Como a aproximação com o ecossistema empreendedor transformou a cultura da Visa

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Fernando Teles
Fernando Teles

Country Manager da Visa do Brasil.

Uma transformação de estratégia começa com a transformação da Cultura. Foi assim que decidimos criar uma série de iniciativas para desenvolver uma mentalidade mais empreendedora em todo time.

Muito se fala sobre o quanto as scale-ups têm a aprender com as grandes empresas. Isso é natural, já que, em termos de processos e aprendizados, as organizações já consolidadas realmente têm muito a contribuir para aquelas que estão em seus primeiros anos de vida.

Só que o inverso também vale. Empresas mais jovens, que já nasceram com o DNA da inovação, têm muito a ensinar para as maiores, em vários sentidos. E a Visa é prova disso. Nossa aproximação do ecossistema empreendedor não só mudou nossa forma de pensar, como transformou a nossa cultura. Passamos a ouvir mais o consumidor,  alteramos para um mindset de experimentação e criação de MVPs (minumum viable product, ou produto minimamente viável)  que, antes, era conceitos que não faziam parte da nossa rotina. Agora, a operação não funciona sem eles.

Perdendo o medo da mudança

Desde que me juntei ao time da Visa, em agosto de 2016, eu tinha como meta mudar a forma como as pessoas trabalhavam internamente. Mais importante que isso, eu queria mudar a forma como o mercado enxergava a Visa.

Quando cheguei, já havia uma política de relacionamento com o mundo do empreendedorismo. O que fizemos foi intensificá-la. A primeira iniciativa foi a criação de um programa de aceleração de startups, que aconteceu em 2017. E que já trouxe ótimos resultados para nós e, com esses resultados positivos, continuamos com o programa e já estamos indo para o nosso 3º ano.

Com a proximidade dessas empresas, aprendemos muito e incorporamos um novo mindset. Perdemos o medo de errar; errar é parte do processo em busca de uma solução – e deve ser rápido. Lançamos inovações com mais agilidade e no formato de MVP; e nossas soluções passaram por novos desenhos de UX para serem human-centered.

Desde o lançamento do nosso programa de aceleração, já nos aproximamos de mais de cem startups. Essa experiência tem sido enriquecedora para todos os participantes: os executivos da Visa que atuam como mentores aprendem com esses empreendedores a trabalhar de forma mais ágil; e as startups se conectam com nossos clientes e com importantes players do ecossistema de tecnologia de pagamento do país.

Mas é importante reforçar que nossa relação com as startups não se resume ao programa de aceleração. Também temos como pilar desse relacionamento a geração de negócios para toda a indústria e para nossos parceiros.

Sai a competição, entra a colaboração

Esse processo envolve um ponto delicado, que é a mudança de paradigmas na cultura da empresa. Devemos substituir a dinâmica da competição por aquela da colaboração. Na Visa, isso começou lá atrás, em uma das minhas primeiras reuniões com todo o time. Na ocasião, perguntei se os colaboradores topariam uma forma de trabalho com metas compartilhadas. E, para a minha alegria, todos concordaram com o desafio.

Acho que isso mudou tudo. O lançamento de um novo serviço não é mais responsabilidade de uma única equipe. Todos os funcionários da empresa participam dos processos de desenvolvimento de soluções. Desde que implementamos as metas compartilhadas, conseguimos gerar uma troca de experiência de riqueza incomensurável entre executivos das mais diversas áreas.

Hoje, temos casos em que um único grupo de trabalho reúne conhecimentos e experiências extremamente ricas e das mais diversas áreas, como finanças, comercial, produtos, comunicação, varejo, segurança, entre outras. Além disso, implementamos uma política de portas abertas para reforçar a importância do papel de cada um que compõe a empresa. De minha parte, passei também a criar mais canais para ouvir os colaboradores.

Surge a área de Novos Negócios

Em 2017, criamos um novo grupo dentro da área de Vendas que é responsável por fintechs, que também contribuiu muito para estreitar nossas relações com empreendedores. Montamos uma equipe para olhar para esses novos players e para buscar oportunidades de negócios.

Em menos de um ano, a área quadruplicou de tamanho em número de clientes. Hoje já lançamos no mercado, de forma colaborativa, chatbots de soluções com inteligência artificial, contas digitais com wearables usando tecnologia de pagamento por aproximação, autorização com reconhecimento facial, entre outras. As oportunidades de negócios e parcerias entre startups e emissores, processadoras, credenciadoras e estabelecimentos comerciais só crescem.

Mas como os processos internos foram se moldando à lógica da experimentação?

Dentro da Visa, toda essa experiência de trocas teve um importante reforço. Em 2017, nós contratamos a Exponential Organization, de Salim Ismail (um dos fundadores da Singularity University), para mudar a forma como nós atuávamos. O objetivo era criar um crescimento exponencial a partir de novos negócios e mudar a mentalidade dos funcionários mais acostumados a trabalhar cada um na sua área.

Na época, presenteamos todo o time com um exemplar do livro “Organizações Exponenciais” do próprio Salim. Ele destaca o momento em que a concorrência não é mais a empresa multinacional no exterior, mas o cara em uma garagem no Vale do Silício ou em Mumbai, utilizando as mais recentes ferramentas online para projetar e projetar a partir da nuvem sua última criação.

Mudar para muito melhor

Depois disso, toda e empresa foi envolvida em um planejamento estratégico para os três próximos anos. E alguns dos projetos que nasceram nesse plano estão sendo colocados em prática agora, como MVPs. Além disso, a empresa como um todo mudou a forma de trabalhar. As reuniões tornaram-se mais produtivas, sendo muito mais diretas e em modelo de pitch.

Um último exemplo dessa transformação cultural é que lançamos um Programa de Mentoria interno em que todos os colaboradores da Visa, independentemente de cargo, podem participar. Cerca de 30% das pessoas aderiram. Hoje, esses colaboradores passam por treinamentos com coachings de mercado e por treinamentos de pitch, sempre com o acompanhamento do RH.

Ou seja, a proximidade com os empreendedores trouxe uma mudança generalizada na nossa forma de operar, com muita ênfase na colaboração entre diferentes áreas da empresa.