O Ponto de Vista do Investidor

Alexandre Pierantoni
Alexandre Pierantoni

Graduado em administração de empresas na Alemanha (IHK) e ciências econômicas no Brasil, onde também concluiu, pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV MBA com especialização em finanças. Recentemente realizou cursos de especialização em negociação de empresas e liderança em Northwestern/ Kellogg e MIT, ambas nos EUA. Alexandre é membro voluntário da Endeavor no Brasil desde o ano 2001

Mais da metade das transações no estado de due diligence não são concluídas. É preciso conhecimento local, com respeito à cultura de cada país e a alocação dos recursos.

Em diversos casos, a melhor forma de se preparar para uma situação é se colocando considerando o ponto de vista do outro lado (neste caso, como trato do tema de fusões e aquisições, me colocarei desta vez nos sapatos do investidor/comprador). A questão que busco explorar neste texto está relacionada a quais seriam os principais motivos do não fechamento de uma transação – e, desta forma, permitir a melhor preparação do ponto de vista do vendedor para um processo.

As transações em mercados emergentes (no qual o Brasil é destaque) apresentam desafios particulares relacionados a questões culturais, de disponibilidade e qualidade de informação, regulatórias, gestão de pessoas e operacionais, etc. Sim, é desafiador desenvolver processo nestes mercados, mas as transações têm sido feitas e os mercados emergentes são o alvo de investimento do momento. Empresas e executivos tem sido questionados pela presença nestes mercados.

Dentre as principais razões da não conclusão das transações nestes países podemos destacar 3 categorias. A primeira relacionada ao ativo em sí (no caso a empresa objeto da transação), onde as principais razões estão relacionadas (1) a qualidade e transparência das informações, (2) a diferença de percepção de valores (avaliação) entre vendedor e investidor, (3) não alinhamento entre as práticas da empresa e as “melhores formas de fazer negócio” e, (4) questões relacionadas ao pós-fechamento da transação.

Como segunda categoria, podemos destacar questões relacionadas ao vendedor. Nessa, destacaria as questões sobre (1) a negociação de aspectos contratuais (aspectos não relacionados diretamente a valor/ preço e que tendem a ter sua importância subestimada pelo vendedor em um primeiro momento) e, (2) conflitos entre os sócios (atuais ou futuros).

Na terceira categoria, incluímos questões relacionadas a outros interessados (ou stakeholders), onde podemos colocar o governo, em sua forma geral. Assim, deve-se medir a influência que o governo pode ter na transação.

Apresentadas as categorias, e por nossa experiência em transações, chegamos a algumas conclusões:

· Entre 50% e 60% das transações que chegam ao estágio de due diligence não são completadas;

· Aproximadamente 40% das transações não são concluídas por diferença de expectativa de valor entre vendedor e comprador;

· Cerca de 30%  apresentam problema entre vendedor e comprador, e a nova sociedade, após serem efetivadas;

· Problemas no contexto “pós-transação” podem custar ao investidor até 50% do valor do investimento.

E como os investidores agem (ou deveriam agir!) para minimizar estes problemas? Não há uma receita de sucesso para maximizar os resultados, mas, baseado em nossa experiência, podemos listar:

1. Definição da estratégia de investimento no primeiro momento;

2. Priorizar mercados;

3. Ter presença local no mercado selecionado e “ir a este mercado”

4. Alocar os melhores recursos ao processo

5. Adotar as melhores práticas para abordagem e negociação no mercado priorizado.

Em suma, verificamos que o conhecimento local é um dos diferenciais principais, com respeito à cultura de cada país e a alocação dos principais recursos. Em uma transação, devemos entender a abordagem e seriedade do investidor vis-a-vis estes pontos e prepararmo-nos para endereçar, da melhor forma, preocupações como as mencionadas.

 

Alexandre Pierantoni é sócio da PwC Brasil, especialista em Corporate Finance, e também escreveu sobre “A Hora Certa de Vender sua Empresa”.

 

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