criação de emprego.

No entanto, frequentemente, as iniciativas lideradas pelo governo produzem resultados de baixa abrangência. Nós já vimos isso em Kuala Lumpur, onde o projeto BioValley, de US$150 milhões de dólares, rendeu apenas um punhado de empresas de biotecnologia. Em Moscou, organizadores gastaram US$2 bilhões, sem sair com uma startup de grande sucesso. Mesmo Santiago, conhecida por seu programa Startup Chile, colocou US$40 milhões em mais de 800 startups – isso para ter quase 80% delas saindo de lá para pastos mais verdes, em lugares como o Vale do Silício e Nova Iorque.

O problema em todos esses casos: não havia uma rede local em que startups crescessem de forma escalável, em que scale-ups fossem bem sucedidas e em que empreendedores de sucesso infectassem a próxima geração com o vírus do empreendedorismo.

Leis mais: 8 coisas que você não sabia sobre as empresas que mais crescem no país

Desde 1997, a Endeavor, uma organização sem fins lucrativos na área de empreendedorismo de alto impacto, tem trabalhado com sucesso para gerar “ecossistemas empreendedores” ao redor do mundo. Com escritórios em 25 países, a Endeavor identifica, seleciona e mentora empreendedores com as maiores ideias, o potencial mais provável para construir empresas que fazem a diferença e uma grande capacidade de inspirar os outros.A Endeavor foca nesse grupo de “alto impacto” porque acredita que, se você lhes der a mistura certa de apoio, incentivo e amor empreendedor, eles podem atuar como multiplicadores, tornando-se referências, mentores e investidores que constroem um ecossistema local de empreendedores a partir do zero.

Mais de 1.000 empreendedores da Endeavor pelo mundo criaram mais de 500.000 postos de trabalho a nível global, gerando US$8 bilhões de dólares em receitas anuais e devolvendo tudo que aprenderam para as cidades onde começaram. Eles conseguiram construir ecossistemas vibrantes em alguns dos ambientes de negócios mais inóspitos do mundo.

Para entender melhor como funciona essa dinâmica, a Endeavor Global fez parceria com a Bain & Company para estudar a multiplicação do efeito em três mercados desafiadores: Buenos Aires, Istanbul e Cidade do México. A pesquisa apoia o que vemos há muito tempo: as redes de empreendedores não começam com facilidades brilhantes ou garantias do governo, nem surgem espontaneamente das empresas de sucesso.

Em vez disso, alguns fundadores pioneiros obtêm o suporte que precisam na crítica fase inicial de seu desenvolvimento e, em seguida, disseminam ativamente o empreendedorismo por meio de mentorias, inspirando e investindo nas próximas gerações de empreendedores. Esses fundadores não são darwinianos, sobrevivendo à custa de outros. Eles vêem a colaboração inter-empresarial como algo bom para seus negócios e para o ecossistema.

Paciente Zero

Considere o que aconteceu em Buenos Aires, em meio a uma história de luta econômica e política.

No início de 1990, quando Wences Casares se mudou para lá, a cidade era um deserto para startups. Wences, filho de um criador de ovelhas da Patagônia, já tinha se envolvido com negócios quando adolescente, começando uma empresa de camisetas e imprimindo um diretório de telefones. Na faculdade, ele teve a ideia de começar uma corretora online chamada Patagon.com. Trinta e três investidores locais recusaram. “Nós nem sequer temos um mercado de ações em funcionamento”, ele disseram. Ele abandonou o curso e lançou a empresa mesmo assim.

Chegamos a pensar em Wences como o paciente zero na disseminação do empreendedorismo, na Argentina. Apesar de entrar nos negócios em 1997, ele conheceu outros vivendo essa estranha paixão. Entre eles, Andy Freire e Santiago Bilinkis, ex-funcionários da Procter & Gamble, que fundaram uma empresa de fornecimento online para escritóriochamado Officenet. Não muito tempo depois, dois MBAs de Stanford, Marcos Galperin e Hernán Kazah, voltaram ao país para formar o Mercado Livre, um varejo online semelhante ao eBay.

Esses dois (então) novatos criaram uma rede de apoio informal – um terreno fértil para o empreendedorismo – alimentada por informações compartilhadas, competição, coinvestimento e a convicção de que eles eram realmente pioneiros. Essa rede foi reforçada por uma nova rede de líderes locais e mentores externos, reunidos pela Endeavor. Mesmo com esse apoio, os jovens fundadores ainda se sentiam incompreendidos. Bilinkis nos disse: “Quando Andy e eu decidimos nos tornar empreendedores, a palavra “empreendedor” não existia na Argentina”.

A partir disso, uma febre de empreendedorismo tomou Buenos Aires, alimentada, na maior parte, pelo sucesso dessas três empresas. No período de alguns anos, Wences vendeu a Patagon para o Banco Santander por US$750 milhões de dólares; a Officenet foi vendida para a Staples; e o Mercado Livre se tornou pública na NASDAQ, atingindo uma capitalização de US$5,5 bilhões no mercado, em 2014.

Hoje, Buenos Aires está no meio de uma epidemia de empreendedorismo.

Duas décadas depois que Mercado Livre, Patagon, e Officenet tiveram seu início, a cidade se tornou o principal centro para o empreendedorismo em tecnologia da América Latina de língua espanhola. Essas três empresas têm influenciado mais de 200 empresas da segunda, terceira e quarta geração depois delas. Seus fundadores lançaram novas empresas, fundos de capital de risco, e até mesmo um programa de TV bem popular sobre empreendedorismo, “El Emprendedor del Millón”.

Considerando que os empresários argentinos uma vez se sentiram isolados e inseguros, agora qualquer pessoa com um sonho pode entrar em um ecossistema próspero de apoio. Há conferências e bares onde fundadores se reúnem, clubes de dança onde eles se misturam e até mesmo um campeonato de futebol, em que cada equipe tem o nome de uma startup. Empreendedorismo se tornou uma obsessão nacional.

Empreendedorismo é contagioso!

Como isso aconteceu? Para descobrir, a Endeavor Global e a Bain entrevistaram ​​mais de 200 empreendedores argentinos (alguns de relação com a Endeavor, outros não) e fizeram algumas perguntas, incluindo: “Quem te inspirou? Quem investiu na sua empresa? E quem te mentorou?”.

Nós, então, seguimos com dezenas de entrevistas detalhadas para identificar maneiras específicas em que os empreendedores se beneficiaram ou ofereceram assistência a outros.

Descobrimos que quase 80% das empresas de tecnologia de hoje, em Buenos Aires, traçam suas raízes a partir da Patagon, Officenet e MercadoLibre. Consideramos esses empreendedores de primeira geração os super-portadores do vírus do empreendedorismo. Enquanto suas empresas foram bem sucedidas individualmente, eles exerceram seu maior impacto sobre a rede mentorando novos empreendedores, investindo capital nas empresas, fornecendo talentos experientes e iniciando novos empreendimentos. Nossos resultados mostram que, de 1990 a 2006, o número de startups de tecnologia na capital argentina cresceu 5% ao ano. Mas ao longo dos cinco anos que passaram, essa taxa aumentou para 20% ao ano.

A melhor maneira de visualizar esse fenômeno é em um mapa rede social (veja na imagem abaixo). As bolhas representam as empresas e as setas multicoloridas representam diferentes tipos de conexões. Nós colocamos empresas em uma série de círculos, segundo o seu ano de fundação. O tamanho de cada bolha corresponde ao número de ligações que a empresa fez. Quanto maior a bolha de uma organização, mais influência o negócio e seus fundadores tiveram no restante da rede.

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O papel que esses super-portadores desempenham na criação e aceleração do crescimento de um ecossistema empreendedor não é exclusivo de Buenos Aires. Repetimos nossa análise em Istambul (imagem abaixo) e na Cidade do México e os resultados foram essencialmente os mesmos – alguns empresários bem-sucedidos inspirando os outros e o efeito se multiplica ao longo do tempo.

Em seguida, realizamos 700 entrevistas, em Nova Iorque, para ver se o fenômeno é transferido para as economias mais maduras. Começando com pioneiros, como a DoubleClick, as conexões não dispararam entre 2003 e 2013 (imagem abaixo), alimentando uma explosão significativa na atividade das startups. Hoje, mais de 2.000 empresas de tecnologia em Nova Iorque atraíram US$14 bilhões em investimentos e empregam 53.000 pessoas.

Como empreendedorismo é disseminado

O padrão de contágio em cada um desses mercados é notavelmente similar. A primeira fase é o que chamamos de efeito exemplo, na qual o sucesso dos primeiros pioneiros, como Wences, inspira outros. Pablo Orlando, o cofundador da GoodPeople, uma comunidade online em rápida expansão para os amantes de esportes de ação, com base em Buenos Aires, lembra-se de ouvir sobre Wences vender a Patagon por US$750 milhões, quando ele ainda era um skatista adolescente. Isso o convenceu de que ser um empreendedor poderia ser “uma carreira sustentável e real – uma escolha de vida”, disse Orlando. “Eu pensei: ‘Se Wences pode, eu posso também’”.

Tão poderoso como o exemplo pode ser, a influência de empreendedores de alto impacto é muito mais profunda. Seu sucesso precoce lhes dá capital – humano, social, financeiro – para reinvestir em aspirantes a empreendedores, alimentando a próxima geração e inspirando os líderes a investirem na geração depois disso. A rede ajuda os empreendedores em três fases distintas de suas carreiras, que chamamos de: “Comece”, “Pense grande” e “Vá pra casa”.

“Comece”

Empreendedorismo não se espalha por conta própria. Ele se espalha porque os empreendedores mais experientes cultivam ativamente o crescimento daqueles que os rodeiam.

Para qualquer jovem empreendedor, existe uma enorme lacuna entre  elaborar uma ideia em um guardanapo e trazer isso para o mundo. Empreendedores de primeira geração ajudam fundadores em formação a reconhecerem as rachaduras de negócios e a resolvê-las com um modelo de receita renovada, um plano de aquisição de clientes ou uma estratégia de recursos humanos eficaz.

Wences separa uma hora por dia para ajudar os outros, geralmente no final da tarde, quando ele está em indo do trabalho para casa. Os fundadores da Officenet, Freire e Bilinkis, definiram como objetivo ajudar três novas empresas por ano, fazendo apresentações, revendo seus planos de negócios e aconselhando na captação de recursos.

Muitas vezes, o que eles dizem aos empreendedores ajudados não é o que eles querem ouvir. A palavra de Blunt é altamente valorizada. Como jovens estudantes de Buenos Aires, Frank Bujaldon e Franco Silvetti enviaram muitos e-mails não solicitados para Bilinkis, da Officenet, pedindo uma reunião. Eventualmente, Bilinkis aceitou e Silvetti e Bujaldon apareceram com um PowerPoint. “Nós tínhamos uma ótima apresentação preparada”, disse Silvetti. “Mas, logo no início da reunião, Bilinkis nos pediu para fechar os notebooks. Ele queria que nós falássemos sobre nós mesmos, nossas experiências e motivações”.

Bilinkis aconselhou os dois a dispensarem aquele plano, terminarem suas graduações e irem trabalhar para uma empresa, por um ano ou dois. Ele encontrou a dupla mais 10 vezes antes que eles aparecessem um dia, sem avisar, e apresentassem uma ideia para iniciar um sistema de reservas online para restaurantes, chamado Restorando. Bilinkis gostou do conceito, mas não da abordagem. “Eles eram jovens, sedentos e inteligentes”, disse ele. “Mas eles eram engenheiros, então não sabiam como começar uma empresa”. Ele e Freire, no entanto, deram a eles US$500.000 em capital para ajustar o seu modelo de negócio e construir um protótipo.

Ele também apresentou a dupla a Nicolas Szekasy, um executivo do MercadoLibre, que com Kazah, co-fundador do MercadoLibre, co-fundou um fundo de venture capital de US$135 milhões, chamado Kaszek Ventures. Nicolas, por sua vez, apresentou os fundadores da Restorando a Niklas Zennstrom, co-fundador do Skype e líder global do fundo de venture capital Atomico. Isso os ajudou a completar uma rodada series A de mais de US$3 milhões – uma soma rara na América Latina.

“Pense grande”

Um dos maiores equívocos sobre como o empreendedorismo se espalha é que tudo o que importa é esse primeiro passo. Isso é crítico, é claro, mas os jovens empreendedores também precisam de ajuda no difícil processo de gerenciar uma empresa de rápido crescimento. Nossa pesquisa indica, claramente, que uma das razões do empreendedorismo ter florescido nessas comunidades é que os empreendedores mais velhos não tiveram apenas um pouco de boa vontade, realizando investimento anjo e depois desaparecendo.

Eles estiveram por perto para ajudar os seus colegas mais jovens a tomarem decisões de crescimento complicadas.

Juan Carlos Vera e Andres Rodriguez eram amigos de infância que moravam na Colômbia e iniciaram um negócio de tecnologia que logo foi dizimado pela crise financeira do país. Anos mais tarde, depois que Juan construiu uma empresa de soluções para celulares e Andres ajudou a construir a Siri, da Apple, os dois se reuniram na Cidade do México e desenvolveram uma tecnologia que ajudou as empresas a usarem inteligência artificial para se comunicar de forma mais eficiente com os clientes.

Sua empresa, BlueMessaging, teve um início promissor, crescendo mais de 100% ao ano, nos três primeiros anos. Mas quando o crescimento desacelerou , Juan e Andres sabiam que eles precisavam de ajuda. Eles recorreram a uma comunidade de empreendedores, perto da Cidade do México, que estava ansiosa para dar uma mão a eles.

Uma questão: Todos os funcionários da BlueMessaging eram jovens. Alonso Carral, um empresário experiente que começou o primeiro provedor de serviços de Internet do México (ISP) e depois vendeu o negócio para a CompuServe, disse aos fundadores que eles precisavam de mais adultos no escritório. “Ele nos explicou que não tivemos um problema de finanças ou marketing, tivemos um problema de pessoas”, disse Andres. Carral ajudou a dupla da BlueMessaging a encontrar um headhunter e os dois contrataram um CFO, um COO e outros, incluindo uma pessoa experiente do Boston Consulting Group.

Às vezes, o conselho mais crítico é tanto sobre eliminar opções quanto sobre criá-las. Quando Firat e Fatih Isbecer fundaram a Pozitron, um negócio de dinheiro móvel criado em Istambul, por exemplo, eles encontraram Wences Casares por meio da Endeavor. Na época, a Pozitron tinha alguma tração em soluções móveis, mas também foram tentados a investir em outros serviços. “Wences nos encorajou a deixar de lado essese outros serviços que estávamos oferecendo, como CRM, e ter foco exclusivo em soluções móveis”, disse Firat. O conselho valeu a pena! Os Isbecers venderam a Pozitron em 2014 por US$100 milhões.

Ajudar os fundadores a decidirem quando sair e como fazer isso de forma correta não tem preço. Em meados dos anos 2000, a Globant, uma das empresas de mais rápido crescimento de TI em Buenos Aires, enfrentou uma decisão difícil: vender a empresa a um dos vários compradores dispostos ou assumir o risco da realidade econômica argentina.

O CEO da Globant, Martín Migoya, e seus co-fundadores tinham sido inspirados, no início, pela MercadoLibre e se viraram mais uma vez recorrendo à rede de Buenos Aires para buscar um conselho. A mensagem era clara: “Sua visão é forte e você tem perspectivas reais de crescimento. Não aceite o dinheiro”. Martín e seus sócios balançaram, mas se sentiram impulsionados pelo apoio. “Nós poderíamos ter ficado milionários com 30 anos”, disse ele. “Foi muito tentador. Mas decidimos que não deveríamos vender”. Em vez disso, continuaram a se expandir e a Globant, que abriu seu capital na NYSE em 2014, está agora avaliada em US$1,1 bilhão.

“Vá para casa”

Uma das coisas mais impressionantes que encontramos no estudo desses ecossistemas é como empreendedores deram retorno para a rede e suas comunidades, ao alcançarem o seu próprio sucesso. Quando jovens empreendedores obtêm o apoio de fundadores da primeira geração, a mensagem implícita é que o seu dever é de devolver o que aprenderam para outros, no futuro.

Em países sem uma longa história de colaboração empresarial, essa mudança de mentalidade é fundamental. Ela ajuda a criar um ciclo virtuoso em que os mentorados tornam-se mentores e os alunos se tornam professores.

A rede crescente de empreendedores de tecnologia, em Istambul, mostra como funciona esse ciclo. Amizades, negócios e mentorias unem esse grupo. Eles jogam poker juntos, vão para baladas juntos e curtem férias juntos. Com 39 e 47 anos de idade, Nevzat Aydin e Sina Afra são os membros mais antigos dessa rede. Eles se conheceram na década de 2000, quando Nevzat estava começando o Yemeksepeti Aydin, uma empresa de pedido de comida online, e Sina estava começando a Markafoni, um site de vendas rápidas, semelhante à Gilt Groupe.Em 2011, a Naspers , a gigante de mídia sul- Africana, adquiriu a Markafoni em uma avaliação de US$200 milhões, tornando Sina uma celebridade instantânea na comunidade de tecnologia. Quatro anos mais tarde, Nevzat vendeu a Yemeksepeti para a Hero delivery por US$589 milhões, marcando a maior venda de tecnologia na história da Turquia.

Tendo “pensado grande”, Nevzat e Sina voltaram para Istambul, a cidade que os ajudou a começar. Como conselheiros de confiança, eles ajudaram os irmãos Isbecer a expandirem e venderem a Pozitron. Eles também se tornaram mentores para uma nova geração de empreendedores como Hakan Bas, o fundador da Lidyana, negócio de jóias e acessórios online, líder da Turquia.

Quando Hakan ganhou as manchetes, depois de se envolver romanticamente com uma modelo, Nevzat ligou para ele. “As pessoas conhecem você por namorar uma modelo mais do que como CEO da sua empresa. Sua vida pessoal está ofuscando sua vida profissional”. Hakan foi sacudido, mas foi grato. “Muita gente me dá conselhos sobre o negócio; ele é mais focado em me treinar como um líder”. A orientação não é de graça, no entanto, Hakan paga Nevzat ajudando outros no futuro. “Antes, eu costumava dizer, ‘eu vou ajudar se eu tiver tempo’. Agora eu digo: ‘Vou arrumar tempo para ajudar’”.

Esse é o ciclo virtuoso em ação – uma geração ajudando o próximo, para o bem de todo o sistema. Para Galperin, do MercadoLibre, esses ecossistemas marcam uma mudança na forma como os negócios são feitos:

“Eles estão mudando o pensamento das pessoas a partir de uma mentalidade vencedora, onde todo mundo se beneficia com o sucesso do grupo.”

Mas para quem quer criar esse tipo de clima dinâmico e inovador para as empresas, é crucial compreender que isso não acontece apenas porque alguém constrói uma incubadora ou cria um fundo de financiamento. Isso exige a busca por empreendedores de alto impacto, num determinado mercado, que ajudam os demais por meio da combinação certa de mentoria, investimento, conexões e recursos.

Uma vez que um punhado de scale-ups locais têm sucesso, o efeito multiplicador pode tomar posse do ecossistema e começar a sustentar seu próprio crescimento. Isso cria um reservatório profundo de apoio e recursos que as empresas podem recorrer durante todo o seu ciclo de vida, desde o início até sua maturidade.

Nós temos visto uma e outra vez que, mesmo nos ambientes empresariais mais desafiantes, os empreendedores de alto impacto existem e atuam em todos os mercados. A chave é encontrá-los, ajudá-los a crescer de forma escalável e incentivá-los a contagiar a rede.

Artigo originalmente publicado no site da Wharton

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, Endeavor Global, Co-fundadora & CEO
Linda Rottenberg é Fundadora da Endeavor e autora do livro "Crazy is a Compliment: The Power of Zigging When Everyone Else Zags".

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