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Capital: 4 perguntas para Laura Constantini, da Astella

Endeavor Brasil
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A Endeavor é a rede formada pelas empreendedoras e empreendedores à frente das scale-ups que mais crescem no mundo e que são grandes exemplos para o país.

O processo de fundraising é como uma venda. Você precisa testar e repetir muitas vezes para chegar em um modelo que funciona. É um desafio, você vai ouvir mais ‘não’ do que ‘sim’. Mas, se você entender esse processo como aprendizado, e encarar os feedbacks como dicas para desenvolver e ajustar o seu negócio, vai ser bastante valioso. 

Essa foi a fala da Laura Constantini, Mentora Endeavor e sócia e co-fundadora da Astella Investimentos, em uma mentoria para o Programa Scale-Up Endeavor. 

4 perguntas para Laura Constantini

Como nosso papel aqui na Endeavor é que as scale-ups busquem o capital ideal para o seu crescimento e que fundadoras e fundadores encontrem termos justos e alinhados com suas visões de futuro, compartilhamos quatro aprendizados da mentoria, confira! 

Como saber se faz sentido captar com Venture Capital ou não?

O primeiro ponto é o mindset. É preciso ter disposição para entender que, ao entrar em uma jornada de Venture Capital, você vai estar sempre captando. Nesse processo, vai ter que conciliar aprendizado e execução constantemente. 

O segundo ponto é saber como preparar a sua scale-up para isso. Ou seja, garantir que seu cap table está saudável, que o negócio é escalável e possui hipóteses de escalabilidade muito coerentes. 

É importante entender a jornada, quais são os conflitos de interesse com os fundos e como alinhar essas questões. O fundo, em algum momento precisa sair, pois existe um compromisso de devolver o recurso para investidoras e investidores a um valor elevado. Não deve ser um segredo que o fundo precisa sair. Tudo precisa ser colocado com muita transparência. 

O que eu tenho que estruturar para um primeiro papo com fundos de Venture Capital?

Depende do estágio da scale-up. 

Geralmente, fundos de Venture Capital segmentam scale-ups com base na maturidade do negócio. Quando estamos falando de anjo e pré-seed, olhamos para product-market fit – ou seja, você precisa provar que pessoas vão comprar o seu produto e a sua solução. É importante ter a hipótese do tamanho do mercado e do porquê deve ser construído. Outro ponto importante é a relação entre fundadoras e fundadores – se já trabalharam juntas e juntos, como se conhecem, como se encontraram, como tiveram a ideia e qual a intimidade que vocês têm com o problema e com o mercado que estão endereçando.

O investimento seed ocorre quando existe tração e o product-market fit já foi superado. É o momento em que nós, do fundo, buscamos entender quais os canais mais eficientes e economicamente viáveis e o ticket médio. Nesse momento, você precisa se preparar para provar a eficiência do canal e concretizar a hipótese da máquina de vendas, ou seja, comprovar que a alternativa que você escolheu é a mais eficiente de distribuir seu produto. 

Na série A é hora de pensar em outras possibilidades de crescer. É o momento de acelerar o crescimento por meio de novos  produtos e soluções.  A ideia é não perder a aceleração e não manter a mesma velocidade de crescimento, é acelerar. Aqui, é preciso preparar o que comprova que você consegue escalar sua máquina de vendas.

Já na Series B depende muito da estratégia de crescimento, então, aqui foge um pouco do padrão de como se preparar. 

Não comecei a jornada de Venture Capital com anjo e seed, é possível ir direto para um Series A?

Isso não é um problema. Pelo contrário, se você conseguiu chegar em um Series A sem dar participação, melhor pra você. 

Nesse contexto, se a sua taxa de crescimento estiver abaixo da mediana das empresas nesse estágio, a investidora ou o investidor talvez vá querer mais informações da scale-up, vai tentar entender se a sua taxa de crescimento menor é resultado da escassez de recursos ou de outra questão do produto ou da máquina de vendas. 

O trade-off de captar com Venture Capital posteriormente na jornada é ter mais tempo para provar para investidoras e investidores que sua scale-up merece o capital.

Fiz a captação, o que devo esperar do relacionamento pós-investimento?

É importante entender quem é a investidora ou investidor e o que você deve esperar dessa relação. Isso vai depender do perfil da pessoa que você está trazendo para dentro. A scale-up precisa adequar quem investe ao desafio que a empresa está enfrentando. 

Existem fundos que dão mais dinheiro e permitem você errar mais, mas tendo como ônus a diluição do cap table. Tem fundos que dão mais suporte nas operações, com materiais e conhecimento para fazer com que a scale-up seja escalável e eficiente. Tem fundos que são muito bons em network, então vão te trazer leads para contratação, apresentar para bons parceiros e clientes. O ideal é adequar todos esses perfis, mas às vezes existem conflitos de interesses, então é importante entender como conciliar isso.

Outro ponto é o estágio. Em cada fase existem desafios específicos e os fundos costumam ser especializados nesses estágios. É importante também que vocês falem com as empresas investidas dos fundos para entender como o fundo se porta, como ajuda e como exige. Dada a alta assimetria desse mercado, não pense duas vezes, vá direto na fonte para evitar ruídos.

Dica extra

Livro Startup Boards: Getting the Most Out of Your Board of Directors

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