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Ele nunca quis empreender, até que o sócio e a vida deram o empurrãozinho certo

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oilcheck

Quando um quer, dois empreendem. Veja como duas personalidades opostas deram origem à Oilcheck, 2ª maior empresa de seu setor

Uma mesa de bar em Minas Gerais. De um lado, Carlos Henrique Alves — de perfil extremamente técnico, estudou com afinco a vida toda pensando em ter um bom emprego e se aposentar nele. Morria de medo de empreender. Do outro, Luis Gustavo Milani: um pouco mais ousado, ele sempre quis ser e sempre foi empreendedor.

Felizmente, o sonho de um encontrou a desilusão do outro com o próprio emprego. Num guardanapo de papel, começaram a rabiscar.

Nascia ali a Oilcheck. Os empreendedores desenvolveram um sistema de análise preditiva do óleo para cuidar do bom funcionamento  das máquinas — não muito diferente do exame de sangue que nós fazemos para cuidar da nossa saúde. O resultado é que, em 7 anos de existência, a Oilcheck já é a 2ª maior do mercado.

Empreendedor de si mesmo

Luis tinha apenas seis anos quando acompanhava o irmão com asma na escola de natação. Não queria entrar na água porque em Porto Alegre, onde cresceu, fazia muito frio. Até que um dia resolveu arriscar — com 12 anos, tornou-se campeão e ganhou a primeira remuneração pelo esporte.

Para Luis, começava ali uma vida empreendedora. Foi no esporte profissional que o jovem aprendeu logo cedo que poderia aplicar no mundo dos negócios a mesma garra, disciplina e resiliência que usava para obter suas vitórias na piscina.

Luis lembra que a mãe sempre foi muito presente, levando-o aos treinos, apoiando financeiramente e incentivando moralmente também. “O crescimento no esporte profissional é bem o que dizem: ‘no pain, no gain’ [sem dor, sem ganhos]. É difícil ir lá e fazer na prática, é quase um autoflagelo”, ele conta. Qualquer semelhança com a vida de empreendedor não é mera coincidência.

Com 16 anos, ele já era campeão brasileiro. Com o esporte vieram também outras oportunidades. Por exemplo, uma bolsa de estudos para concluir o ensino médio nos EUA. Sem saber uma palavra de inglês, seguiu o conselho do professor americano: “Se você aprender mais de 2.000 palavras, sabe falar o idioma”. Luis mergulhou no dicionário. Foi estudando e contando as palavras, até que, ao completar a meta, começou a sonhar em inglês.

De volta ao Brasil, chegou a cursar comércio exterior, mas deixou a faculdade para ser representante comercial de um frigorífico, abrindo uma distribuidora de alimentos em Belo Horizonte. Vale dizer: Luis tinha apenas 21 anos. Ele nunca teve carteira assinada na vida.

Anos depois, por causa da esposa, se mudou para a Austrália e abriu uma empresa que importava e comercializava higienizadores de ambiente para asmáticos. Quando conheceu a tecnologia de microfiltragem patenteada por uma empresa australiana, ficou louco para levar a tecnologia para o Brasil.

A essa altura, com pelo menos 15 anos de experiência empreendedora, procurou o maior laboratório de análise de óleo do país para provar a efetividade da microfiltragem como argumento de venda. O laboratório era o Sotreq, braço da Caterpillar. E o profissional que o atendia? Carlos.

Entre as trocas técnicas, os dois acabaram amigos, mas seus projetos de vida profissional eram muito diferentes.

9 to 5

De origem humilde, Carlos sempre estudou em escola pública e estava sempre buscando se capacitar. A mãe, mesmo sem ter tido estudo, foi o grande pilar de sustentação, em todos os sentidos, na vida de Carlos: “Eu nem trabalhava, só estudava. Foi ela que realmente fez a diferença na minha vida e, se não fosse essa base, eu não teria chegado onde cheguei.”

Carlos foi um dos únicos dois alunos da escola que passou no curso técnico de mecânica. O destino certo de todos os colegas era cursar engenharia, mas Carlos decidiu ir para o curso de tecnologia e normalização em qualidade.

Com uma  carreira técnica  bem-sucedida, participou de vários treinamentos fora do Brasil para se qualificar cada vez mais, como faz até hoje.  Quando ele e Luis ficaram amigos, o segundo sempre chamava o primeiro para montarem algo juntos. “E eu dizendo que não, que não, que não”, conta Carlos.

Isso porque, nessas horas, Carlos só lembrava do pai, que sempre foi empregado e prezou pela segurança:

“Você segue a referência que você tem, e o que eu tinha era isso: ser um excelente funcionário, a empresa o reconhece, você trabalha direito e fica lá até se aposentar.”

E, afinal de contas, Carlos estava bem em seu cargo de coordenação. Por que mexer em time que está ganhando?

A hora da virada

Tudo mudou no dia em que Carlos foi pedir uma oportunidade para seu chefe. A reação foi muito grosseira, e o superior disse que ele nunca teria uma oportunidade de crescer lá dentro. Carlos ficou devastado. Ligou para o Luis e eles foram conversar em um bar.

- “Eu só sei mexer com laboratório”, disse Carlos

- “Então vamos  montar o laboratório!”, respondeu Luis.

 

Carlos pegou um guardanapo e foi colocando os itens e os valores que achava que precisariam. No final, a soma deu R$ 500 mil. “A gente achou que era fácil, que os amigos dele que tinham dinheiro emprestariam, mas não. Amigo não empresta dinheiro pra ninguém, é mentira”, brinca.

Mas se R$ 500 mil já ia ser complicado de arranjar, imagina quando perceberam que a conta real dava R$ 3 milhões. Aí começou o dilema de todo empreendedor: como conseguir os recursos?

Fizeram um plano de negócios em outubro de 2008 para começar a empresa em junho de 2009. Não atraíram investidores, mas Carlos conseguiu apoio de três fornecedores, com quem já mantinha bom relacionamento, e cada um ajudou de uma forma. Com esse desafio superado, faltava gerar receita.

Como Carlos já tinha uma boa reputação na Sotreq, a expectativa era de que os clientes viriam facilmente. Errado. Muita sola de sapato foi gasta, mas o que fez diferença, segundo Carlos, era a maneira como eles mesmos se enxergavam e se colocavam frente a um potencial cliente:

“A gente sempre se mostrou grande. Desde o primeiro dia, achavam que a gente era uma megaempresa. Mesmo sendo pequeno, a gente sabia que podia entregar um produto de qualidade.”

Para Luis, todo o aprendizado do mercado foi outro grande desafio: “Quando migrei para o ramo de análise de óleo, eu não conhecia nada.” Desde o início, quando começou a trabalhar com filtros na Austrália, precisou estudar muito. “Para migrar de segmento, tem que entendê-lo muito rapidamente e profundamente.”

Aperto e crescimento

Na época, havia duas grandes empresas no mercado, mas elas faziam a mesma coisa há muito tempo. A inovação da Oilcheck estava principalmente na forma de atendimento e suporte ao cliente.

Luis explica que “algumas empresas agem como os médicos que prescrevem a receita e nem o farmacêutico consegue ler”. Isso a concorrência fazia muito, segundo eles, quando deixavam de mostrar ao cliente o que fazer, com procedimentos claros: “Eles não davam diretrizes nem suporte. A gente não entrega só um número, a gente entrega a solução.” Outro grande diferencial foi a agilidade: o diagnóstico completo poderia ser feito em até 24 horas.

Mas quando tudo parecia ir bem, um susto. Em 2010, por um reflexo da crise global no mercado, o faturamento da Oilcheck teve uma queda de 50%. Não havia recursos, nem linha de crédito nos bancos, para cobrir o caixa. A empresa quase faliu.

Carlos relembra o sufoco: “Tinha folha para pagar e nenhum dinheiro.” Eles pegaram os carros da empresa, refinanciaram, e com R$ 100 mil deu para se virar por um tempo, até conseguirem voltaram a vender. “Foram quatro meses de aperto, mas a reserva de casa estava separada. Não dá para misturar pessoal com profissional, é o erro de muito empreendedor.”

Para Luis, o aprendizado foi claro: diversificar os segmentos e mercados para sofrer menor impacto em situações adversas. Em outras palavras, dividir os ovos entre várias cestas. “Em uma crise, deve-se ter muitas portas abertas e com oportunidades sólidas”, ele complementa.

Depois disso, não pararam mais de crescer. Com novos clientes e mais visibilidade, os sócios focaram na área comercial e conquistaram grandes empresas que permanecem no portfólio até hoje.

“Objetivo é tudo”

“Tento sempre  buscar um diferencial do que tem no mercado e nunca desistir, mas nunca mesmo. Tem dias que você volta para casa e dá vontade de quase morrer. No outro dia de manhã, tem que estar acordado zero, pulando e correndo atrás de novo do objetivo. O objetivo é tudo. Ainda bem que eu não perdi isso ainda”, diz Luis.

Por isso a perseverança é chave para qualquer empreendedor. Hoje, a Oilcheck tem 50 funcionários e sede em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, atuando nos mercados de construção, máquinas agrícolas e indústria. O plano de expansão foi desenhado em um novo modelo, e a empresa vai atuar como uma agência que presta serviços de suporte e vendas, com parceiros locais. Com o investimento, a expectativa é fechar 2016 com um crescimento de 26% em relação ao ano passado.

Carlos não teria vivido isso tudo se lá em 2008 seu chefe tivesse reagido de forma diferente. Ele mesmo admite:

“Se o Luis não tivesse me chamado, não ia empreender jamais. Se o cara falasse ‘vou te dar um aumento, te botar num cargo melhor’, eu teria ficado lá.”

Mas há males que vêm para o bem, e Carlos tomou gosto pela coisa. “Hoje já tenho pelo menos dois projetos para outros negócios, que não têm nada a ver com o nosso atual. Do mesmo jeito que o Luis me ajudou, eu acho que tenho obrigação de ajudar outras pessoas.”

Este artigo é uma parceria de produção entre Endeavor e Sebrae

Correalização:

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A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 20 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Acreditamos que a força do exemplo é o caminho para multiplicar empreendedores que transformam o Brasil e por isso trazemos aprendizados práticos e histórias de superação de grandes nomes do empreendedorismo para que se disseminem e ajudem empreendedores a transformarem seus sonhos grandes e negócios de alto impacto.

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2 Comentários

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  1. leonardosm@mardini.com.br - says:

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    Sensacional o Artigo e me trouxe Insights Incríveis, Parabéns Carlos e Luís :)

  2. Gustavo Woltmann - says:

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    Uma história inspiradora que nos ajuda a entender que nunca é tarde para mudar e começar um sonho.