Os Investidores Podem Salvar a Economia

Alexandre Pierantoni
Alexandre Pierantoni

Graduado em administração de empresas na Alemanha (IHK) e ciências econômicas no Brasil, onde também concluiu, pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV MBA com especialização em finanças. Recentemente realizou cursos de especialização em negociação de empresas e liderança em Northwestern/ Kellogg e MIT, ambas nos EUA. Alexandre é membro voluntário da Endeavor no Brasil desde o ano 2001

Os investidores são parceiros naturais do empreendedore porque dão suporte ao crescimento das empresas e oferecem conhecimento de negócios, melhores práticas de gestão e cultura de planejamento.

Os investimentos de Private Equity estiveram presentes em 42% das transações de fusões e aquisições no primeiro semestre e estão capitalizados para injetar cerca de US$ 15 bilhões em nossa economia nos próximos anos. Mais do que recursos financeiros, os investidores desse tipo aportam também conhecimento de negócios, melhores práticas de governança corporativa, profissionalização e a cultura de planejamento de médio e longo prazos. São, então, um parceiro natural aos empreendedores!

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O momento é bastante oportuno. Esses investimentos estão dando suporte ao crescimento de empresas de diversos setores que, desta forma, aproveitam as oportunidades propiciadas pelo excelente momento econômico brasileiro. Tal como no Brasil, os investimentos de Private Equity desempenham papel importante também em outras economias, inclusive naquelas que atualmente se recuperam dos recentes desdobramentos da crise financeira global iniciada em 2008.

Embora existam significativas diferenças sociais, econômicas e de perspectivas de mercado, dentre outras, entre os mercados há uma inegável característica comum: a importância da participação dos investidores de Private Equity na recuperação e na expansão das economias.

Os resultados das pesquisas realizadas pela PwC em anos anteriores junto a este investidor de perfil tipicamente financeiro indicavam que as empresas investidas estavam fortemente concentradas no corte e na otimização de custos, e este foi o direcionador da indústria nos países desenvolvidos durante o período de 2008 a 2010: sobrevivência no momento de crise.

Atualmente a percepção é muito mais completa. O contexto atual demonstra que as empresas investidas profissionalizaram-se e tiveram desempenho superior ao esperado. Além disto, elas têm hoje uma estratégia muito clara da necessidade de crescimento e de perpetuidade de suas operações. Além de recursos, aportar este conhecimento é essencial.

A expansão dos negócios é o principal objetivo dos investidores e das empresas investidas (portfolio companies), que voltam a considerar aquisições e consolidações. O período de permanência nos investimentos (holding periods) está maior. Os resultados da atual pesquisa revelam, no entanto, que a alavancagem financeira continua sendo uma preocupação, pois ainda há muitas dívidas nos balanços e haverá a necessidade de rolagem.

A capacidade de atrair e reter talentos é outro importante diferencial numa época em que há uma generalizada escassez de pessoal qualificado em todos os setores (e economias), assim como absorver o expertise financeiro do investidor que chega com os recursos de private equity. E por fim, mas não menos importante, é fundamental ter em prática os princípios de governança corporativa, que em períodos de crise ou bonança é a ferramenta de controle e valorização das empresas.

Estes pontos de atenção detectados na pesquisa da PwC são aplicáveis em qualquer economia. Seja no Brasil, onde o investidor de Private Equity tem um papel importante na consolidação do país num momento em que há enorme necessidade de investimentos em diversos setores, seja nos mercados desenvolvidos, como a Inglaterra, que necessitam desse tipo de investimento para retornar ao patamar de atividade econômica pré-crise.

Alexandre Pierantoni é sócio da PwC Brasil, especialista em Corporate Finance, e também escreveu sobre as Fusôes e Aquisições como oportunidades para emrpesas brasileiras.