Como lidar com grandes mudanças

Rogério Chér
Rogério Chér

Rogério Chér é sócio da Empreender Vida e Carreira. Na DBM do Brasil atuou como Consultor de Carreira, coordenou o Núcleo de Empreendedores e foi Vice Presidente de Operações para América Latina. Chér foi Diretor Corporativo de RH da Natura e é professor da FAAP nas disciplinas de Formação de Empreendedores e Comportamento Organizacional. Também atua como professor nos cursos da FGV sobre Empreendedorismo e Criação de Novos Negócios. É autor de livros sobre Empreendedorismo e Gestão, cujo último título lançado chama-se "Empreendedorismo na Veia - Um aprendizado constante". Como conferencista participou de eventos, em dezenas de cidades Brasileiras, ministrando palestras em Instituições e empresas de diversos segmentos como: GS&MD - Gouvêa de Souza, ADCOS, Íntegra Medical, DBM, Queiroz  Galvão, Prefeitura de São Paulo - Secretaria da Saúde, Pieracciani, Faex Transportes, BR Construtora, Amcham, UFMG, Sebrae, Blue TreeHotels, Endeavor, FAAP, Insper, FGV, entre outras.

Grandes mudanças não são rupturas, mas sim continuidade. Saiba como lidar com esse paradoxo.

“Sabe, Rogério, estamos vivendo aqui um momento de transição”.

Esta é a frase que escuto de 100% das empresas. E quando meus interlocutores  descrevem seu contexto fico com a sensação de que tal transição iniciou-se mais ou menos na fundação da empresa e perdura até os dias atuais…

E é isso mesmo: indivíduos e organizações se movem a todo instante. Nada está parado. Tudo é transição, tudo está em permanente transformação. Algumas transições são triviais, quase rotineiras. Outras, impactantes e decisivas, às vezes associadas a perdas.

Não é sem motivos que a competência da adaptabilidade está entre as vedetes nas empresas mais bem sucedidas. Flexibilidade e capacidade para atuar em contextos complexos são atributos mais do que desejados: são essenciais.

Mas a realidade é que lidamos mal com mudanças. Organizações e seus líderes têm alto nível de imunidade à mudança. E o que é pior: se autoconhecimento não é marca registrada do time, seus indivíduos sequer se dão conta dos próprios pontos cegos. Há, dessa forma, poucos investimentos que valem tanto a pena quanto aqueles que desenvolvem na liderança seu nível de consciência e sua aptidão para navegar em ambientes marcados por instabilidade, incerteza, ambiguidade, polaridade e vulnerabilidade.

Não dá para contar – sequer para prever – quantas mudanças enfrentaremos em nossas vidas e carreiras. Tampouco é possível contabilizar por quantas transformações uma organização passará. E a experiência de viver mudanças e transições enseja uma lógica contra-intuitiva: mudamos para preservar nossa essência. Mudamos – nós e nossas organizações – para nos tornar cada vez mais a realidade concreta da imagem guardada em nossas mentes e corações. Nossas transformações são idealmente o caminho por meio do qual fazemos das mudanças oportunidades para “continuar”, e não “romper”, pois operam como veículos que fortalecem nossos mais significativos valores e propósitos. E quando navegamos em nosso chamado, mesmo as transformações mais relevantes guardam a sensação de continuidade, e não de ruptura. Mudamos para manter a rota, para permanecer em fluxo.

Compreender esta lógica paradoxal é chave – e será cada vez mais.

Rogério Chér tem 44 anos e é sócio da Empreender Vida e Carreira.