A fintech que cresceu 7 vezes em 2017: como a Creditas está mudando o mercado de créditos no Brasil

Laís Grilletti
Laís Grilletti Endeavor Brasil - Time de Conteúdo

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Sergio Furio chegou ao Brasil sem saber falar português e com uma missão audaciosa: quebrar o monopólio de juros bancários no Brasil. Conheça a história da Creditas.

Algumas histórias no Brasil soam tão absurdas que parecem até ficção. Quando o espanhol Sergio Furio ouviu de sua namorada brasileira que os juros cobrados no Brasil superam a marca de 200% ao ano, foi exatamente isso que pensou.

Aquilo era impossível!

Depois de trabalhar por 12 anos no mercado financeiro, decidiu dedicar duas semanas para pesquisar sobre a realidade do crédito bancário no Brasil. Se todo bom negócio começa resolvendo um grande problema, ali com certeza existia uma oportunidade.

Até então, empreender não era algo presente na família de Sergio, muito menos na sua cabeça. Mas, quando ele começou a ver colegas do mercado financeiro em Nova York abandonando os bons salários e finos ternos para investir até o último vintém em um negócio próprio, essa vontade começou a crescer.

O que Sergio mais queria era ganhar velocidade. De 2008 a 2011, liderou um projeto gigante de transformação digital para um banco espanhol que adquiriu um banco americano. Foram cinco anos de projeto e milhões de dólares envolvidos. O problema é que a plataforma pensada em 2008 já não atenderia mais o consumidor de 2012 que teria mudado completamente de hábitos, comportamentos e necessidades. E essas grandes empresas não conseguiam acompanhar a velocidade com que o mundo girava.

Por outro lado, existiam empresas mais ágeis. Elas eram menores, e viviam abaixo do radar do mercado. Mas com a agilidade que tinham no desenvolvimento do produto e alta capacidade de adaptação, eram capazes de mudar a lógica de sistemas seculares. E era uma empresa assim que Sergio queria construir.

Passou um fim de semana formatando o modelo de negócios com um amigo empreendedor e voltou para a namorada com uma proposta: virem juntos para o Brasil com a missão de transformar o mercado de crédito por aqui.

Existiria proposta mais romântica?

Três meses depois, desembarcaram em São Paulo.

O objetivo era montar uma plataforma digital de crédito com juros mais amigáveis. Mas, para isso, precisaria transformar toda a cadeia de valor que envolvia:

  1. Aquisição de clientes;
  2. Processamento do crédito;
  3. Aprovação;
  4. Formalização;
  5. Fechamento.

Quebrou o porquinho, reuniu todas as economias e conseguiu juntar aproximadamente R$ 300 mil. Parece muito, mas não dava nem para o começo. Decidiu, então, começar trabalhando com a primeira etapa da cadeia: adquirindo clientes.

No primeiro mês, pendurou o logo na sala de estar e trabalhou sozinho para formar o time e definir os primeiros passos da estratégia. Contratou dois desenvolvedores e dois jornalistas, alugou um escritório de 5 m² na Berrini e começou a produzir conteúdo digital de educação financeira: nascia ali o BankFacil. A ideia seria criar uma máquina de geração de leads para as instituições financeiras tradicionais.

Com aquele capital, ele teria 12 meses de vida. Se até lá, o negócio de geração de leads não prosperasse, Sergio teria que buscar alguma alternativa.

Passaram-se um mês, dois, três… Demorou oito meses até entrar o primeiro real. Foi um choque de realidade. Aquele número projetado no início claramente não seria alcançado. Mas, mesmo com pouca receita, ele acreditava no potencial daquela ideia. Foi aí que tomou a decisão: vendeu o apartamento em Nova York para fazer caixa e garantiu ao BankFacil um tempo maior de vida.

Esse foi o momento da verdade. De gerador de leads, Sergio partiu para o segundo passo da cadeia de valor: processamento de crédito. Existia uma oportunidade enorme de usar os bens já quitados pelos brasileiros como garantia dos empréstimos realizados, diminuindo com isso o risco e a taxa de juros.

A ideia era boa, mas já havia um player bastante tradicional no offline que trabalhava como Home Equity: a Brazilian Mortgages. Foi aí que Sergio usou a tecnologia como motor de eficiência, fez uma parceria com eles, e passou a oferecer uma plataforma digital de crédito com garantia. Nesse mesmo período, o BankFacil fez uma fusão com uma empresa que já operava nesse mercado: a GranaAqui.

Se antes, o portal de conteúdo gerava 5 mil reais de receita por mês, em três meses, o novo serviço já gerava 60 mil. Sergio começou a falar com investidores em agosto de 2013, mas eles achavam que ele era maluco. E tinham razão: o plano era bom, mas ainda tinha muito a ser executado.

O primeiro investimento veio daqueles que mais acreditavam na ideia: amigos, ex-colegas e alguns executivos do mercado financeiro brasileiro. Eles foram os primeiros a assinar o cheque. Com R$1,5 milhão arrecadado, em outubro daquele ano, Sergio conseguiu focar na operação e pisar no acelerador, sem olhar para os lados — muito menos para trás.

Um ano depois, o resultado veio. A receita triplicou, e com ela o primeiro aprendizado: quando você tem um bom negócio, não precisa gastar energia convencendo ninguém disso. Se no início explicar para os investidores o potencial do negócio era desgastante, logo passou a ser muito simples: os resultados falavam pelo empreendedor.

Na primeira rodada, entraram três fundos com R$ 10 milhões (Redpoint eVentures, Quona Capital e QED Investors), que ajudaram a levar a empresa de 15 para 65 pessoas no ano seguinte. O modelo se tornou um híbrido da eficiência tecnológica com a presença humana. Os novos consultores contratados passaram a ajudar as pessoas a escolher a melhor opção de crédito, educando e explicando sempre com paciência e cuidado: traços pouco comuns nesse mercado.

Além disso, formou-se ali um ciclo virtuoso: o time de produto e tecnologia conseguia aprender muito mais rápido por causa dessas conversas com os clientes e a plataforma era construída a partir desses insights.

Em 2015, o BankFacil adicionou um novo produto — o empréstimo com garantia de veículo — e começou a avançar em outras partes da cadeia: a análise do crédito, formalização e fechamento. Mas o desafio é que escalar uma empresa que dependa de outros parceiros é muito difícil. Quanto mais autonomia você tem na cadeia inteira, mais liberdade tem de controlar o próprio destino. Em 2016, isso aconteceu. Com um novo investimento de R$15 milhões e a entrada da Kaszek Ventures, o BankFacil passou de distribuir crédito de terceiros a oferecer o próprio crédito, a partir de um modelo de venda de operações para investidores via FIDC’s.

Ao final de 2016, o time já era de 110 pessoas e a receita cresceu 3 vezes no ano. Em fevereiro desse ano, eles fizeram uma rodada adicional de série B com dois novos investidores (o IFC, do Banco Mundial, e o Naspers Fintech) no valor de R$ 60 milhões para estruturar um fundo de investimento próprio e expandir os dois produtos.

Esse seria o momento de criar o próprio veículo de crédito, começar a fazer a cobrança e acelerar ainda mais o crescimento. A empresa tinha conseguido completar a ideia inicial: criar uma operação verticalizada para poder otimizar toda a cadeia de crédito. E essa mudança merecia uma nova marca com um posicionamento original. Nascia, então, a Creditas.

De fevereiro até agora, a empresa cresceu sete vezes de tamanho. A velocidade está alta e a empresa que nasceu para mudar o sistema de juros no Brasil está começando a cumprir sua missão. Uma missão compartilhada por todo time que trabalha por lá: reduzir drasticamente a taxa de juros paga pelos brasileiros e viabilizar um endividamento saudável; para que o Brasil atinja todo o seu potencial

Como se não bastasse um ano com tantos acontecimentos marcantes, no último dia 11/12, a Creditas anunciou um aporte série C de R$165 milhões — consolidando a maior rodada de investimento do ano para fintechs no Brasil.

O time de 285 pessoas cresce em alta velocidade e a receita cresceu sete vezes no ano. O escritório de 5 m² agora ocupa 2.500 m². E os desafios aumentam, na mesma velocidade do crescimento.

O primeiro é democratizar o acesso ao crédito para todos os brasileiros. É preciso colocar a Creditas no megafone e contar a todos os brasileiros que existe uma alternativa aos 200% de juros das instituições tradicionais. O segundo é lidar com a complexidade operacional, decorrente do crescimento. Com 600 pessoas no time, como manter o mesmo nível de eficiência com o mínimo de custos?

Para ajudar Sergio Furio e todo o time nesses desafios, agora ele tem uma ajuda a mais: contar com a rede da Endeavor para tomar as melhores decisões, lidar com as dores de crescimento e chegar cada vez mais perto de realizar sua audaciosa missão.

Na luta contra gigantes, a Creditas tem uma arma secreta: apostar na velocidade. E a resiliência do fundador, para Sergio Furio, é fundamental nesse desafio. Segundo ele, “As empresas não quebram porque ficam sem dinheiro, elas quebram porque ficam sem energia. Quando você tem um fundador com energia alta, você sempre busca um jeito”. Só resta a nós desejar — e trabalhar — para que nunca falte à Creditas velocidade e energia.

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