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Concorrência: por que um mundo sem ela é ruim

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O mundo ideal de muitos empreendedores é aquele no qual não existe concorrência para o seu negócios, mas será que esse contexto é mesmo o melhor?

No fundo, todo empreendedor sente um frio na barriga quando o assunto concorrência. É normal sentir medo, insegurança, raiva, inveja, perder o sono, a fome etc. Afinal, construir um negócio é uma jornada que exige muito sacrífico pessoal, investimento de tempo, energia e dinheiro. O envolvimento que a dinâmica de empreender requer faz com que a ideia de ter alguém lutando pelo mesmo mercado, só que com uma ideia possivelmente melhor e/ou mais competitiva, gere crises de ansiedade. É normal. Acontece comigo e também com meus concorrentes em relação a mim.

Fizemos uma pesquisa recente, chamamos de Termômetro ContaAzul, perguntando ao pequeno empresário brasileiro sobre como a crise afetou seus negócios. No capítulo concorrência, de forma surpreendente, 54,4% dos empreendedores apontaram que a crise fez a concorrência aumentar, com a entrada de novos players no mercado, enquanto 25,3% afirmaram que o cenário atual diminuiu a concorrência e 20,3% dizem que a situação não foi alterada.

Ainda sobre o tema, 54,6% dos pequenos empresários avaliam que os concorrentes estão mais conservadores, mas 35,4% dizem que eles estão mais inovadores. Para enfrentar a crise, os empresários acreditam que 73,3% dos seus concorrentes estão mais preocupados em sobreviver e 12,2% afirmam que eles estão diversificando seus negócios. Em contrapartida, pouco mais de 6% acreditam que os concorrentes estão tentando vender suas empresas. (Caso queira saber mais, acesse a pesquisa completa)

Então, mesmo em momento de crise, a competição é acirrada.

A falta de competidores em um dado mercado pode ser vista como algo positivo por alguns empreendedores – ou até mesmo um cenários dos sonhos. Mas esse pensamento não é bom!  Muito longe de ser uma coisa boa, a falta de concorrência pode significar um mercado fraco. Existem algumas poucas razões para um negócio não ter concorrência e nem uma delas é boa:

Motivo 1: Você está sendo descuidado com a análise do ambiente competitivo. Talvez movido pela ansiedade de fazer o negócio dar certo e ganhar dinheiro, talvez porque queira se enganar e pintar um mundo mais fácil do que realmente é. Não, o mundo não é fácil, e a concorrência vai tomar seu espaço se você deixar.

Motivo 2: É possível criar um negócio tão inovador que coloque o empreendedor à frente do mercado. Esse é o menos problemático dos cenários e com certeza não tardará para os primeiros concorrentes aparecerem. O empreendedor deve ficar atento aqui, pois ele precisará fazer um grande investimento para educar o seu mercado. Sim, quando os concorrentes começarem a vir, pegarão um mercado pronto e educado pelo pioneiro. Ninguém disse que seria fácil, certo? E também não parece justo. Por outro lado, os pioneiros tendem a liderar o mercado.

Motivo 3: Você não tem o produto que as pessoas querem. Se ninguém quer consumir, provavelmente também ninguém vai produzir. Eis aí um mercado sem concorrência. Mas, quem quer entrar nele? Um exemplo clássico usado em aulas de MBA sobre competitividade no mundo a fora é: que tal montar uma churrascaria na Índia? Matéria prima abundante e barata e concorrência zero. Sim, zero, assim como o consumo de churrasco.

Uma metáfora muito interessante para se ter em mente é a do homem que se tornou o nadador mais rápido do mundo ao nadar em uma piscina com um tubarão. Para não morrer, ele teve que nadar mais rápido do que o predador e, com isso, nadar mais rápido do que qualquer de seus oponentes. No mercado, muitas vezes é assim: ou você é o mais competitivo, ou será engolido.

Para se manter vivo, precisa ser competitivo e, para ser competitivo, precisa de concorrência.

Concorrência é sinônimo de mercado, é sinal de que tem demanda, de que tem gente querendo pagar pelo que você – e os outros fazendo algo igual ou parecido – têm para oferecer.

Graças à competitividade, os empreendedores se mantém inovadores. A competição faz as pessoas pensarem de forma diferente sobre os mesmos problemas, o que é necessário para a manutenção e crescimento do negócio e das pessoas ligadas a ele.

Sem concorrência, os empreendedores não teriam tanta inclinação por pensar na qualidade do produto e/ou serviço que estão entregando. Quando há concorrência, há busca pela excelência e quem tinge o melhor padrão de qualidade vende mais. Dessa forma, o empreendedor busca elevar cada vez o padrão.

A concorrência também é uma fonte de aprendizado quanto ao que funciona e o que não funciona no mercado. O empreendedor pode aprender com os erros e acertos dos competidores.  Pode-se estudar estratégias adotadas, práticas e políticas para encurtar alguns caminhos. São muitos os desafios de um empreendedor no Brasil, e a concorrência pode te ajudar a encurtar o caminho do aprendizado.

Além disso, a concorrência tem um fator motivacional. Afinal, você precisa ser mais competitivo, atender melhor ao cliente, ter uma proposta de valor mais clara e que o mercado perceba como mais adequada. O empreendedor se vê obrigado a se fortalecer enquanto gestor, adotar tecnologias que o favoreçam, aprender coisas novas, abrir os horizontes etc.

Em um mundo sem concorrência, nada disso aconteceria. Pode apostar: seria ruim.

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, ContaAzul, CEO
Vinicius Roveda atua há 14 anos no mercado de tecnologia e internet. Seu primeiro empreendimento foi a Informant, empresa de software especializada em pesquisa e desenvolvimento com foco na criação de produtos. Atualmente, é CEO da ContaAzul, maior fornecedora de software de gestão online para MPEs em todo o Brasil. Possui MBA em Gestão Empresarial, especialização em Gestão de Produtos e formação em Ciências da Computação pela Universidade do Estado de Santa Catarina.

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