Como captar recursos com um investidor?

Humberto Matsuda

É o empreendedor que precisa buscar o investidor certo ou o investidor que deve saber exatamente onde investir?

 

"Common sense is not so common." – Voltaire

Por que uma empresa consegue captar recursos e tantas outras parecidas não conseguem? Quais são as deficiências desta ou daquela empresa? Por que alguns investidores se contradizem? O que é possível fazer para transformar uma empresa em um objeto de desejo entre os investidores? Por que é tão difícil captar recursos com investidores?

A regra de ouro que resumirá todos os pontos relevantes será sempre a mesma: só capta recursos a empresa que é objetivamente e subjetivamente o que o investidor está procurando. Em outras palavras, cada investidor sabe (ou deveria saber) exatamente qual o perfil da empresa em que ele quer investir e somente as empresas que se encaixarem nesse perfil tem chances concretas de receber aportes.

Por outro lado, é dever do empreendedor saber escolher o investidor certo para a sua empresa. Ora, se os investidores sabem o que procuram, busque investidores que procuram investir em empresas como a sua.

Para que esta avaliação seja possível (tanto para a escolha das empresas como para a escolha do investidor) precisamos entender o que é de fato o investidor, quais são as especificidades que cada investidor busca, por que cada investidor é diferente do outro, dentre muitos outros aspectos que fazem a diferença. Ao mesmo tempo, cada empreendedor deve ser capaz de avaliar a sua empresa em termos absolutos, ou seja, saber se tem as características que os investidores procuram, se realmente o ideal é captar com um investidor, qual a participação que deve ceder; como fazer um pitch; etc.

Para piorar, a coisa não é tão simples assim. Muitas vezes os empreendedores buscam respostas em exemplos que não se aplicam às suas empresas, esquecem que não estamos nos EUA ou no Silicon Valley, que o custo de capital no Brasil é diferente do que em outros países, que um investidor não é um banco… E por quê tantos investidores reclamam que faltam boas oportunidades no mercado?

O que é mais caro para uma empresa? Uma dívida ou investimento em participações?

O mais importante ao longo desse processo é entender os porquês. Nos próximos posts vou tentar detalhar os aspectos fundamentais que respondem a tais perguntas para que cada empreendedor possa começar a entender se a sua própria empresa é atraente, se é possível consertá-la e se é realmente bom para a empresa captar com um investidor.

Os primeiros posts focarão no antes do investimento. O que é a atividade de investimento, o que a empresa precisa ser para captar. Em um segundo momento, pretendo discutir como chamar a atenção, fazer um pitch, negociar, etc…

Depois disso tudo, as coisas ficarão mais interessantes!

Assim, convido os leitores a postarem nos comentários opiniões e dúvidas pertinentes para enriquecer e direcionar o conteúdo desta coluna. Espero (mesmo sabendo que isso é praticamente impossível) abranger todos os subtópicos de cada post respondendo aos comentários e, caso existam muitas dúvidas, criarei um post específico para não deixar passar nada.

Um outro disclaimer que se faz necessário é que darei foco apenas na lógica de startups, ou seja, em investimento de seed e early stage deixando os aspectos referentes a investimentos em empresas maduras ou negociadas em bolsa de fora desta coluna.

Até a próxima.

 

Humberto Matsuda é Managing Partner e Vice-Presidente de Venture Capital na Performa Investimentos.