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Crescimento semiorgânico: o que podemos aprender com o Google

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Crescimento semiorgânico: o que podemos aprender com o Google

Como o Google alinha uma estratégia orgânica de crescimento com uma série de aquisições de startups? Conheça o conceito de crescimento semiorgânico — e entenda como aplicar na estratégia da sua empresa.

Não há dúvida de que as tecnologias digitais estão abalando as estruturas do modelo tradicional das indústrias. As empresas, hoje em dia, estão lutando para surfar nesta onda de rápidas mudanças. Os clientes estão mais autônomos e a concorrência mais disruptiva. Há uma nova lógica por trás da geração de valor, exigindo um enorme crescimento e uma mudança que gere transformação.

No contexto das mudanças disruptivas e com o risco de ficar para trás, as empresas estão cada vez mais exigentes quanto a alguns aspectos, como agilidade, inovação e transformação digital. Elas precisam encontrar respostas: como reagir a tudo isso de forma estratégica? Além disso, modelos de negócios já consolidados e suas respectivas cadeias de valor estão sendo atacados por jovens empreendedores e startups por meio de um conjunto de pensamentos radicais, tecnologias digitais e novos modelos de negócios.

Então, surge a pergunta: como e qual tipo de estratégia as empresas sólidas devem usar para reagir a tamanha mudança?

Como elas enfrentam os novos desafios e as inovações que ameaçam o seu negócio principal? Por trás de todos os seus potenciais, estratégias comuns representam uma consolidação: um crescimento orgânico, por meio de inovações internas, e um crescimento inorgânico, com compra de empresas ou startups.

Mesmo as empresas de tecnologia, como o Google, precisam se reinventar constantemente. E, até agora, o Google fez isso de forma muito bem sucedida. É importante entender que o Google é muito mais desafiado do que desafiador, assim como outras empresas consagradas; mas apesar do seu tamanho, ele não para de criar soluções inovadoras e explorar novas áreas.

Portanto, o questionamento principal é:

O que podemos aprender com a estratégia de crescimento do Google e a sua respectiva implementação?

O DNA do Google mudou bastante nos últimos anos. O grupo, agora chamado Alphabet, trouxe inúmeras inovações para o mercado e sempre deu grande ênfase à inovação interna e ao seu desenvolvimento. No entanto, as fusões e as aquisições da empresa são um pilar fundamental para o seu sucesso e para muitos dos seus principais produtos, tal como os conhecemos hoje, que surgiram a partir das aquisições de startups, como o AdSense, o Google Analytics, o YouTube, o Android, o Gmail, o Google Docs, o Google Fotos, o Google Hangouts, apenas para citar alguns.

Alphabet Google: crescimento semiorgânico e aquisições de startups

Todos eles foram, de alguma forma, startups que decidiram somar forças com o Google.

O “Data Science Central” fez um levantamento sobre a integração entre aquisições e quais produtos foram integrados dentro do Google, em um gráfico muito interessante, a partir do desenvolvimento de equipe, competências ou tecnologia:

Aquisições do Google: startups e crescimento inorgânico

Lista de aquisições do Google e o que elas se tornaram dentro do Google

É claro que houve diversos erros nas aquisições, incluindo o caso da Motorola Mobility por US$ 12.9 bilhões em 2011, vendida em 2014 devido a diversos conflitos. Mas, de forma geral, as aquisições e as fusões do Google são extremamente bem-sucedidas. Qual o motivo de tanto sucesso na sua estratégia de crescimento?

Crescimento Semiorgânico

Uma análise mais detalhada revela que não foram aquisições inorgânicas e clássicas, em que apenas a empresa que compra usa e integra exclusivamente as suas habilidades, tecnologias e seus produtos. Em vez disso, o Google deu um passo além, deixando as start-ups muito independentes, abrindo um espaço para unir forças e criar equipes complementares. Com base em recursos mais abrangentes e no ecossistema de possibilidades do Google, eles desenvolveram, em conjunto com as equipes das startups, novos produtos e serviços, e por consequência, novas competências e tecnologias.

Neste contexto, o professor George Geis, da Anderson School of Management, na UCLA, definiu o conceito de “crescimento semiorgânico”. Em uma palestra muito interessante na DARDEN MBA School, ele explica em detalhes os fundamentos dos setores e de estruturas escolhidas, assim como as sinergias resultantes das aquisições do Google.

Após uma análise mais detalhada, um aspecto em especial pode ser identificado, diferenciando o Google de outras tantas empresas: a velocidade e a eficácia da integração das competências adquiridas. Mais informações e os fundamentos teóricos sobre o assunto podem ser lidos em outra publicação do Prof. Geis: o livro “Semi-Organic Growth”.

Nesse artigo, queremos nos focar em como os empreendedores e gerentes executivos podem aprender com o Google, destacando os fatores fundamentais de sucesso e como as lições aprendidas podem ser utilizadas a serviço dos próprios desafios da gigante de tecnologia.

Lições do Google

Um aspecto importante é o fato de que o Google objetiva uma simbiose, uma cooperação com vantagens mútuas para ambos os lados. Essa simbiose pode ser conseguida, por um lado, preservando a autonomia da empresa adquirida e, ao mesmo tempo, a interdependência estratégica (no sentido de cooperação) entre as duas empresas anteriormente separadas.

Um equilíbrio que necessita da combinação certa de mentalidade, competências complementares e objetivos comuns.

Podemos aprender com o Google que uma estratégia de crescimento bem sucedida é uma combinação inteligentemente coordenada de crescimento orgânico com inovação interna e o uso do poder financeiro para aquisição de startups. No entanto, o objetivo é sempre manter a autonomia e a interdependência ao mesmo tempo, usando as competências complementares para desenvolver inovações em conjunto.

Os fatores fundamentais de sucesso são:

  • Uma mentalidade adequada e um treinamento de líderes quanto a tecnologias digitais, novos modelos de negócios, e especialmente, como a disrupção tem lugar em nossa exponencial economia.
  • Disposição para trabalhar sem reservas com a equipe, em ambos os lados, que falem as duas línguas e, no melhor dos casos, sejam apenas líderes de pessoas sem responsabilidades operacionais.
  • Cooperação em pé de igualdade: em particular, as empresas tendem a não fazer isso honestamente. No entanto, uma comunicação aberta é essencial para o sucesso de qualquer tipo de colaboração, o que é um ponto chave para o crescimento semiorgânico quando as startups são confrontadas com processos corporativos, mentalidades, etc.
  • Aceitar as diferenças: é importante entender que ambos os lados têm potenciais específicos. Em particular, os colaboradores da empresa devem ter treinamentos apropriados, a fim de estimular novas e diferentes formas de pensamento para colocá-las a serviço da empresa.

As equipes que agora formam um novo time devem se firmar como instituições independentes nos limites de cada empresa, para ter ao mesmo tempo os recursos de todos, mas estarem abertas a qualquer solução, direções, parcerias ou aquisições.

A partir deles, as equipes de startups podem contribuir de diversas formas com grandes empresas como o Google:

  • Transformar a cultura – criar uma mentalidade empreendedora entre os colaboradores
  • Aumentar a capacidade de atratividade da empresa — criar uma marca inovadora que atraia clientes, business partners e talentos.
  • Resolver problemas de negócio – desenvolver soluções inovadoras com startups, para aumentar a velocidade de resolução e reduzir o risco
  • Expandir-se para mercados do futuro — explorar novas tecnologias e mercados para sair na frente da concorrência

Conclusão

O crescimento semiorgânico é um método promissor para empresas sólidas em sua estratégia de revolução digital. Ele combina as vantagens do crescimento orgânico com o crescimento inorgânico, oferecendo ótimas oportunidades para iniciar rapidamente a transformação digital por meio de fusões inteligentes. Mesmo que o caminho e o sucesso do Google não possam ser copiados imediatamente, as empresas já podem lucrar com as pequenas colaborações de startups. As formas possíveis variam desde certos eventos pontuais, como hackathons; compartilhamento de recursos e apoio por meio de incubadoras e aceleradoras; até acordos estratégicos, como parcerias, investimentos, e em última instância, aquisições.

Sven Rossmann é formado em engenharia da computação pela Technische Universität Darmstadt, trabalhou em consultorias, ajudou a criar uma company builder em Berlin e hoje trabalha na Porsche Consultng com transformação digital de negócios.

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