facebook
Você já se perguntou por que
nosso conteúdo é gratuito?
Somos uma ONG de fomento ao empreendedorismo de alto impacto que capacita
4 MILHÕES
DE EMPREENDEDORES
A CADA ANO
Faça a sua doação e contribua para continuarmos
este trabalho em 2016!

De 6 startups anuais para 20: como a Universidade de Utah se tornou líder na transferência de tecnologia

LoadingFavorito
De 6 startups anuais para 20: como a Universidade de Utah se tornou líder na transferência de tecnologia para o mercado

Em 2005, a Universidade de Utah criou o TVD – Technology Venture Development, acelerando intensivamente o processo de transferência de tecnologias e a criação de startups acadêmicas. Os resultados dessa iniciativa servem de grande inspiração para as nossas instituições de ensino e universidades de pesquisa.

Quando falamos sobre uma boa estratégia de educação empreendedora, várias referências vêm à mente. Um das principais é o MIT (Massachusetts Institute of Technology). Além da sua capacidade de criar startups que comercializam as tecnologias de seus alunos, professores e pesquisadores, e que são protegidas por patentes, o MIT ostenta um portfólio de cerca de 30 mil empresas fundadas pela sua rede de ex-alunos, gerando uma receita anual de US$ 1,9 trilhão, o que faz do instituto uma referência quando o assunto é o efeito multiplicador desta rede.

Mas, se o exemplo do MIT parece distante da realidade das universidades brasileiras, , quero compartilhar o caso de uma instituição que, conforme os dados mostrarão, tem sido extremamente bem-sucedida no campo da transferência da tecnologia. É a experiência da Universidade de Utah, no oeste dos EUA. Grande parte do que vocês vão ler é parte integrante do meu livro “Universidades e Ecossistemas de Empreendedorismo”, publicado pela editora da Unicamp.

Ao longo de 40 anos, a instituição criou 188 empresas, até 2010, das quais 61% permaneciam ativas no interior do estado. E, em 2005, a universidade implantou um escritório de comercialização de tecnologias para centralizar as atividades de empreendedorismo e inovação, chamado TVD – Technology Venture Development. É sobre esse processo que quero falar agora.

Mudando a estrutura para transformar o cenário

A nova estrutura demandou um esforço conjunto de diferentes departamentos da Universidade de Utah. Para dar suporte ao TVD, as funções de comercialização de tecnologias tiveram que ser transferidas da administração da pesquisa (Pró-Reitoria de Pesquisa) para a faculdade de administração da universidade.

A criação da nova área tinha um objetivo bastante concreto, que era o de alavancar o número de startups criadas pela universidade. Até 2005, essa marca não ultrapassava a de oito empresas/ano — que passava um pouco da média anual de todas as universidades americanas, que é de aproximadamente seis empresas/ano.

No topo do ranking

O objetivo foi atingido com louvor: desde 2006, a Universidade de Utah ocupa as primeiras posições no ranking de geração de startups criadas a partir da pesquisa acadêmica. Em 2010 e 2009, empatou com o MIT no primeiro lugar. Desde então, Utah figura entre as universidades que mais criam startups para comercializar tecnologias patenteadas no sistema de transferência de tecnologias dos Estados Unidos.

A instituição lidera também o ranking quando se trata de relação entre investimento federal em Pesquisa e Desenvolvimento e o número de startups acadêmicas.

Atualmente, a Universidade de Utah cria em torno de 20 startups acadêmicas por ano.

O que levou a essa guinada de performance?

Isso se deve a um fator principal: o modelo de transferência adotado, que foi baseado em desenvolvimento de produtos, no financiamento por seed money e um processo de gestão empreendedora. Ou seja, um pensamento que se diferencia daquele mais tradicional nas universidades, em que predominava a geração de receita de licenciamentos das tecnologias (royalties).

O resultado também se deve à combinação de outros fatores importantes: a integração da comercialização de tecnologias à missão da universidade, à presença de um ecossistema ativo, ao desenvolvimento de educação em empreendedorismo, ao desempenho do papel protagonista dos empreendedores e à presença significativa da função empreendedora nos processos de gestão.

Vejamos agora cada um desses pontos de forma detalhada:

1) Integração das atividades de transferência de tecnologia à missão da universidade

A Universidade de Utah assumiu que o ensino do empreendedorismo deve contar com o apoio direto da estrutura de transferência de tecnologia. Além disso, a integração é vista pela ótica da participação formal das atividades de comercialização na missão da universidade.

2) Modelo orientado a investimento em produtos

Como vimos, o modelo tem o objetivo de gerar startups por meio de financiamento com seed capital (capital semente). Esse modelo de comercialização é direcionado ao desenvolvimento integral do processo de formação de empresas. Assim, o que importa é que a pesquisa acadêmica pode se transformar em valor econômico e expandir o potencial de impacto da universidade, em sintonia com sua função e missão de produzir educação e pesquisa.

3) Presença ativa e protagonista no ecossistema

Outra característica fundamental é que as atividades de transferência de tecnologia são totalmente autofinanciadas; não há recursos provenientes de agências federais.

E apesar de muitos recursos virem de investidores do Vale do Silício, a colaboração de instituições e organizações foi fundamental para o fortalecimento do ecossistema empreendedor local, no qual a Universidade de Utah exerce papel protagonista.

4) Integração e engajamento do ecossistema

O ponto a ser ressaltado aqui é que, além de identificar e incentivar os agentes conectores — responsáveis por viabilizar novas empresas por meio da interconexão de vários recursos para as startups –, é necessário criar formas de recompensa para esse tipo de função no ecossistema, ainda que planejadas para o longo prazo.

5) Liderança do processo

Vale lembrar que, ao longo de todo o processo, os empreendedores exerceram um papel de liderança bastante significativo. Seja por meio da participação em eventos na universidade, seja por meio de mentorias ou mesmo de financiamento, os empreendedores entenderam que sua atuação é indispensável para que as relações entre ensino e prática do empreendedorismo rendam frutos concretos e duradouros.

2017: a conquista da liderança em transferência de tecnologia nos Estados Unidos

Mas o que aconteceu com os processos de transferência de tecnologias da Universidade de Utah, desde o planejamento e implementação das ações que vimos acima? Houve continuidade? Eles se mostraram promissores, duradouros e sustentáveis ao longo do tempo?

Ao que tudo indica, sim.

Todos estes esforços apresentados têm responsabilidade decisiva para elevar a Universidade de Utah ao posto de número 1 em transferência de tecnologia nos Estados Unidos, de acordo com um ranking formulado pelo Milken Institute e publicado em 2017. O Milken Institute é um centro de pesquisas e estudos que se preocupa, entre outros temas, com o dimensionamento do desempenho das universidades e institutos de pesquisa nos Estados Unidos, em termos de transferência de tecnologia.

Para chegar ao topo em 2017, a Universidade de Utah ultrapassou outras 229 universidades e institutos de pesquisa, entre elas Columbia, Stanford, universidades da California, MIT e Caltech, em critérios que compuseram um índice que avaliou patenteamento, licenciamento e geração de startups para desenvolver patentes.

Houve atração de US$ 417,2 milhões em gastos de pesquisa em 2015, posicionando a universidade entre os principais orçamentos de pesquisa das universidades dos Estados Unidos. De 2012 a 2015, Utah gerou US$ 211,8 milhões em receitas de licenciamento, US$ 135,8 mil por milhão em despesas de pesquisa. O TVD (Technology Venture Development) se transformou em TVC (Technology and Venture Commercialization), figurando entre os melhores do sistema americano. Outra nova iniciativa fundamental para o empreendedorismo é o programa Entrepreneurial Faculty Scholars, no qual professores inovadores e empreendedores formulam e implementam experiências de ensino do empreendedorismo transformadoras, tanto para professores/pesquisadores quanto para estudantes.

Lições Aprendidas

Uma grande lição que se destaca da experiência de Utah: quando os esforços são direcionados para um projeto consistente e com propósito bem definido, os resultados devem surgir, quase que inevitavelmente.

Depois de reestruturar suas visões e práticas sobre transferência de tecnologia, numa primeira fase para ampliar sua capacidade de geração de startups, a Universidade de Utah conseguiu consolidar a relação com o mercado e o ecossistema empreendedor. A instituição continuou no fortalecimento de licenciamento de tecnologias para empresas já estabelecidas, sejam elas grandes, médias ou pequenas. Mas ao mesmo tempo, teve consciência de que os esforços para transferir tecnologia para startups também valem a pena.

Para concluir, fica a provocação: com base da experiência da Universidade de Utah, não seria possível contornar a estrutura muitas vezes excessivamente burocrática de nossas instituições, com a inspiração de unidades organizacionais como o TVD/TVC? Acredito que sim. Organizações empreendedoras têm, em geral, atributos relacionados a proatividade, tolerância a riscos, aceitação de ambientes de incerteza e ações inovadoras.

Assim, a Universidade de Utah nos apresenta uma gestão estratégica do empreendedorismo, tendo como um dos seus pilares a geração de valor através de startups, em sinergia com os principais agentes do ecossistema. Tal iniciativa, para além de números por si só impressionantes e que contribuíram definitivamente para conquistar a liderança, à frente de gigantes como o MIT ou Stanford, resultou no fortalecimento e no crescimento do ecossistema de empreendedorismo, do qual ela faz parte e é protagonista.

Claro, os sistemas de transferência de tecnologia das universidades americanas e das universidades brasileiras são absurdamente diferentes. Mas se encararmos a experiência com uma perspectiva de aprendizado e de inspiração, a Universidade de Utah é um exemplo e uma referência que merecem ser conhecidos e seguidos.

Para se aprofundar, veja também:

Boas Práticas de Educação Empreendedora: 4 histórias para provocar mudanças

Curso Online | Ferramentas Práticas de Inovação: inovar para se diferenciar

cta

*Este artigo é uma parceria de produção entre Endeavor e Sebrae

Correalização:

Logo-Sebrae-SITE (1)

 

, UNICAMP, Professor de Empreendedorismo
Empreendedor, educador e pesquisador na área de empreendedorismo e inovação. Atua como pesquisador associado à Unicamp (GEOPI), é professor da Escola de Extensão da Unicamp na parceria com a Coursera, é professor da Casa do Saber-SP. Colabora como professor do curso de administração de empresas e engenharia de produção da Facamp. Publicou o livro Universidades e ecossistemas de empreendedorismo - A gestão orientada por ecossistemas e o empreendedorismo da Unicamp, pela Editora da Unicamp. Colabora com atividades de empreendedorismo e inovação realizadas por universidades e instituições de ensino superior e é mentor de startups e organizações ligadas a diferentes ecossistemas de inovação e empreendedorismo. Participou do Global Faculty Colloquium at Technology Entrepreneurship Education, University of California, Berkeley. É avaliador científico do "Encontro de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas" (EGEPE) e da ANEGEPE (Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas).

Deixe seu comentário

2 Comentários

Faça login para deixar seu comentário sobre este conteúdo
ordernar por: mais votados mais recentes
  1. abcya 1 - says:

    0 curtidas
     
    Curtir

    Your article is detailed, thanks to it I solved the problem I am entangled. I will regularly follow your writers and visit this site daily.
    wingsio

  2. susan nelson - says:

    0 curtidas
     
    Curtir

    • Your post has many detail information. I read all your article and I really like it. Thank you for sharing this great post.
    http://emailsignupguide.com/hotmail-sign-up

Criação e desenvolvimento: