Reconhecendo o Campo Minado

Márcia Veras

Momentos em que a situação foge do controle pedem muita calma. Respire fundo e seja racional.

Imagine a seguinte cena: milhões de anos atrás, você está saindo de sua caverna em busca de alimento e, de repente, se depara com um animal feroz. Seus pelos se eriçam, seu coração acelera, suas pupilas se dilatam, seus músculos se enrijecem, você sente um calafrio e ergue seu tacape, preparando-se para a luta. Ou, alternativamente, joga-o longe e sai correndo. Imaginou? Muito bem, o que aconteceu? Aquilo que acontece com todos os animais que se sentem ameaçados. Seu sistema nervoso respondeu à situação de forma absolutamente automática, preparando seu corpo para as duas possíveis reações instintivas que o protegeriam fisicamente da ameaça – fugir ou lutar. O coração acelera para fazer com que o sangue flua mais rapidamente para todos os músculos, que se enrijecem. Os pelos eriçados e o calafrio são consequências do tensionamento destes músculos (quando pequenos músculos conectados aos pelos se tensionam, os fios são forçados para cima, puxando a pele com eles), as pupilas se abrem para receber mais luz e, para completar, o cérebro fica praticamente sem sangue (lá se vai a capacidade de pensar!). E como isso está relacionado com o mundo corporativo, ou com empreendedores enfronhados em suas batalhas diárias pela sobrevivência de seu negócio?

Infelizmente, nem com todo o progresso científico que tivemos foi possível controlar esses instintos primários. Quando nos deparamos com situações de ameaça, mesmo que não mais coloquem em risco nossa integridade física, nossa reação atual é exatamente a mesma! No entanto, não nos é permitido erguer o tacape e acertar o oponente (ou pelo menos não é recomendável!). Muitas vezes, sequer temos a possibilidade de fugir da situação, abandonando o campo de batalha. Pessoas que tendem à luta tornam-se agressivas, elevam seu tom de voz, levantam-se ou endurecem a postura, enquanto aqueles que tendem à “fuga” se calam, sentam-se ou se posicionam atrás de suas mesas, por exemplo. Já viram isso? O cliente grita conosco, o diretor de produção nos diz que não conseguirá atender nossa demanda, a área de sistemas nos informa que não será possível faturar porque o sistema está com problemas, etc. São todas situações em que nos sentimos ameaçados e reagimos instintivamente. Mas então, como resolver? Utilizando aquilo que nos diferencia das outras espécies animais – a capacidade de raciocínio.

Mas lembre-se: nestas situações, boa parte do sangue deixou o cérebro para alocar-se na musculatura, então um dos primeiros passos é respirar fundo, permitir que o ar entre e oxigene o sistema, fazendo com que o sangue volte a circular por completo, trazendo de volta nossa capacidade de pensar com clareza. A partir daí, passamos a ter maior controle sobre nossas possíveis reações. Vale também fazer uma autoanálise prévia para identificar qual a sua tendência em situações de conflito, buscando alternativas que lhe permitam contrapor sua agressividade ou passividade. Reconhecer o campo minado ajuda, assim como vale pedir alguns minutos para se recompor caso a situação esteja fugindo do controle. Tudo isso o ajudará a seguir na direção do único caminho reconhecidamente produtio nestas situações: o diálogo!

 

Márcia Veras é coach executiva e consultora em Gente & Gestão.

 

Veja também:

Conversas Críticas e o Desempenho da Equipe

Produtividade – você atinge seu máximo?