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Como o Brasil se tornou um celeiro de unicórnios e o que vem pela frente

Endeavor Brasil
Endeavor Brasil

A Endeavor é a rede formada pelas empreendedoras e empreendedores à frente das scale-ups que mais crescem no mundo e que são grandes exemplos para o país.

Uma coisa é certa: o futuro do mundo está acontecendo na América Latina. E o futuro da América Latina está acontecendo no Brasil. Empresas brasileiras já ocupam seu próprio espaço no mapa de inovação global, criando soluções que competem com os maiores players do mundo.  Um reflexo disso é o número de novos unicórnios e de empresas abrindo capital por aqui

Estamos vivendo uma onda de Venture Capital nunca vista antes. No Brasil, o número de rodadas e o volume de capital não param de aumentar e as rodadas estão cada vez mais frequentes no ecossistema. 

Nos nove primeiros meses de 2021, o Brasil bateu a marca de R$ 33,5 bilhões investidos em 226 empresas, de acordo com a ABVCAP. Ao mesmo tempo, novos unicórnios estão surgindo em um ritmo muito acelerado. E isso tudo acontece por causa das baixas taxas de juros e a alta liquidez do mercado global.

Em paralelo, observamos um amadurecimento dos players do ecossistema, criando condições favoráveis para a multiplicação de unicórnios no país.

De acordo com a LAVCA, os unicórnios brasileiros equivalem a 66% de todos os unicórnios da América Latina, enquanto o México, em segundo lugar, representa 19% desse total. No entanto, ainda estamos muito atrás de ecossistemas como o dos EUA, que possui 242 unicórnios, com base em dados do Crunchbase.

O primeiro unicórnio de 2021 foi a MadeiraMadeira, que cresceu 120% no ano passado e já lançou mais de 100 lojas durante a pandemia. Em março, foi a vez da Hotmart. Depois, foi a unico, uma IDtech brasileira, que celebrou esse título. 

Contexto do ecossistema brasilero

O mercado de Venture Capital nem sempre foi assim. Há 3 anos, em 2018, o Brasil celebrava o surgimento do seu primeiro unicórnio nacional: a 99 Táxi. Na época, o número de investidoras e investidores era muito menor, assim como o apetite para investir. 

De lá pra cá, o mercado de Venture Capital se aqueceu, e com ele, vinte unicórnios surgiram.

Só dentro da rede Endeavor, 19 empresas lideradas por Empreendedoras e Empreendedores Endeavor levantaram capital em rodadas de equity do início de 2021 até aqui. A estimativa é que, juntas, aportaram mais de R$ 11,46 bilhões. Além disso, com base no Brazil Digital Report 2020, da Mckinsey, o tempo médio para se tornar um unicórnio no Brasil saiu de 12 anos para 8 meses, no caso das empresas que foram fundadas em 2018. Essa velocidade é resultado das mudanças que vêm ocorrendo no ecossistema brasileiro e no mercado de Venture Capital.

Fatores de desenvolvimento de unicórnios

Em 2000, éramos o país que não tinha o termo “empreendedorismo” no dicionário. Hoje, somos um dos principais mercados de inovação e Venture Capital. 

Nesse intervalo, o ambiente de negócios brasileiro se tornou muito mais favorável para o desenvolvimento de ideias inovadoras. Isso se deve ao amadurecimento e ao aumento do número de players no mercado – aceleradoras, incubadoras e fundos de investimento – que dão estrutura, recursos e condições para empreendedoras e empreendedores escalarem seus negócios. 

Além disso, o Brasil possui muitas oportunidades de inovação em problemas estruturais, econômicos, sociais, ambientais e etc. Esses gargalos, aliados a alta digitalização da população brasileira e a disposição dos consumidores em adotar novos produtos e serviços inovadores possibilitam um solo fértil para os unicórnios. 

Para potencializar esse cenário, nos deparamos com mudanças legais e regulatórias em curso no país, como open banking, a liberação de telemedicina, e as reformas trabalhista e previdenciária. Tudo isso em meio a uma pandemia, que alterou o ritmo do ecossistema, impulsionando a digitalização da economia, e transformando os modelos de negócio.

São todos esses fatores, juntos, que possibilitam a existência de unicórnios, M&As e IPOs.

Tendências 

Hoje, o Brasil é, oficialmente, um celeiro de unicórnios. Diante deste movimento, vemos algumas tendências: 

1. Aumento do tamanho dos aportes de capital

Uma nova tendência do mercado de Venture Capital são os elevados cheques aportados nas scale-ups. Diante de objetivos de crescimento mais ambiciosos, essas empresas têm levantado cada vez mais capital, elevando o ticket médio desde as rodadas seed até rodadas late-stage.

2. Dinamização do mercado de Venture Capital

A indústria de Venture Capital se tornou mais global e conectada, eliminando barreiras geográficas e dinamizando o mercado. Por consequência, construir relacionamento, negociar term sheet e fazer reuniões de conselho se tornaram processos muito mais rápidos e digitalizados. 

3. Surgimento de inovações em setores pouco explorados

A partir das mudanças comportamentais causadas pela pandemia, novos setores ganharam destaque no ecossistema, como por exemplo healtech, edtech e fintech. Assim, abriu espaço para a transformação digital e, com isso, fundos de investimentos voltaram sua atenção para esses setores.

Venture Capital nunca foi tão importante para o ecossistema de inovação e para as scale-ups, e a expectativa é que se torne cada vez mais decisivo.

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