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Como a Toyota virou número 1: você já ouviu falar em Desenvolvimento de Produto Enxuto?

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Como a Toyota virou número 1: você já ouviu falar em Desenvolvimento de Produto Enxuto?

Como crescer exponencialmente de forma muito lucrativa e sem erros? Conheça o Desenvolvimento de Produto Enxuto.

Em 2000, a Toyota lançou 14 novos produtos sob uma média de 15 meses de projeto cada cada, enquanto seus concorrentes americanos, GM ou Ford, não passavam de 8 novos produtos e um tempo médio de 30 meses de projeto. E são produtos que conquistaram rapidamente os rankings dos mais vendidos do mundo como o Corolla e o Prius. Qual é o segredo de tamanha ascensão que trouxe a Toyota para a posição de número 1 do mundo em 2013?

A parte conhecida do sucesso é o seu famoso Sistema Toyota de Produção. Mas uma parte considerável deste sucesso, e ainda muito pouco conhecida no Brasil, se deve ao Desenvolvimento de Produto Enxuto (DPE). Conhecido por criar receitas de produtos que melhoram a qualidade de vida de seus clientes, o DPE é uma técnica que combina muito aproveitamento do conhecimento, autonomia dos desenvolvedores, diversas alternativas de design e soluções simultâneas e uma rígida necessidade de manter-se enxuto ao mesmo tempo em que foca nos mais elevados padrões de sucesso.

Um dos pilares mais importantes é conseguir atingir um design de produto mais orientado ao cliente, ao mesmo tempo provido de competitividade de custo e qualidade nas primeiras fases do processo de desenvolvimento de produtos. Isto evita retrabalhos, desperdícios e custos desnecessários, além de atrasos que possam causar um revés na busca estratégica de ser uma empresa realmente inovadora.

Por que o Desenvolvimento de Produto Enxuto é melhor do que os Modelos Tradicionais de Desenvolvimento?

Modelos tradicionais de desenvolvimento de produtos, como os sequenciamentos lineares ou paralelizados de fases, com ou sem Stage-Gates – pontos de controle da qualidade do escopo do projeto do produto -, lidam muito bem com condições mais estáveis de desenvolvimento, onde a intensidade de inovação é mais baixa ou incremental.

Para os casos em que as condições são mais instáveis para o desenvolvimento de produto e a intensidade de inovação é alta ou radical, o Desenvolvimento de Produto Enxuto é mais eficiente.

Em linguagem simplificada, usando como o critério o grau de necessidade do consumidor, produtos que o consumidor Necessita e produtos que o consumidor Quer são mais apropriados de serem criados por metodologias mais tradicionais. Já produtos que o consumidor Deseja ou produtos que o consumidor Nem Imagina e Poderá Desejar são mais apropriados para a técnica do DPE. Veja as diferenças por meio do quadro, a seguir.

Grau de Necessidade do ConsumidorSistema de Desenvolvimento de ProdutoExemplo – Tipo de Veículo de Passeio e Marca
NecessitaSistemas Tradicionais (Gates, Milestones)Popular e econômico (Uno – Fiat)
QuerSistemas Tradicionais (Gates, Milestones)Compacto (Cobalt – GM)
DesejaDPECarro tecnológico (Prius- Toyota)
Nem Imagina e Poderá DesejarDPECarro fora do Padrão (FunVii-Toyota)

Uma das vantagens mais contundentes do DPE sobre os modelos tradicionais é a redução de custos de mudanças.

Quanto mais se avança no projeto do produto, mais caro fica para realizar qualquer modificação. Geralmente, as primeiras definições do produto são responsáveis por mais de 80% da composição final do custo do produto, algo que os modelos tradicionais não mantêm estável, agregando custos mais ao final do processo com modificações de correção ou desnecessárias. Como a técnica DPE é baseada em conhecimento e contínua tentativa de prototipação e experimento, as definições de requisitos de produto ocorrem com maior chance de acerto e o custo de modificação é minimizado ao máximo. A curva da figura, a seguir, mostra este efeito que os modelos tradicionais não conseguem atuar de forma adequada.

dpe grafico

Curva de Oportunidade de Redução de Custos do Processo de Desenvolvimento de Produtos Enxuto

Outra vantagem do DPE é que esta técnica procura minimizar as incertezas e oferece uma solução mais robusta para o produto, o que aumenta as chances de sucesso no mercado. A taxa de sucesso é mais elevada para quem pratica adequadamente essa filosofia.

Um exemplo de sucesso é a Embraer, que implantou os primeiros traços dessa técnica na família de jatos comerciais EMB 170-175 (70 lugares) e EMB 190-195 (100 lugares). Esta família apresenta comunalidade de 89% em seus sistemas e componentes, batendo o recorde mundial de desenvolvimento de produtos com economia de mais de 1 ano, e obtendo um crescimento de 10 vezes para a Embraer. A nova família de jatos E2 em desenvolvimento promete um crescimento de 16 vezes, com uso intensivo do DPE.

As Bases do Desenvolvimento de Produto Enxuto

A filosofia enxuta (“lean”) foi bastante difundida pelo ponto de vista da produção. A gestão de projetos também capturou os conceitos enxutos para difundir as vantagens de redução de desperdícios, do aumento do foco e da entrega rápida e bem sucedida. Pensa-se que apenas o combate ao desperdício na filosofia enxuta é importante, mas no DPE os combates à sobrecarga e às irregularidades de fluxo também são considerados.

Os modelos tradicionais de desenvolvimento de produto não possuem as mesmas taxas de eficiência que o DPE por não considerarem esses fatores com tanta ênfase.

1.Desperdício: diminuir tempos do processo e eliminar custos extras ao produto, pelos quais os clientes não estão dispostos a pagar, são exemplos de ações de combate ao desperdício. Quando a Embraer estava projetando seu atual avião cargueiro militar KC 390, técnicos da Força Aérea Brasileira, cliente do projeto, participavam das definições de projeto solicitando cada vez mais aplicações para o produto.

De aplicação militar de transporte ou fonte de reabastecimento em voo, o cargueiro permite configurações de transporte de feridos ou para armazenamento de água para extinção de incêndios. Esta última, uma aplicação civil que a Embraer introduziu por conta da plataforma do produto previamente pensada ainda permitir inclusões de requisitos sem desperdício de tempo ou aumento de custos.

Ao longo da execução do projeto de produto, os desperdícios são combatidos principalmente nas atividades que não agregam valor, como tarefas simultâneas não sincronizadas, esperas de decisões ou informações, indefinições que são encaminhadas para uma nova camada de decisores, tarefas repetidas por falta de padronização, reuniões redundantes e maçantes, entre outras.

2.Sobrecarga: representa a sobrecarga nos recursos, tanto de máquinas e equipamentos quanto, principalmente, das pessoas. O maior erro de aplicação de um “falso” sistema enxuto é focar somente no combate ao desperdício. Quando isso ocorre, o elemento humano fica facilmente sobrecarregado: aumenta a taxa de erro, a criatividade diminui, a vontade de fazer cada vez melhor e acertar de primeira cessa. É o verdadeiro “tiro no pé”.

O que se faz para evitar isso é contrabalancear os efeitos da eliminação do desperdício com uma visão mais equilibrada onde a sobrecarga é combatida. O projeto tem um gerente forte que coordena as equipes das partes do produto. Essas equipes, por sua vez, são multifuncionais com as suas competências e capacidades alocadas de forma equilibrada sob uma perspectiva de conhecimento funcional aderente ao que exatamente se necessita para um determinado sistema do produto. Essa simultaneidade é trabalhada desde o início do processo, permitindo que o projeto do produto flua de forma integrada e livre de erros.

3.Irregularidades:  a variação de fluxo de trabalho ao longo do processo de desenvolvimento de produtos é bastante comum em modelos tradicionais. Perto dos milestones, dos gates e de prazos importantes, o fluxo de trabalho se intensifica nas equipes do projeto. A distribuição de trabalho é irregular, com picos e ociosidades, tendo alguns recursos uma situação sempre anormal com super alocação de horas. Isso causa desperdício e sobrecarga.

No DPE, há uma preocupação constante em combater essa variação ao incutir a visão de processo no desenvolvimento de produtos, harmonizando sempre com as capacidades das equipes em manterem um nivelamento na carga de trabalho. Formas mais comuns de combater essa variação pelo DPE é tornar o trabalho conciso, simples e ágil, com descentralização das decisões no máximo que se permite, bloquear interferências de fatores externos, como lentidão de sistemas, interfaces pouco funcionais, meios de comunicação com uso excessivo e/ou ineficaz.

Mudar dos modelos tradicionais para o Desenvolvimento de Produtos Enxuto exige um planejamento muito rigoroso, porque envolve repensar a forma como pessoas, processos, ferramentas e tecnologias se integram. Quando isso ocorre, os benefícios aparecem porque os produtos são lançados com maior garantia de sucesso no mercado e desempenham maior vantagem competitiva para a empresa em relação aos seus concorrentes. Prova disso é que empresas como Toyota e Embraer continuam na ponta em seus mercados.

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Produto > Estratégia > Modelo de negócios

[Ferramenta] Design de Produtos por Steve Jobs

, Innova Consulting, Sócio
Sócio na Innova Consulting, consultoria especializada em gestão da inovação e gestão de projetos. Possui experiência em mais de 200 projetos. Professor de pós-graduação em 6 instituições de ensino. Doutor em Administração pela UFRGS, com a produção de estudos para orientar as boas práticas de projetos de inovação. Mestre e Engenheiro Mecânico pela Universidade de São Paulo. Foi autor no livro “Managing Virtual Web Organizations in the 21st Century: Issues and Challenges”.

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4 Comentários

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  1. Marcio da Silva Ferreira - says:

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    Muito boa a matéria isto é uma otimização de resultados.

  2. Eduardo Aparizi - says:

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    Muito boa a matéria, conteúdo riquissimo. http://www.coralize.com.br

  3. Paulo Roberto Assis - says:

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    Eu não conhecia o termo PDE apesar do convívio com Lean Manufacturing, me chamou a atenção o pilar de conseguir atingir um design de produto mais orientado ao cliente, nos anos 90 tive conhecimento que a Toyota adotava um sistema de colocações de microcâmeras e microfones nos carros em exposições para ouvir o que os clientes elogiavam e criticavam quando visitavam o carro, daí surgiam novas idéias

  4. Michael Almeida - says:

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    Texto muito bem escrito. Conteúdo de extrema importância.

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