Ferramentas para encontrar meu ponto de equilíbrio

João Paulo Sattamini
João Paulo Sattamini

João Paulo é fundador da BrasilBev e participante do programa de aceleração Scale-Up Endeavor Rio Grande do Sul.

O crescimento da minha empresa sempre correu em paralelo com o meu.

A BrasilBev nasceu em 2012, resultado de um MBA que fiz na Espanha e um desejo genuíno de construir algo de positivo no mundo. Não tinha um sócio, então eu fazia de tudo. Formulação do produto, desenvolvimento da fábrica, vendas. One-man show. A partir daí, crescemos, contratamos mais pessoas, começamos a internacionalizar. De 2017 para cá, começamos a viver um momento difícil. A dificuldade financeira, resultado da crise no país, nos levou à falta de estoque. Precisei demitir metade da equipe. Éramos em 10. Ficamos  em apenas 5.

Desde os 19 anos, faço cursos de desenvolvimento pessoal. Aprendi com os melhores: Tony Robbins, Eduardo Shinyashiki e muitos outros que nos ensinam como controlar o estado mental e evoluir continuamente. Porém, nos últimos dois anos, deixei essas práticas de lado.

Em março desse ano, me vi tomando antidepressivos. Eu precisava retomar meu estado de equilíbrio. Em abril, viajei para Chicago para participar de três dias de curso intensivo com  Tony Robbins.

O curso acontecia das 7 da manhã até a meia-noite. Ali eu me dei conta: eu já tinha as ferramentas, já conhecia as práticas. O meu estado mental influencia a empresa, e vice-versa. Então, era o meu papel retomar a rotina que me coloca no estado certo.

E ela começa no momento em que acordo.

Como empreendedor, não posso levantar, tomar café e sair para trabalhar. A energia que uso ao longo do dia é tão intensa que preciso me preparar para as reuniões, as conversas, os conflitos, encontros e trocas.

Para isso, uso algumas ferramentas como parte da minha rotina:

Meditação de 10 minutos, de Tony Robbins, coach e palestrante motivacional

Ela é feita em três fases, ainda na cama, ao acordar.

1) Exercício de respiração (4 minutos)

São três séries de 30 respirações bástricas, rápidas e cortadas. Para exercitar, basta encher o pulmão e soltar o ar, ao mesmo tempo em que as mãos se movimentam para cima e para baixo no ritmo da respiração.

2) Exercício de gratidão (3 minutos)

Em seguida, liste três coisas pelas quais você é grato como uma conquista, uma viagem, um evento importante ou uma situação mais recente e cotidiana.

3) Exercício de visualização (3 minutos)

No primeiro minuto, você imagina uma luz cobrindo do alto da cabeça até os pés. Dos pés, vem uma energia da terra que volta para essa fonte de luz. Esse é o momento de desapego de toda culpa ou assunto mal resolvido que você tiver.

No segundo minuto, essa mesma luz é direcionada para alguém que você ame, para sua família, seu prédio, sua cidade, país e todo o planeta. Imagine um mundo entre as duas palmas da sua mão e direcione essa energia para ele.

No último minuto, visualize um objetivo que deseja ver concretizado. No meu caso, eu imagino meus produtos sendo vendidos nos Estados Unidos, na gôndola do supermercado.

Em seguida, me dedico a uma outra técnica, conhecida como “Páginas Matinais”.

Morning Pages, as páginas matinais de Julia Cameron autora do livro O Caminho do Artista

Começo meu dia com três páginas em branco. Esvazio minha mente colocando tudo no papel, durante 20 minutos. O que quero para o dia, qual é meu foco, minha intenção, minhas preocupações.

Ao todo, gasto cerca de 30 minutos nessa rotina matinal. Para mim, essa é uma preparação tão importante quanto o banho e o café da manhã. Não saio de casa sem esse exercício. É como uma preparação mental para o dia que está por vir.

O que nos leva ao burnout

Na minha visão, o burnout é resultado de uma intoxicação que pode acontecer de 4 formas:

  1. Pelo ar
  2. Pela comida
  3. Pela bebida
  4. Pelos pensamentos

Além do cuidado com alimentação e ingestão de refrigerante e álcool, temos a oportunidade de criar uma dieta mental para desintoxicar os pensamentos e, principalmente, cuidar da respiração. Uma das ferramentas que uso diariamente, no caminho para o escritório, é o método Win Hof. Essa é uma sequência de respirações que pode ser útil, principalmente, em momentos de stress.

Nossas necessidades básicas

Cada uma dessas práticas nos leva a uma transformação mais profunda, de foco, estado mental e ressignificação do mundo e das situações. Nesse mesmo curso, Tony Robbins apresenta as seis necessidades humanas básicas, compartilhadas por todos nós.

  1. Certeza/conforto
  2. Incerteza/variedade
  3. Significado/importância
  4. Amor/conexão
  5. Crescimento
  6. Contribuição

A ideia é você identificar quais são as necessidades que mais guiam a sua vida. Para cada um, existem necessidades mais fortes que as outras. Porém, com a nossa evolução, o amor e a contribuição passam a ser cada vez mais relevantes.

 

Uma frase que gosto muito diz: the secret of living is giving [O segredo de viver é dar]

Se o empreendedor busca um estado de equilíbrio, mas não sai da própria bolha de necessidades, naturalmente terá mais dificuldade de adquirir uma consciência ampliada da vida. Mas, quando ele começa a se preocupar com os outros — com o time, a família, os amigos — seu nível de consciência se amplia e, com ele também, o seu equilíbrio.

Hoje, seis meses depois, me sinto do outro lado do rio. O crescimento da BrasilBev reflete o meu próprio crescimento. Alguns hábitos simples são um reflexo disso: hoje, entro em uma reunião e ouço mais do que falo; parei de responsabilizar os outros por algumas coisas e comecei a trazer essa responsabilidade para mim, por exemplo.

Em paralelo, trouxe para a BrasilBev um sócio com quem posso trocar e debater as questões mais difíceis do negócio. Além disso, estamos participando, desde junho, do Scale-Up Endeavor Rio Grande do Sul em um período de aceleração com mentorias e resolução das principais dores de crescimento da empresa. E para completar, nossa operação está migrando para São Paulo e nosso produto já é vendido em outros 10 países.

Dessa experiência, saio com uma ideia cada vez mais forte: a psicologia do líder afeta os resultados da empresa. É por isso que toda mudança no negócio começa por nós mesmos.

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