Impactos da crise no cenário de Venture Capital

Endeavor Brasil
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A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Neste artigo, compilamos aprendizados e insights de mentores da rede da Endeavor sobre os impactos da crise nas atividades de Venture Capital no Brasil. Esse material faz parte de uma série de conteúdos lançados pela Endeavor para ajudar empreendedores a navegarem pela crise. 

O cenário de alta incerteza e a queda da economia são dois grandes fatores que inibem novos investimentos de risco. Os fundos que já captaram e possuem capital estão sendo mais criteriosos em relação às empresas que irão investir. Outros estão adiando ou congelando as rodadas que aconteceriam nas próximas semanas, fazendo com que novos deals demorem mais para serem fechados. Neste momento, é natural que os fundos utilizem seu capital para apoiar as empresas de seus portfólios. 

Por outro lado, as scale-ups podem sofrer um choque negativo significativo em sua receita no curto prazo. Assim, com a desaceleração da economia em alguns setores, temos um impacto no top line revenue (receita bruta) de 15% a 80%, e as empresas precisam estar preparadas para enfrentar isso. 

De toda forma, os investidores não vão parar de analisar as oportunidades para investimento. Porém, duas tendências podem ocorrer no mercado de Venture Capital:

Expectativa dos investidores de Venture Capital na crise

Apesar da incerteza, os investidores estão esperando que o período mais crítico da pandemia dure apenas alguns meses, como aconteceu na China. Com isso, o impacto será reduzido em investimentos com horizontes mais longos. É esperado que haja uma retomada com um nível de atividade menor por falta de liquidez dos investidores em três ou quatro meses.

Nesse cenário, os investidores estão mais criteriosos com a saúde dos negócios e o potencial da empresa no pós crise. Além disso, os valuations serão impactados, considerando dois fatores: impacto negativo na receita e fluxo de caixa em 2020, e taxas de desconto elevadas devido ao risco.

O impacto será mais relevante para as empresas que estão em setores diretamente afetados, como eventos e serviços que lidam com público, já que a redução demanda de três ou quatro meses afeta os resultados financeiros de curto prazo. Dessa forma, o ideal seria que os empreendedores destas categorias aguardassem a recuperação dos seus resultados para realizar as captações. 

Perspectivas em Investimentos Early-stage e Growth Capital

O que os investidores recomendam

Preservar o caixa

Para scale-ups, o foco está no crescimento, mas em um momento de instabilidade, é fundamental voltar a atenção para o caixa. 

Por isso, é necessário manter um nível de caixa elevado para os próximos seis meses e não fazer investimentos de aumento de capacidade. É recomendável cortar todos os excessos das despesas administrativas e reduzir gastos de marketing e despesas de vendas.

Uma dica é fazer testes de stress, assumindo que não irá conseguir captar nos próximos 18 meses, reduzindo a estimativa de receita em 30% e mantendo despesas constantes. Assim, se o resultado sugerir que não há caixa para sobreviver, será preciso buscar alternativas de corte de custos e formas de financiar o caixa. 

Para empresas que estavam com o mindset do blitzscaling, é preciso fazer uma pausa para preservar o caixa – vale ressaltar que essa mentalidade tem como premissa a abundância de capital.

Nesse momento, caixa é mais importante do que crescimento

É recomendado traçar um plano de negócios com cenário otimista, moderado e pessimista. No pessimista, assuma queda drástica de receita, incluindo exercícios de volumetria, preço, alteração de custos, investimentos, rentabilidade e evolução de caixa. Para cada possibilidade, desenhe uma estratégia de negócios. Sendo assim, tenha um plano mais flexível, pois o futuro ainda é incerto.

Buscar outras alternativas de capital

Nesse momento, o ideal é captar dívidas de curto prazo para eventuais emergências de capital de giro. Assim, se possui linhas de crédito aprovadas, é recomendado fechar a operação.

Além disso, outra opção é o venture debt, que pode funcionar como um empréstimo-ponte até a próxima rodada de captação.

Olhar para o futuro de venture capital e não focar na crise

O melhor cenário é analisar a margem, rentabilidade, estratégia e escalabilidade do produto, para se preparar para a volta do mercado, buscando maneiras de tomar proveito de um momento onde o desespero dos competidores pode trazer vantagens competitivas duradouras de longo prazo.

A indústria de Venture Capital é de longo prazo e está capitalizada.

Sendo assim, embora alguns fundos estão mais conservadores em relação a preço e timing, outros estão mantendo as previsões de novos investimentos.

Continuar fazendo o processo de levantar capital e trabalhar em conjunto com os potenciais investidores é o melhor a fazer. Ao mesmo tempo, não deixe de medidas de austeridade nos custos, alongando o tempo de necessidade de caixa da empresa. 

Ainda não é certo o impacto na economia e no resultado das empresas, mas é preciso continuar trabalhando na expectativa de uma melhora e se preparar para esse momento.


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