O estado interior do líder dita o ritmo da organização

Alexandre Figueiró
Alexandre Figueiró

Alexandre é cofundador da Lamiecco e participante do programa de aceleração Scale-Up Endeavor Rio Grande do Sul.

Há um tempo, realizamos uma rodada de Feedback 360 na Lamiecco colhendo impressões de todos os funcionários. Dos feedbacks que recebi, criei um plano de desenvolvimento individual. Hoje, quatro anos depois, aquele Excel da pesquisa continua na minha área de trabalho.

O líder, em qualquer estágio de crescimento, precisa ser melhor para que os resultados sejam melhores. O movimento é contínuo.

Mas ele não é a estrela do processo. A empresa é um organismo vivo que funciona a partir de um conjunto de pessoas. O líder é um operário que alimenta o forno com lenha para o processo acontecer. Se parar de alimentar esse fogo, ele acaba.

Nessa visão, o papel do líder é movimentar a energia que promove a evolução de todos e, por consequência, da empresa.

Mas como fazemos isso?

Sempre ouvi as pessoas dizerem: você tem que buscar seu equilíbrio. E eu me perguntava: buscar aonde? Minha ideia era de que seria algo externo, encontrado na corrida, no esporte, na aula de ioga ou na meditação. Mas, com o tempo, tenho entendido que é mais do que isso. Equilíbrio é conjugar todas as áreas da roda da vida. Dar energia a cada uma delas: trabalho, espiritualidade, família, amigos, finanças, desenvolvimento pessoal…Tudo isso precisa da nossa energia e atenção.

Foi assim que comecei a cultivar algumas práticas que hoje alimentam minha rotina e que compartilho aqui com você.

1. Dieta mental

Significa deixar entrar tudo aquilo que faz sentido para mim e converge com meu propósito. Se você fizer esse exercício, vai notar que ele te leva ao hiperfoco no seu propósito. Nada do que você consome será uma perda de tempo ou energia.

Eu não assisto TV há cinco anos. Mas todas as manhãs, reservo um tempo para assistir a alguns vídeos do YouTube que me trazem boas reflexões. Abro espaço mental para provocações, ideias e conversas que elevem essa minha busca por desenvolvimento. E fecho a porta para todo o resto que não me faz bem.

2. Atividade física e visualização positiva do futuro

Sempre pratiquei – e continuo praticando – porque me traz um bem-estar natural, importante para minha rotina. Mas, para além da fórmula pronta de uma vida equilibrada (beber água, se alimentar bem e fazer esportes), sempre me questiono: como posso unir esses hábitos para melhorar também minha saúde mental?

A visualização positiva do futuro é um dos caminhos que encontrei nessa busca.

3. Ritual do amanhecer

Cada um tem o seu. O meu é acordar, assistir a alguns vídeos e ler meus livros. Meu dia começa com uma prática de agradecimento pelo que aconteceu e uma projeção mental sobre o que vou fazer naquele dia e também sobre o que quero realizar no médio prazo.

Tente fazer esse exercício: você vai notar como essa visualização traz também a satisfação e uma sensação de bem-estar. O fato ainda não ocorreu, mas o prazer decorrente dele já está acontecendo.

E o que custa para você projetar mentalmente as coisas boas para se sentir alimentado por elas?

Só custa a sua decisão.

Como cheguei a essas práticas e por qual caminho elas me levaram

Há alguns anos, vivi o evento mais transformador da minha vida. Era o nascimento da minha filha mais velha, a Martina. Ela passou 45 dias na UTI, enfrentando três cirurgias. Para mim, foi uma universidade acelerada de mudança e repaginação.

Em paralelo a tudo isso que acontecia na esfera pessoal, na Lamiecco nós rodávamos uma avaliação de comportamento no time, conhecida como Feedback 360. Nela, havia um espaço para feedbacks sobre todas as pessoas da organização, incluindo os sócios.

Dessa coleta, veio absolutamente tudo: os elogios que dão tapinhas nas costas, os comentários neutros e as críticas, que abrem espaço para você se desenvolver. Tabulei os feedbacks que recebi em uma planilha do Excel. Até hoje, quatro anos depois, ela está na minha Área de Trabalho. De tempos em tempos, abro o arquivo e releio os comentários para entender onde evoluí e onde ainda preciso me desenvolver.

O mais interessante nesse processo de transformação é que ampliamos essa proposta de mudança para o time participar também. Fizemos da jornada individual, um compromisso coletivo.

Todo empreendedor de uma scale-up tem um furacão para lidar. E o melhor jeito de curá-lo é ajudar o time a se curar também. Buscar oportunidades para as pessoas se desenvolverem, fazendo o time crescer com você.

Foi com essa ideia em mente que criamos um programa de desenvolvimento chamado Construindo nosso Sucesso.

Desenvolvimento conjunto

Nos primeiros seis meses, não falamos de metas nem performance. Falamos sobre ferramentas de autodesenvolvimento, livros que estávamos lendo e o que nós, como empreendedores, estávamos encontrando de resposta para a pergunta que todos ali se questionavam: como faço para ser feliz?

Começamos a criar uma conexão emocional com as pessoas que estavam ali, por meio dessas conversas. Com o tempo, passamos a medir o engajamento do time e ajudamos a criar metas individuais relacionadas ao propósito de cada um. O resultado desse trabalho é uma média de 95% de engajamento da equipe, medido dois anos depois da implementação do programa. Um salto incrível, considerando a média nacional de 40% entre funcionários de outras organizações.

Para mim, todo esse processo funciona porque subtraímos dos líderes o desgaste por aquilo que precisa ser mudado e melhorado na empresa. Nos olhamos todos os dias no espelho e vemos que estamos em uma trajetória de evolução. O movimento que começa em nós também vai transformando o time. E assim, com o tempo, vamos transformando a empresa.

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