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“Tive que demitir meu time dos sonhos para não quebrar”

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“Sem nunca ter demitido uma única pessoa sequer, cheguei na empresa com a missão de  mandar 60 embora” — conheça a história de José Rizzo, empreendedor da Pollux

Numa segunda-feira de manhã, um diretor apresentou a José Rizzo uma lista de dez nomes. Aquelas eram as pessoas com nível de desempenho abaixo do resto da equipe, as que estavam na mira do RH. “Vocês já deram uma 2ª chance a elas?”, Rizzo fez questão de perguntar.

 
- Sim, até 3 chances. Elas precisam ser desligadas da empresa.
- Então vamos dar uma 4ª e deixar nossa expectativa mais clara do que nunca.
 

O empreendedor sabe que a manobra vai contra os ensinamentos de gestão. Sabe que, em tempos de incerteza econômica, não se pode perder tempo. Mas sabe, também, quão difícil é ter que demitir alguém — principalmente para o funcionário e enquanto o país passa por uma crise de emprego. Isso porque Rizzo viveu outra situação em que precisou mandar gente embora, anos atrás, em maior escala. Na época, no entanto, ele não tinha opção.

Se virando na gringa

“Eu nasci no Rio de Janeiro, num domingo de sol em que o Bangu deu de 3×0 no Flamengo e foi campeão estadual. Tem como imaginar um melhor início de vida?”. Rizzo torce pelo Fluminense, por isso a brincadeira e rivalidade comum entre os cariocas. Mas apesar do orgulho de sua cidade (e de seu time de futebol), Rizzo escolheu morar, trabalhar e empreender em Santa Catarina.

Antes mesmo de fundar a Pollux — uma empresa que oferece soluções de automação, robótica e outros para aumentar a produtividade da indústria –, Rizzo já tinha atitudes empreendedoras.

Quando chegou a hora de entrar na faculdade e seguir os passos da família de engenheiros, o garoto decidiu que queria estudar nos EUA. No dia seguinte da decisão, foi ao consulado descobrir o que era preciso. Dona Carmem, que o atendeu, explicou que o custo era alto, mas que ela poderia ajudá-lo a fazer um mestrado depois que ele se formasse no Brasil.

“Não, Dona Carmem, essa decisão eu já tomei. Dinheiro a gente faz.”

Rizzo deu aulas de linguagem de programação durante um ano para, com ajuda da Dona Carmem, conseguir tirar o visto. Chegando lá, percebeu que seria mais difícil que imaginava. Se estudar engenharia já é um desafio, ter aulas em inglês e continuar trabalhando todos os dias para cobrir as despesas não facilitava em nada.

O então estudante foi de garçom a estagiário do departamento de energia do governo norte-americano. E não perdia nenhuma oportunidade de tirar uma graninha: chegou a organizar um carnaval para mil pessoas em um clima de -30ºC e a vender brigadeiro, entre outros “bicos”. Foi o período em que ele mais aprendeu sobre a autonomia de ser empreendedor.

Uma cerveja com Patel

No último ano da faculdade de engenharia mecânica com especialização em economia, na Iowa State University, Rizzo conheceu Hitendra Patel, um zambiano com quem frequentemente trocava ideias de negócios.

Debatiam seus futuros empreendimentos na mesa de bar, mas nada saía do papel, até porque sabiam que precisariam se capacitar antes de assumir um risco. Adiaram os planos, mas mantiveram contato.

Em 1992, Rizzo desceu de beca do avião no Brasil, para a alegria dos pais, que não puderam ir à formatura. Logo foi trabalhar na Embraco, em Joinville, onde instalou o 1º link não acadêmico para internet do país. “Trabalhei lá bastante tempo, mas sempre querendo abrir minha própria empresa e muito atento a qualquer oportunidade de aprendizado”, conta.

Quatro anos depois, ele voltou aos EUA a trabalho e reencontrou Patel. Dessa vez com mais bagagem, sentiram a confiança de retomar planos antigos.

De trás pra frente

Ficou apenas mais 7 meses na Embraco, assumindo o chapéu de empreendedor à noite e aos finais de semana. Mais ou menos na mesma época, a empresa de seu pai faliu e o pouco que Rizzo havia economizado foi junto. Eventualmente, pediu as contas e vendeu seu carro.

“Acho que comecei do jeito mais errado possível. Eu não tinha um problema para resolver ou um produto para vender, mas a vontade de empreender era tão grande que inverti a sequência das coisas.”

E se Rizzo já parecia louco de mergulhar assim de cabeça sem uma visão muito clara, mais loucos ainda foram os cinco amigos que conseguiu convencer a pedirem demissão para entrarem como sócios daquele não-negócio.

No entanto, já na primeira reunião, no quarto do apartamento de Rizzo, concordaram sobre a necessidade de aumentar a produtividade nas fábricas. Com o tempo, formataram um produto e saíram para vender.

Preparar, apontar, fogo

Dos 5 sócios, dois não quiseram ficar sem salário e abandonaram o barco. O irmão de um dos 3 que restaram emprestava o Fiat Uno e eles rodavam São Paulo visitando potenciais clientes.

Em uma dessas viagens, dessa vez para o Rio de Janeiro, o time de empreendedores fechou um contrato de 250 mil dólares com uma multinacional farmacêutica.

“Esse foi o gatilho para tudo que veio logo em seguida: receita, competência e referência”, diz Rizzo.

A partir dessa oportunidade, a  Pollux cresceu rapidamente e passou a atender todo o setor farmacêutico. Com 5 anos de operação, já tinham uma equipe robusta e processos bem definidos. O próximo passo seria captar investimento para inclinar ainda mais a curva de crescimento.

Cortando um sonho pela metade

Depois que levantaram capital, a empresa passou por um ano de muitas contratações e muita preparação. Rizzo estava montando o time dos sonhos para arrasar em campo.

“Quando a gente entrou no gramado, os refletores apagaram.”

O ano era 2002. Em meio a mudanças políticas, o dólar disparou, os clientes pararam de comprar e a Pollux entrou na fase mais difícil de sua história.

A equipe estava pronta para um volume de vendas que não vinha. Passou-se janeiro, fevereiro, março, e a situação começou a ficar preocupante.

Com custo fixo alto e muita gente ociosa, Rizzo fez as contas e concluiu: essa empresa vai quebrar.

Infelizmente, a solução era óbvia. O único gasto grande era a folha de pagamento. Rizzo precisou decidir entre reduzir significativamente o quadro de funcionários ou continuar na luta com o time completo, com risco de não dar certo e todo mundo ficar sem trabalho.

“Optei por fazer um corte mais agressivo para não criar um clima de alguém ser demitido toda semana. Melhor pecar pelo excesso para ganhar fôlego e dar uma chance da empresa sobreviver”, conta Rizzo.

Ele nunca havia mandado uma única pessoa embora. De repente, precisou demitir 60 — e até hoje se emociona ao lembrar do dia que teve que comunicar o corte. Apesar de ter sido um enorme desafio pessoal, foi isso que salvou a Pollux da falência.

Como um astronauta

A recuperação levou pelo menos mais 5 anos e exigiu uma revisão de todo o modelo de negócio da Pollux. A necessidade de gerar receita recorrente, por exemplo, levou a empresa a desenvolver um sistema de Robot as a Service, para levar mais inteligência para suprir lacunas da indústria no Brasil.

Hoje, a maioria dos competidores da Pollux são de fora do país. Patel, aliás, continua sendo sócio de Rizzo, apesar de morar nos EUA, e sua atuação é somente como diretor do conselho. Com mais de 140 colaboradores, tiveram um crescimento médio de 95% nos últimos dois anos.

“Sempre me perguntam ‘E aí, Rizzo, como você se sente 20 anos depois, com uma empresa sólida e segura?’. Eu respondo que eu sinto tudo, menos que a empresa é sólida e segura”, ele conta, rindo. “A tecnologia muda muito rápido, o que hoje acho que é certo, amanhã pode não fazer mais sentido.”

Por isso, ele reforça também a necessidade de desbravar novas oportunidades para alcançar um objetivo. “Em 1961, os EUA estavam perdendo a corrida espacial e o ex-presidente Kennedy falou que, até o final da década, eles colocariam um homem na lua”.

Em 1969, foi isso que os EUA fizeram. Recentemente em viagem, Rizzo foi conhecer a apertada cápsula na qual os astronautas se lançaram ao espaço, e se espantou com a coragem daqueles que, por um sonho, se submeteram a esse risco. E completa: “Onde há vontade, há um caminho.”

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, Endeavor Brasil, Time de Conteúdo

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