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5 dicas para não se perder depois de muitas mentorias

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Ouvir lições de pessoas mais experientes e ter alguém com quem compartilhar dilemas é fundamental para o empreendedor, mas no fim do dia é ele quem deve tomar a decisão

“Empreendedor esponja”. Foi esse o apelido que eu e meu sócio na Movile ganhamos carinhosamente da equipe da Endeavor, pelas várias mentorias que fizemos durante o processo seletivo. Era assim mesmo. A gente pedia ajuda, ouvia tantas opiniões quanto o tempo permitisse e, se a solução fosse fácil de testar, tirava logo as ideias do papel. Absorvíamos o que podíamos e guardávamos os conselhos que fizessem sentido.

No meio de tantos conselhos, era de se esperar que, às vezes, ficássemos perdidos, sem saber exatamente o que fazer ou por onde começar. Sim, porque mentorias podem ter um lado B: depois de ouvir tanto, pode ser que você queira fazer tudo ao mesmo tempo ou se perca no meio de tanta informação.

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Atualmente, tocando a aceleradora digital 21212 e atuando como mentor, consigo visualizar melhor como nos comportávamos e qual postura nos ajudava a aproveitar as orientações dos mentores sem nos afogar nas diferentes opiniões.

1. Saiba qual problema você está indo resolver

Para evitar se perder em meio a conselhos diferentes, a minha primeira dica é saber exatamente por que você está solicitando aquela mentoria.

As mentorias mais produtivas são aquelas que têm um problema específico para solucionar. É claro que é muito interessante ouvir uma palestra de um empreendedor sobre como ele ou ela construiu uma rede de centenas de franquias, ou como um e-commerce se tornou o maior do setor. Mas as histórias genéricas, por mais inspiradoras que sejam, pouco ajudam a resolver os problemas práticos do empreendedor que está começando ou enfrentando uma dor de crescimento.

Eu acredito muito na mentoria quando ela é direcionada para tomada de decisão, não para um bate papo.

Ao sentar na frente do mentor, o problema precisa estar muito nítido para os empreendedores. Nós só agendávamos uma mentoria se a dúvida estivesse bem definida. Queremos mudar a estratégia da empresa? Abrir um novo canal de vendas? Atuar em um país com uma cultura muito diferente? Criar um plano de remuneração variável para a equipe de vendas? É preciso ter foco, inclusive porque isso ajuda a escolher o mentor mais adequado para cada momento. Já vi casos de empreendedores que chegaram para uma mentoria sem ter absolutamente nenhuma pergunta objetiva para fazer ou mesmo perguntando “estou completamente perdido, o que eu faço?” – como se fosse possível um mentor resolver isso!

Sempre que se fala em ter um sonho grande, lembre-se de que são várias pequenas conquistas que farão sua empresa chegar até ele. Se você parcelar o seu sonho e tiver claro quais problemas precisa tirar da frente primeiro, será mais fácil ouvir opiniões e decidir qual caminho seguir.

É comum, entretanto, que em alguns casos, o empreendedor esteja um pouco perdido e precise de uma mentoria exatamente para achar o seu problema. E tudo bem. Nesse caso, a conversa será um brainstorming e uma análise mais geral do negócio. Mas essa não deve ser a regra para mentorias, e sim um caso pontual.

2. Cultive a relação com o mentor para evoluir

Também é importante ter em mente que a mentoria é um processo. Não é uma conversa que resolve os dilemas do empreendedor. Ela precisa ser desenvolvida.

Uma atitude muito positiva para nós sempre foi a postura de enxergar a mentoria como uma via de duas mãos. Sempre que algum mentor se colocava à disposição para nos ajudar, considerávamos nossa responsabilidade atualizá-lo, mesmo que nossos updates não fossem respondidos. Dizíamos o que estava sendo feito e quais os resultados. Muitos mentores ficavam satisfeitos porque também tinham ali uma oportunidade de aprender, assim como hoje eu aprendo sobre vários mercado com cada um dos meus mentorados.

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Se encontrávamos uma sugestão interessante e se fosse possível implementá-la rapidamente, testávamos o quanto antes. Assim, no encontro seguinte com o mentor, já tínhamos o desdobramento daquele teste para discutir e, assim, a conversa evoluía – bem como o nosso negócio.

3. Ouça mais de uma pessoa, mas mantenha o timing da decisão em mente

Cercar-se de duas ou três opiniões diferentes é ótimo e, se você conseguir falar com mais de um mentor, melhor. Mas não se esqueça que há um timing para a tomada de decisões e, se você enrolar muito, o problema vai tomar a decisão por você. Nesse sentido, o processo de mentoria pode ser traiçoeiro. Os empreendedores ficam buscando mais e mais opiniões e adiam a tomada de decisão. Evite essa armadilha.

Nada é pior para um empreendedor do que não tomar as decisões difíceis no tempo adequado.

Na 21212 e na Movile, usávamos como referência geral que nenhum problema poderia ser tão difícil para ser resolvido a ponto de a decisão demorar mais do que duas semanas. Nada pode ser tão complexo. Algumas decisões, aliás, precisam ser tomadas em muito menos tempo. Com essa janela temporal mais ou menos definida, o empreendedor pode se cercar de mentorias para tomar a decisão. E lembrando que, o dia seguinte ao da tomada de decisão é quando já se implementa a primeira ação de resolução.

Como fazíamos reuniões estratégicas semanais na empresa, juntávamos o máximo possível de dados para confrontar com todas as nossas alternativas e encontrar qual parecia a solução mais adequada.

4. A responsabilidade da decisão cabe somente aos empreendedores

Não importa quantos conselhos você vai ouvir enquanto tocar seu negócio. A conclusão sobre o que fazer será sempre do empreendedor. Por mais que o mentor entenda de um assunto, é impossível que ele tenha passado exatamente pelo mesmo problema, no mesmo contexto que o seu, sonhando com os mesmos objetivos. A decisão final é de quem está à frente da empresa, de mais ninguém, e essa responsabilidade não pode ser delegada.

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Imagine a seguinte situação: a empresa segue o conselho do mentor, mas dá errado. O que a empresa ganha se o empreendedor colocar a culpa pelo erro no mentor? Nada – apenas uma falsa sensação de “não tive nada a ver com isso”. É bom lembrar que o que funcionou em um negócio pode não funcionar em outro. São situações diferentes e pessoas diferentes executando a solução. Por isso, é bom sempre ouvir mais de uma opinião, o que me leva à última dica.

5. Com o tempo, o processo substitui a subjetividade

Finalmente, há um momento depois de tantas mentorias em que você acabará estabelecendo um processo. Tanto na 21212 quanto na Movile, primeiro, identificávamos o problema. Então, procurávamos alguém que tivesse passado por uma situação parecida ou que fosse especialista no problema que estávamos tentando resolver. Discutíamos as hipóteses, se possível, com mais de uma pessoa. Fazíamos testes e, finalmente, avaliávamos os resultados. Esse método quase científico, aos poucos, tira a subjetividade das mentorias.

A teoria parece simples, mas transformar hipóteses em ações e resultados mensuráveis é bem mais complicado na prática. Os erros vão acontecer e novos desafios vão surgir. O importante é não perder de vista o seu objetivo e aproveitar os conselhos considerando a realidade da sua empresa.

, 21212.com, Fundador
Rafael é Empreendedor Endeavor,  co-fundador da nTime Mobile Solutions, atual Movile – empresa que desenvolve softwares interativos para celulares com escritórios em 7 países da América Latina. Em 2008 participou do processo de captação de investimento e consolidação do mercado, resultando na entrada do grupo internacional MIH/Naspers e a aquisição de duas concorrentes no Brasil e uma na América Latina. Foi responsável pela criação dos produtos e novos negócios que já superaram a marca de 1 bilhão de SMS e mais de 50 milhões de usuários. É sócio fundador e atualmente está a frente da Aceleradora de empresas digitais 21212.com, que tem como objetivo fomentar projetos no Brasil e EUA. Rafael é diretamente envolvido com inúmeras iniciativas relacionadas ao desenvolvimento do Empreendedorismo, tendo proferido diversas palestras no Brasil, EUA e Japão.

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